Wellington Dias leva à ONU experiência do Brasil no combate à fome
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participará entre 21 e 23 de setembro, em Nova York, de uma série de reuniões durante a 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas com foco no enfrentamento da fome e da pobreza. Copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, ele apresentará a experiência brasileira e defenderá maior articulação internacional para acelerar políticas de proteção social e segurança alimentar.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a participação ocorre em um momento em que a comunidade internacional permanece distante da meta de erradicar a fome até 2030, prevista nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.
O relatório O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026 (SOFI) estima que cerca de 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2025. As projeções indicam que, sem uma aceleração das políticas atualmente adotadas, aproximadamente 520 milhões ainda poderão viver nessa situação em 2030.
O Brasil chega às discussões em situação distinta. O país está fora do Mapa da Fome, com prevalência de subnutrição inferior a 2,5%. De acordo com o SOFI 2026, a insegurança alimentar severa caiu para 0,6% no triênio entre 2023 e 2025, período em que 16,7 milhões de brasileiros deixaram essa condição.
Guerras e crise climática pressionam combate à fome
O cenário internacional, porém, permanece marcado por fatores que dificultam o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2, dedicado à erradicação da fome e à promoção da agricultura sustentável.
Guerras e conflitos armados têm provocado impactos sobre sistemas de produção e distribuição de alimentos, além de pressionar preços e ampliar a vulnerabilidade das populações de menor renda. O relatório também chama atenção para os efeitos dos eventos climáticos extremos e para a redução de recursos destinados à assistência humanitária e ao desenvolvimento.
Durante as reuniões em Nova York, Wellington Dias defenderá a ampliação de políticas de proteção social, segurança alimentar e desenvolvimento rural, além de iniciativas relacionadas a financiamento internacional, juventude, tecnologia e cooperação entre países.
Outro ponto das discussões será a possibilidade de replicar e adaptar experiências adotadas em diferentes países, incluindo programas de transferência de renda, apoio à agricultura familiar, acesso à água, inclusão socioeconômica e políticas públicas de segurança alimentar.
Aliança Global reúne governos e instituições
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza atua na articulação de governos, instituições financeiras, organismos internacionais e centros de conhecimento para ampliar programas destinados à redução da fome e da pobreza.
No dia 23, a entidade realizará em Nova York o evento “Faltam Quatro Anos: Acelerando a ação contra a fome e a pobreza”, referência ao período restante para o cumprimento das metas estabelecidas na Agenda 2030.
A programação de Wellington Dias começa em 21 de setembro, quando o ministro participará como palestrante de um evento de alto nível da ONU sobre negócios sociais, juventude e tecnologia. Também está prevista uma reunião bilateral com representante do Banco Mundial.
No dia seguinte, ele acompanhará a abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia-Geral e participará de discussões sobre segurança alimentar, prevenção de crises, resiliência e fortalecimento das economias rurais. A agenda inclui ainda compromissos com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
Também poderá ser realizada uma discussão sobre estratégias para garantir a sustentabilidade da saída de países da América Latina e do Caribe do Mapa da Fome. A atividade ainda depende de confirmação.
Reunião com BID encerra agenda
Em 23 de setembro, Wellington Dias terá uma reunião bilateral com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn.
No mesmo dia, o ministro participará do encontro organizado pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em parceria com as representações permanentes de Brasil e Espanha junto às Nações Unidas.
A expectativa brasileira é utilizar a Assembleia-Geral para reforçar a defesa de mecanismos internacionais capazes de financiar e ampliar políticas que já demonstraram resultados na redução da insegurança alimentar, em um momento em que faltam quatro anos para o prazo estabelecido pela Agenda 2030.
Fonte: Brasil 247