BRICS Pay avança como alternativa ao SWIFT e amplia uso de moedas locais

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A expansão do BRICS Pay pode abrir uma nova frente no processo de diversificação da infraestrutura financeira internacional, ao conectar sistemas nacionais de pagamentos e permitir que operações entre integrantes do BRICS sejam liquidadas diretamente em moedas locais.

Segundo reportagem da Sputnik Brasil, baseada em análise publicada pela Al Jazeera, a iniciativa vem sendo estruturada como um ecossistema digital descentralizado capaz de reduzir a dependência do SWIFT em determinadas rotas comerciais, especialmente nas transações entre integrantes do bloco.

O projeto ganhou novo impulso durante a 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Deli, na Índia, nos dias 12 e 13 de setembro. No encontro, os países defenderam a ampliação do comércio em moedas nacionais e o desenvolvimento de sistemas de pagamentos transfronteiriços.

“Durante a cúpula dos dias 12 e 13 de setembro em Nova Deli, os líderes se comprometeram a expandir os sistemas de negociação de moedas locais e os sistemas de pagamento transfronteiriços por meio do investimento no BRICS Pay, uma iniciativa do Conselho Empresarial do BRICS”, destacou a publicação.

Integração pode incluir o Pix

A arquitetura proposta para o BRICS Pay prevê a interoperabilidade entre plataformas já utilizadas nos países do bloco. Entre os exemplos citados estão o Pix, do Brasil, o UPI, da Índia, e o Mir, da Rússia.

Na prática, a criação de pontes entre esses sistemas poderia permitir pagamentos e liquidações internacionais sem a necessidade de recorrer integralmente às estruturas tradicionais utilizadas nas transações financeiras globais.

O objetivo central não seria criar imediatamente uma rede única para substituir o SWIFT, mas desenvolver mecanismos que permitam aos países realizar parte de suas operações comerciais utilizando moedas nacionais e infraestruturas próprias.

SWIFT continuaria existindo

A avaliação citada pela Sputnik ressalta que o BRICS Pay não foi concebido como substituto completo do SWIFT, sistema que conecta instituições financeiras em diferentes países.

A mudança mais relevante estaria na possibilidade de surgimento de diferentes redes financeiras funcionando simultaneamente. Nesse cenário, o SWIFT poderia continuar ocupando posição importante no sistema global, mas perder peso relativo em corredores comerciais nos quais outros mecanismos passassem a ser utilizados.

Entre países do BRICS, essa transformação poderia ser particularmente significativa caso o comércio em moedas locais e os sistemas de pagamentos integrados avancem de forma coordenada.

Fragmentação do sistema financeiro

A Al Jazeera aponta que a consequência mais profunda do desenvolvimento dessas alternativas pode ser a formação de uma arquitetura financeira internacional mais fragmentada, na qual diferentes redes de pagamentos coexistam.

Essa configuração reduziria a concentração das transações internacionais em mecanismos tradicionalmente vinculados ao sistema financeiro ocidental e daria aos países participantes maior margem de escolha sobre as plataformas utilizadas em suas operações.

Para governos interessados em diminuir sua exposição a sanções, restrições financeiras ou tensões geopolíticas, o BRICS Pay poderia se tornar uma alternativa adicional para pagamentos relacionados ao comércio exterior.

BRICS busca ampliar autonomia financeira

O desenvolvimento do sistema integra uma estratégia mais ampla do BRICS para aumentar o uso de moedas nacionais nas relações comerciais e reduzir a dependência de instrumentos financeiros externos ao grupo.

Nos últimos anos, o bloco passou a discutir com maior intensidade mecanismos de compensação, plataformas digitais e estruturas capazes de facilitar operações comerciais sem que todas as transações precisem passar pelas redes financeiras tradicionalmente dominantes.

O vice-diretor de pesquisa do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa, Dmitry Suslov, afirmou anteriormente à Sputnik que o BRICS ocupa papel central na construção de alternativas à atual estrutura financeira internacional.

Segundo a avaliação apresentada pela reportagem, o avanço dessas iniciativas não significa necessariamente o desaparecimento dos mecanismos existentes, mas pode acelerar a formação de um sistema financeiro internacional com maior diversidade de plataformas, moedas e redes de pagamentos.

Fonte: Brasil 247

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