Wellington Dias e chanceler espanhol cobram aceleração global contra fome até 2030
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e o ministro de Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha, José Manuel Albares, defenderam uma mobilização internacional para acelerar o combate à fome e à pobreza nos quatro anos que restam até o prazo da Agenda 2030 das Nações Unidas.
A posição foi apresentada em artigo conjunto publicado no sábado (26) pelo jornal espanhol elDiario.es, sob o título “A Aliança Global e o caminho para alcançar a Agenda 2030”. Os ministros apontam que o mundo ainda está distante de cumprir parte significativa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e colocam a ampliação de políticas públicas e do financiamento internacional entre as prioridades para o período até 2030.
Segundo os dados das Nações Unidas citados no artigo, apenas 36% das 139 metas dos ODS para as quais existem informações sobre tendências estão no caminho adequado ou apresentam avanços moderados. Dias e Albares afirmam que, apesar das dificuldades, indicadores recentes mostram que políticas públicas e cooperação internacional podem produzir resultados.
Um dos dados destacados é a redução do número de pessoas atingidas pela fome no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a estimativa caiu de 733 milhões de pessoas em 2023 para 645 milhões em 2025. Os ministros também citam dados do Banco Mundial segundo os quais o contingente vivendo em extrema pobreza diminuiu mais de 60% desde 1990.
“Os próximos quatro anos serão decisivos”
No texto, Wellington Dias e Albares sustentam que os avanços obtidos até agora precisam ganhar escala diante da proximidade de 2030.
“Os próximos quatro anos serão decisivos”, afirmam.
Os dois ministros relacionam a persistência da insegurança alimentar a fatores sociais e políticos, e não à insuficiência global na produção de comida.
“A fome não é consequência da falta de alimentos, mas da desigualdade, da exclusão e das decisões políticas”, escreveram Dias e Albares, em trecho traduzido do artigo publicado em espanhol.
Na avaliação apresentada pelos ministros, conflitos armados, mudanças climáticas, enfraquecimento do multilateralismo e redução da ajuda oficial ao desenvolvimento aumentam a pressão sobre populações em situação de vulnerabilidade. Diante desse cenário, eles defendem a ampliação de iniciativas que já apresentaram resultados em diferentes países.
Entre as medidas mencionadas estão políticas de proteção social, programas de alimentação escolar, apoio aos pequenos produtores, iniciativas de inclusão econômica e ações destinadas a ampliar a resiliência diante das mudanças climáticas. A igualdade de gênero também é apontada como parte indispensável da estratégia, especialmente diante da participação das mulheres na agricultura familiar e nos sistemas alimentares.
Aliança Global atua em 19 países
Dias e Albares colocam a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no centro dessa articulação. A iniciativa foi lançada em 2024, durante a presidência brasileira do G20, com a proposta de reunir governos, organismos internacionais e instituições em torno da expansão de políticas comprovadamente eficazes.
De acordo com o artigo, a Aliança já apoia programas nacionais de grande escala em 19 países, em diferentes fases de preparação e implementação e de acordo com as prioridades estabelecidas pelos próprios governos. Entre os exemplos mencionados estão projetos de produção pecuária na Etiópia e iniciativas de proteção social e transferência de renda na Zâmbia.
Brasil e Espanha exercem a copresidência da iniciativa. Durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, os dois países promoveram um encontro com governos e parceiros para discutir maneiras de acelerar as medidas contra a fome e a pobreza até 2030.
O evento “Quatro anos restantes: acelerando a ação contra a fome e a pobreza” foi realizado na quarta-feira (23) e teve como objetivo discutir a transformação de compromissos internacionais em ações concretas. A agenda foi copatrocinada pelas representações permanentes de Brasil e Espanha junto à ONU.
Financiamento e políticas públicas
Para os ministros, uma das prioridades dos próximos anos deve ser superar a fragmentação das iniciativas internacionais e criar condições para que programas bem-sucedidos possam atingir um número maior de pessoas.
O artigo defende aumento dos investimentos em políticas integradas, fortalecimento de parcerias capazes de conectar as necessidades de cada país ao apoio internacional e ampliação dos mecanismos de financiamento destinados às ações sociais.
A discussão ocorre em um momento considerado decisivo para a Agenda 2030. Antes da Assembleia Geral da ONU, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social já havia destacado que o mundo permanece distante do cumprimento do ODS 2, que prevê a erradicação da fome e a promoção da agricultura sustentável até o final da década.
Para Dias e Albares, a capacidade de alcançar resultados significativos até 2030 dependerá das decisões tomadas neste período e da transformação dos compromissos diplomáticos em políticas concretas.
“O desafio dos próximos quatro anos é acelerar esses avanços e conseguir que cheguem também àqueles que ainda estão ficando para trás”, afirmaram no artigo, em tradução para o português.
Fonte: Brasil 247