US$ 1,2 bilhão na conta: multa vira dor de cabeça no balanço deste gigante dos EUA; ações sentem o baque
Por Seu Dinheiro — Seu Dinheiro

Uma conta de US$ 1,2 bilhão por falhas no combate à lavagem de dinheiro ajudou a azedar o balanço do Bank of America (BofA) no terceiro trimestre de 2026 (3T26). Mas a multa não foi o único problema. O banco também decepcionou nas receitas de trading e de banco de investimento, em um período de atividade mais fraca no mercado de capitais.
O resultado ficou aquém das expectativas de analistas e pesou sobre as ações do segundo maior banco dos Estados Unidos nesta quarta-feira (14). Por volta das 14h, os papéis recuavam 5,29%.
O lucro líquido do BofA caiu de US$ 8,3 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para US$ 6,9 bilhões neste ano. Já o lucro diluído por ação ficou em US$ 0,91, abaixo dos US$ 1,10 projetados por analistas consultados pela FactSet.
A receita, por sua vez, avançou 3% em um ano, para US$ 30 bilhões, mas também ficou abaixo das estimativas. As operações de negociação geraram cerca de US$ 750 milhões a menos do que o mercado esperava.
Do lado do crédito, as provisões para eventuais perdas recuaram para US$ 1,3 bilhão, permanecendo praticamente estáveis na comparação anual.
Multa de US$ 1,2 bilhão pesa no balanço do Bank of America
O BofA atribuiu parte do desempenho abaixo do esperado à reserva de US$ 1,2 bilhão — equivalente a R$ 6 bilhões, pelo câmbio atual — para cobrir penalidades impostas por autoridades reguladoras norte-americanas.
As sanções, anunciadas na véspera da divulgação do balanço, estão relacionadas a falhas na identificação e comunicação de operações suspeitas. Segundo as autoridades, o banco deixou de reportar ao governo dos EUA mais de US$ 5 bilhões em atividades potencialmente ilícitas.
As medidas incluem uma das maiores penalidades já impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e ampliam a pressão regulatória sobre os controles internos de grandes instituições financeiras.
Além da multa, os reguladores determinaram que o BofA trabalhe com um terceiro independente para identificar e comunicar transações suspeitas que não tenham sido detectadas pelos sistemas do banco.
A medida se soma a uma ordem de consentimento emitida em 2024 pelo Gabinete do Controlador da Moeda (OCC), que já exigia a correção de deficiências nos controles contra lavagem de dinheiro. Desde o fim de 2023, o banco trabalha com as autoridades para reformular esses mecanismos.
Mercado de capitais também decepciona no 3T26
A penalidade veio em um momento em que as atividades de mercado de capitais já pressionavam os resultados do Bank of America.
No mês passado, o presidente-executivo Brian Moynihan havia alertado que as receitas de banco de investimento e de negociação poderiam ficar abaixo das expectativas, o que provocou uma onda de vendas das ações.
No terceiro trimestre, as comissões de banco de investimento recuaram 11% na comparação anual, para US$ 1,8 bilhão.
O resultado ficou em linha com a perspectiva divulgada pelo banco, que esperava uma queda de pelo menos 10%, em parte porque tinha menor exposição a alguns dos setores com maior atividade.
O ritmo dos negócios também perdeu força. A incerteza geopolítica, os custos mais elevados de financiamento e a volatilidade dos mercados pesaram sobre operações de fusões e aquisições (M&A) e ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).
Já a receita de sales e trading caiu 5%, para US$ 5,1 bilhões, afetada pelo desempenho mais fraco das operações com renda fixa, moedas e commodities.
A queda contrariou a expectativa anterior do banco, que projetava receitas relativamente estáveis em relação ao mesmo período do ano passado.
Em relatório, o Wells Fargo classificou o desempenho do BofA no mercado de capitais como “facilmente o pior da categoria” no trimestre.
*Com informações de Reuters, CNBC e Estadão Conteúdo.
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Fonte: Seu Dinheiro