Vozes femininas — Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues: Cordas, madrugadas e memórias

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Por Redação — Jornal Opção

Vozes femininas — Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues: Cordas, madrugadas e memórias

Elizabeth Abreu Caldeira Brito

Nascida na Cidade de Goiás em 20 de abril de 1929 e falecida em 16 de setembro de 1999, Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues é filha de Affonso Franklin do Nascimento e Maria Djanira do Nascimento, e mulher do escritor José Lopes Rodrigues. Formou-se em Ciências Contábeis e Atuariais, Ciências Econômicas (UCG, atual PUC-GO) e em Ciências Jurídicas e Sociais (UFG).

Elizabeth Abreu Caldeira Brito foto da capa de Dicionário Crítico das Vozes Femininas da Literatura em Goiás ok2

Poetisa, musicista (violonista e violinista), professora e ativista cultural, pertenceu à União Brasileira de Escritores-Seção Goiás, à Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), à Ordem dos Músicos e à Orquestra Filarmônica de Goiás.

A musicista Sílvia Rodrigues estudou com grandes mestres das artes musicais: Crundwal Costa e o maestro belga Jean François Douliez cuja influência estética está presente na estrutura melódica de seus poemas e madrigais

É de autoria de Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues o poema do hino da Aflag “Mulheres de Azul”, cuja melodia é da também acadêmica da Aflag musicista Maria Lucy da Veiga Teixeira. A letra-poema destaca o papel simbólico na legitimação da Instituição e na memória das mulheres que atuam no espaço das letras e das artes em Goiás.

Silvia Lourdes do Nascumento Rodrigues 500 capa do livro Madrugada Foto Divulgação

Mulheres de Azul

Hino da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás

Letra: Sílvia Lourdes do Nascimento Rodrigues

Música: Maria Lucy da Veiga Teixeira

Em Goiás, terra plena de ventura

E de grandezas terra peregrina,

Dos perenes anseios da cultura

Surgiu a Academia Feminina.

Floresce com lavor original,

Memória do teatro e da escultura,

Da música, em sentido universal,

Artes plásticas e literatura.

A passos largos, ufanosamente,

Prossegue com o vigor do coração,

Abrindo estradas, orgulhosamente,

Deixando fundas marcas pelo chão.

Sucessão das ideias progressivas

Em outras eras, vozes de outra idade

Repetem-se veementes, redivivas,

Nos mistérios da imortalidade.

A musicista Sílvia estudou com grandes mestres das artes musicais: Crundwal Costa e com o maestro belga Jean François Douliez cuja influência estética está presente, segundo estudiosos, na estrutura melódica de seus poemas e madrigais. Recebeu o primeiro lugar com a letra em forma de madrigal para a obra Conselho (de Douliez). Foi condecorada com inúmeros prêmios nacionais e internacionais na Bélgica e Holanda. Suas conquistas profissionais incluem, ainda, o primeiro lugar no concurso para Contadora do IBGE (1947); e aprovação, em 1988, para a Orquestra Sinfônica de Goiás como violinista, onde atuou por vários anos.

Sílvia Rodrigues publicou inúmeros sonetos em periódicos nas décadas de 1970 e 1980, sendo referenciada em importantes obras de mapeamento literário. No livro “Madrugada” (1968), a voz lírica da autora oferece uma poética marcada pela introspecção, delicadeza imagética e metafórica e uma incessante busca pela transcendência.

Assim, a trajetória de vida marca o entrelaçamento entre a mulher pública, a acadêmica, a musicista atuante, a gestora cultural e a artista que soube fazer ecoar e entoar sua voz e suas ações, nos interstícios do cotidiano com sensibilidade, sororidade e pertencimento.

Publicações de Sílvia Rodrigues

1

“Madrugada”, poemas (1968);

2

“Convite à Poesia” – inédito (1970);

3

“Laços de Fita” – inédito (1980).

Elizabeth Abreu Caldeira Brito, psicóloga e escritora, é mestra em Letras e Críticas Literárias. Vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), ex-presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag) e filiada à União Brasileira de Escritores-Seção Goiás. É colaboradora do Jornal Opção.

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Fonte: Jornal Opção

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