“Velha política” e “falta de experiência” viram armas entre candidatos ao governo do ES
A Gazeta

Fernando Madeira
O republicano, por sua vez, pretende emplacar em Ricardo a pecha de integrante da “velha política”.
As duas estratégias ficaram evidentes durante o debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória nesta terça-feira (22).
Helder Salomão (PT), que corre por fora, em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, ficou mais à vontade para alfinetar tanto Pazolini quanto Ricardo.
A 12 dias da votação no primeiro turno das eleições 2026, os ânimos começaram a esquentar entre os concorrentes ao Palácio Anchieta. Mas num nível civilizado, até contido.
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Contribui para isso o fato de que Pazolini e Ricardo não são lá muito bons oradores e são pouco performáticos, de forma que o debate não contou com grandes arroubos de retórica.
Mas teve momentos interessantes.
Pazolini, ao responder a uma pergunta do jornalista de A Gazeta Danilo Meirelles a respeito da falta de integração entre a Prefeitura de Vitória e o governo estadual na época em que comandava o Executivo municipal, saiu-se com esta:
“Essa integração existe plenamente na área técnica, naquilo que interessa para a vida dos capixabas. Não precisa ter integração com a velha política, você não precisa coadunar com aqueles princípios e valores antigos da política tradicional, aquilo que não leva paz e prosperidade, aquilo que não leva a políticas públicas.”
Foi aí que começou a menção à “velha política” no embate
Já Ricardo, ao responder a um questionamento de Pazolini sobre mortes no trânsito, fez a primeira incursão/alerta aos eleitores:
Existem candidatos, como é o caso do que me antecedeu (Pazolini), que, por falta de experiência e de conhecimento do que está acontecendo no estado do Espírito Santo, parece que vive num mundo imaginário
Ricardo Ferraço (MDB) Candidato ao governo do ES
“Ele trata o Espírito Santo como se o Espírito Santo tivesse a realidade da nossa querida capital, Vitória. Não. A realidade do Espírito Santo exige muito mais experiência”, completou.
As peças da campanha do governador no horário eleitoral e avaliações de aliados dele, nos bastidores, seguem a mesma toada: convencer os eleitores de que a gestão do ex-prefeito não foi assim tão maravilhosa e que, mesmo que tivesse sido, não é possível replicar o modelo para “todos os 78 municípios”, como Pazolini gosta de frisar.
O ex-prefeito revidou rapidamente:
A experiência de ter o nome em lista de propina, a experiência de ter o nome em escândalos financeiros, esse tipo de experiência eu não quero (…) Quando eu nasci, o senhor já era vereador
Lorenzo Pazolini (Republicanos) Candidato a governador do ES
Ricardo Ferraço foi vereador em Cachoeiro de Itapemirim, de 1983 a 1988, seu primeiro mandato. Pazolini nasceu em 1982.
O dilema do eleitor é escolher entre um político experiente, conhecido e chancelado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB), que foi um gestor bem avaliado, e Pazolini, que se apresenta como “o novo”, em tese apto a romper com hábitos antigos e oxigenar a política capixaba.
Helder Salomão, experiente, mas não tão tradicional quanto Ricardo, é a terceira opção.
O petista fez pontuações relevantes no debate, como esta, dirigida a Pazolini:
Velha política, candidato? O senhor não pode falar de nova política se o senhor se aliou ao que há de mais velho na política capixaba e na política nacional
Helder Salomão (PT) Candidato a governador do ES
O ex-prefeito aliou-se ao PL dos senadores Magno Malta e Flávio Bolsonaro.
A sigla, aliás, desempenha papel de destaque na coligação do ex-prefeito, com a candidata a vice Eliane Leal e a candidata ao Senado Maguinha Malta.
Em outros momentos do debate, Helder também provocou Ricardo, como ao lembrar que o governador encontrou-se com o presidente Lula (PT) no Aeroporto de Vitória, em maio, mas sem fazer registros em foto ou vídeo.
“Se o presidente, meu adversário (a pergunta, feita pelo jornalista de A Gazeta Tiago Alencar, tratava da hipótese de Flávio Bolsonaro ser eleito presidente da República), viesse ao Espírito Santo, eu não o encontraria com o presidente escondido no aeroporto, sem divulgar nenhuma foto”, afirmou o candidato do PT ao Palácio Anchieta.
“A relação política é uma coisa, a relação institucional é outra. Respeito quem pensa diferente de mim e coloco os interesses do povo em primeiro lugar.”
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Fonte: A Gazeta