Veja os 6 bairros de Goiânia onde o adensamento populacional impulsiona a economia e atrai negócios

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Por Raunner Vinícius SoaresJornal Opção

Veja os 6 bairros de Goiânia onde o adensamento populacional impulsiona a economia e atrai negócios

O adensamento urbano planejado e a oferta de serviços próximos às moradias figuram como eixos centrais para o desenvolvimento socioeconômico de Goiânia, segundo análise do presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo, em entrevista ao Jornal Opção, nesta terça-feira, 22.

Ao avaliar os impactos do Plano Diretor de 2022, Melazzo defendeu que o adensamento ordenado e previsível contribui para fortalecer a economia e a dinâmica dos bairros. Segundo ele, regiões que permitem maior concentração de moradores tendem a apresentar melhor desenvolvimento econômico.

O dirigente citou como exemplos os setores Bueno, Marista, Jardim Goiás e Serrinha. “Os bairros onde se permite o adensamento se desenvolvem melhor”, afirmou.

Segundo Melazzo, o reordenamento promovido pela legislação também trouxe mudanças para regiões como o Setor Pedro Ludovico e o Jardim América, com melhorias em praças, chegada de novos comércios e ampliação das atividades locais.

Para o presidente da Ademi-GO, um dos principais efeitos do adensamento é permitir que os moradores encontrem serviços, trabalho, comércio e educação próximos de casa.

“Se eu moro num lugar onde eu trabalho perto dele, tenho escola próxima, consumo ali do lado. Isso, na nossa percepção, é o melhor caminho”, disse.

Presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo | Foto: Pâmella Cardoso

Apesar de defender o adensamento, Melazzo ressaltou que o processo precisa ocorrer de maneira ordenada e com previsibilidade urbanística. Segundo ele, as regras estabelecidas para as construções influenciam diretamente a forma como a cidade será ocupada nos próximos anos.

“Quando a gente limita essa construção em 7 vezes e meia, significa dizer que eu vou ter prédios mais afastados, prédios mais baixos. Terei prédio alto, muito afastado dos demais. E isso vai ter possibilidade, vai ter ainda, a gente vai ver isso acontecer em Goiânia”, explicou.

Uso misto e movimento nas ruas

Na avaliação do dirigente, a concentração de moradores também favorece o uso misto dos bairros, ao permitir que residências, comércio e serviços convivam na mesma região. O movimento de pessoas em diferentes horários, segundo ele, contribui ainda para manter as ruas ocupadas durante mais tempo.

“Quando a gente defende que os bairros têm que ser adensados, é porque o adensamento gera uso misto”, afirmou.

Melazzo voltou a citar o Setor Bueno para exemplificar a diferença entre regiões predominantemente residenciais ou comerciais e aquelas que combinam diferentes atividades.

“Você anda nele 2h da tarde ou 2h da manhã e tem comércio aberto porque tem gente morando. Concentração de pessoas leva a isso. Quando deixo um bairro só com atividade varejista, como Centro ou Campinas, das 8h às 18h funciona, depois baixa as portas e vira terra de vampiro”, disse.

Para ele, no entanto, mudanças urbanísticas não devem ser realizadas sem considerar a população que vive nas regiões afetadas. O presidente da Ademi-GO defendeu diálogo entre moradores, iniciativa privada e poder público na formulação das políticas urbanas.

“Tem que ouvir a população do local, porque eles que sentem a dor daquela região. Dentro dessa oitiva, fazemos a composição da iniciativa privada com a pública e a sociedade para trazer as melhores ideias e políticas”, afirmou.

Desafios sociais acompanham transformação urbana

Melazzo também apontou que a discussão sobre revitalização e desenvolvimento urbano precisa considerar problemas sociais enfrentados pela capital, entre eles a situação das pessoas em situação de rua e a violência.

Ao abordar a realidade de Campinas, o dirigente afirmou que acompanha a situação da região e participa de ações voltadas à comunidade.

“Nem toda violência é causada pelos moradores de rua. Existe preconceito. Esse é um problema social grave, não é só de setores como Campinas ou do Centro, mas das grandes cidades. Precisa de foco especial e trabalho dedicado. Defendo que tem que ser individualizado. Cada indivíduo é um indivíduo, alguns vão se requalificar, outros não”, disse.

O presidente da Ademi-GO também alertou para o risco de políticas de revitalização apenas deslocarem problemas sociais de uma região para outra. Segundo ele, intervenções no Centro e em Campinas precisam ser acompanhadas de políticas capazes de atender a população vulnerável, evitando apenas sua migração para outros bairros.

“Não adianta promover requalificação do Centro e de Campinas e essa população migrar para outro lugar, como o Setor Sul. A cidade mostra isso todos os dias. A responsabilidade é de todos nós. Não adianta apontar só para o setor público”, afirmou.

Melazzo comparou a situação ao combate à dengue para defender uma responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade.

“Uso o exemplo da dengue. O setor público limpa, mas se eu jogo copinho no chão, qual é a minha parcela de responsabilidade?”, questionou.

Como parte das alternativas para enfrentar problemas de vulnerabilidade social, Melazzo destacou o papel da construção civil na absorção de trabalhadores que encontram dificuldades para retornar ao mercado formal.

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Fonte: Jornal Opção

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