Polícia apreende dispositivos de ex-funcionário do iFood em investigação sobre dados sigilosos
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A polícia brasileira apreendeu dispositivos eletrônicos de um ex-funcionário do iFood investigado por suspeita de ter baixado informações comerciais confidenciais pouco antes de deixar a companhia e informar que passaria a trabalhar na concorrente 99Food.
Segundo reportagem da Reuters, a operação de busca e apreensão foi realizada na quarta-feira (16) e teve como alvo um ex-executivo da área de vendas estratégicas do iFood. Ele tinha acesso a dados considerados sensíveis pela empresa, incluindo volumes de vendas e perfis de clientes.
“O objetivo da busca era coletar dispositivos eletrônicos para que pudéssemos realizar análises forenses e determinar o que aconteceu com os dados”, afirmou à Reuters Angelo Lages, inspetor de polícia responsável pela investigação no Rio de Janeiro.
A apuração ocorre em meio à intensificação da concorrência no setor brasileiro de entregas de comida, especialmente após a expansão da 99Food, controlada pela chinesa DiDi Global, e da Keeta, plataforma pertencente à Meituan.
Downloads antes da saída
De acordo com Lages, o funcionário deixou o iFood em 2025 depois de comunicar à empresa que passaria a trabalhar na 99Food. Uma análise interna realizada posteriormente teria identificado o download de arquivos estratégicos pouco antes de sua saída.
O ex-funcionário afirmou aos investigadores que já não trabalhava mais para a 99Food e que atualmente atua como consultor independente, segundo o inspetor.
A polícia também tenta determinar se outras pessoas ou empresas tiveram acesso ao material investigado.
A 99Food declarou que trata as acusações com seriedade, que não tolera o uso de dados obtidos ilegalmente e que o alvo da operação policial não integra atualmente sua equipe.
iFood diz ter recebido denúncia
O iFood afirmou que a investigação teve origem em uma denúncia apresentada por um ex-funcionário sobre o suposto roubo de informações comerciais estratégicas e confidenciais.
A companhia acrescentou que adotou medidas judiciais para proteger seus dados e seus parceiros comerciais.
Nos últimos meses, o iFood também passou a denunciar publicamente supostas tentativas de obtenção de informações comerciais por meio de ex-funcionários e de consultorias remuneradas organizadas por empresas terceirizadas. As concorrentes citadas nessas acusações negam irregularidades.
Controlado pelo grupo de investimentos holandês Prosus, o iFood concentra cerca de 80% do mercado brasileiro de entrega de refeições, segundo os dados citados pela Reuters.
O setor movimentou aproximadamente US$ 20 bilhões em pedidos no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Disputa também chegou ao Cade
A investigação sobre possível apropriação de dados ocorre paralelamente a disputas concorrenciais analisadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Keeta acusa a 99Food de utilizar cláusulas de exclusividade e outras condições contratuais que, segundo a empresa, dificultariam a atuação de restaurantes em mais de uma plataforma simultaneamente.
Em outra frente, o iFood pediu ao Cade neste ano que examinasse as estratégias de expansão adotadas pela Keeta e pela 99Food.
A empresa sustenta que as concorrentes utilizam subsídios elevados e aceitam prejuízos prolongados como estratégia para conquistar participação no mercado. As disputas reforçam o aumento da competição em um segmento dominado pelo iFood e que passou a atrair investimentos de grandes grupos chineses.
Fonte: Brasil 247