Um estudo demonstra que repetições isométricas desenvolvem tanta massa muscular quanto repetições completas: “Uma ótima opção para ganhar massa muscular quando se está lesionado”.
Por Carlos Emanoel Freires dos Santos — Catraca Livre
Treinar um músculo sem movimentar a articulação parece estranho para quem associa hipertrofia apenas a repetições completas, mas um estudo recente encontrou resultados muito próximos entre os dois métodos. Participantes que fizeram contrações isométricas com o músculo em posição alongada apresentaram crescimento do quadríceps semelhante ao observado com extensões de joelho realizadas em amplitude completa. O resultado abre espaço para a isometria como ferramenta de treino, embora isso não signifique que ela substitua qualquer exercício tradicional.
O estudo comparou isometria com repetições completas
A pesquisa acompanhou 23 homens e mulheres que já praticavam musculação. Durante seis semanas, eles treinaram duas vezes por semana utilizando extensão unilateral de joelho.
Uma perna foi treinada com contrações isométricas em comprimento muscular mais alongado, enquanto a outra realizou o movimento isotônico tradicional em amplitude completa. Dessa forma, os pesquisadores conseguiram comparar as duas estratégias dentro da mesma pessoa.
O crescimento muscular ficou bastante parecido
Ao final das seis semanas, os pesquisadores observaram hipertrofia semelhante no quadríceps entre as duas condições. Quando a espessura muscular de diferentes regiões da parte anterior da coxa foi somada, não apareceu uma vantagem clara para as repetições completas.
Houve até uma tendência de maior crescimento em uma região proximal da coxa com o treinamento isométrico, mas a incerteza estatística foi grande demais para afirmar que ele seja superior.
A posição do músculo parece ser um detalhe decisivo
O resultado não significa que basta contrair qualquer músculo parado em qualquer ângulo. A isometria utilizada no estudo foi realizada com o quadríceps em uma posição relativamente alongada.
Esse detalhe é importante porque evidências recentes apontam que exercícios capazes de produzir tensão enquanto o músculo está alongado podem favorecer a hipertrofia. A posição escolhida provavelmente ajuda a explicar por que o treino isométrico conseguiu se aproximar tanto das repetições completas.
Isometria não significa simplesmente segurar um peso leve
Uma contração isométrica acontece quando o músculo produz força sem uma mudança visível no ângulo da articulação. Um exemplo simples seria segurar uma extensão de joelho em determinada posição em vez de subir e descer a carga.
Para que exista um estímulo relevante, porém, a contração precisa oferecer esforço suficiente. Apenas permanecer parado em uma posição confortável por alguns segundos dificilmente produziria o mesmo resultado.
- o músculo precisa trabalhar sob tensão;
- a posição escolhida influencia o estímulo;
- o esforço deve progredir ao longo do tempo;
- volume e recuperação continuam importantes;
- o método deve respeitar qualquer limitação articular existente.
O método pode ser útil quando certos movimentos incomodam
Uma vantagem prática da isometria é permitir que o músculo seja treinado sem realizar continuamente toda a amplitude de uma articulação. Isso pode ser interessante em situações nas quais determinados movimentos causam desconforto ou precisam ser temporariamente limitados.
Daí vem a ideia de que ela pode ser uma opção durante algumas fases de recuperação. Isso, porém, não foi diretamente testado nesse estudo: os 23 participantes eram saudáveis e treinados, não pessoas lesionadas. Portanto, usar a técnica durante uma lesão depende do tipo de problema, do estágio de recuperação e da orientação adequada.
Repetições completas continuam tendo vantagens
O fato de a hipertrofia ter sido parecida não torna os dois métodos idênticos. Movimentos completos treinam força em diferentes ângulos e desenvolvem a habilidade de produzir força durante o movimento, algo que uma contração parada não reproduz totalmente.
Outros estudos também mostram que os resultados podem variar conforme o exercício e o protocolo. Em uma pesquisa com flexores do cotovelo, por exemplo, o treino isotônico tradicional produziu aumentos maiores de espessura muscular e força do que uma forma de exercício quase isométrico.
A isometria pode entrar como complemento ou alternativa temporária
O principal recado do estudo não é que repetições completas deixaram de ser necessárias. Ele mostra que contrações isométricas bem planejadas, especialmente em posições de maior alongamento muscular, também podem gerar um estímulo relevante para hipertrofia.
Para quem treina normalmente, elas podem complementar exercícios tradicionais ou oferecer variedade ao programa. Em situações nas quais a amplitude precisa ser reduzida, podem se tornar ainda mais úteis, desde que a lesão permita aquele nível de tensão. A pesquisa reforça que o músculo não precisa necessariamente se mover para crescer, mas a forma como essa tensão é produzida continua fazendo toda a diferença.
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Fonte: Catraca Livre