Violência política contra mulheres soma 1,5 mil denúncias no Ligue 180
Por Gabriel Andrade — Carta Capital
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Negras representam 53% das vítimas; São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram o maior número de registros
O número de denúncias de violência política contra mulheres no Brasil alcançou 1.564 registros entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. As ocorrências resultaram em 1.581 violações identificadas , em ano de eleições gerais no País. A diferença entre os números ocorre porque uma única denúncia pode conter mais de um tipo de violência praticada pelo mesmo agressor.
De acordo com o levantamento, mulheres pretas e pardas são as principais alvo: 842 denúncias, o equivalente a 53% do total, foram registradas por vítimas negras. Em seguida aparecem mulheres brancas, com 590 casos (37,7%), e outras raças, com 132 registros (8,4%).
Os estados com maior número de denúncias são São Paulo (430), Rio de Janeiro (260) e Minas Gerais (149). Na sequência, aparecem Bahia (89), Rio Grande do Sul (62), Paraná (61) e Santa Catarina (56).
Entre as violações denunciadas estão discriminação e desigualdade de tratamento por gênero, raça ou etnia, ameaças e difamação de candidatas, divulgação de conteúdo falso, desqualificação de habilidades e funções, interrupção frequente de fala em ambientes políticos, questionamento sobre escolhas de vida privada e julgamento pela aparência física.
Os registros também incluem ameaças de morte e estupro, ataques racistas e transfóbicos, vandalização de materiais de campanha, coação, misoginia, constrangimento, intimidação e deslegitimação de mulheres que ocupam ou disputam espaços de poder. Há ainda casos de responsabilização judicial.
Em 2025, o Ligue 180 registrou 2.310 denúncias de violência política contra mulheres, com 2.334 violações, dentro de um universo de mais de 155,1 mil denúncias de todos os tipos de violência contra a mulher. Considerando apenas o período de janeiro a agosto do ano passado, foram 1.649 denúncias.
Sandra Kennedy afirma que a redução pontual nos registros não indica diminuição do problema nem permite definir tendências. Ela aponta a possibilidade de subnotificação.
“Os dados estão muito longe da realidade, até porque muitas das mulheres não conhecem o canal (Ligue 180) como um espaço para denunciar”, declarou.
*Com informações da Agência Brasil.
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Fonte: Carta Capital