Uchôa cobra avaliação moral de Flávio Bolsonaro após investigação sobre Dark Horse
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O jurista Marcelo Uchôa afirmou nesta sexta-feira (11) que as suspeitas investigadas pela Polícia Federal envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem ser consideradas pelo eleitorado na avaliação de sua candidatura.
Em publicação no X, Uchôa reagiu à revelação de que Flávio é alvo de um inquérito sigiloso autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis delitos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).
“Com a revelação de que Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas gravíssimas de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, quem não acredita em reza pra pneu tem OBRIGAÇÃO de refletir sobre a condição moral desse candidato para ser presidente do Brasil antes de votar”, escreveu Uchôa.
Inquérito foi aberto após pedido da PF
A investigação foi instaurada em julho por determinação de André Mendonça, após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procedimento está vinculado ao Inquérito 5026, relacionado ao caso Banco Master, e segue sob segredo de Justiça devido a diligências em andamento.
No despacho, Mendonça autorizou a apuração da possível prática de crimes no contexto do financiamento do longa.
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, diz o despacho.
A abertura do inquérito não implica comprovação dos crimes investigados.
Recursos ligados a Vorcaro estão no centro da apuração
Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil apontam que Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para viabilizar a produção de “Dark Horse”. Planilhas apreendidas pela PF indicariam que cerca de R$ 60 milhões foram efetivamente pagos.
Os investigadores procuram esclarecer se recursos ligados a Vorcaro e ao Banco Master chegaram à produtora por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e também rejeita a utilização de dinheiro público no projeto. “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, afirmou durante agenda de campanha em Roraima.
A prestação integral de contas do longa não foi tornada pública. A produtora apresentou à Justiça comprovantes de despesas, mas o detalhamento completo da captação financeira permanece sob apuração.
A investigação também alcança operações atribuídas a Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, cuja delação premiada foi homologada por Mendonça. Segundo seu relato à PGR, ele realizou sete transferências para o Heavengate a pedido de Vorcaro, totalizando US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões pelo câmbio da época.
A PF ainda verifica se parte dos valores foi usada para custear despesas no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Emendas de Mario Frias são alvo de outra frente
Paralelamente, uma investigação sob relatoria do ministro Flávio Dino apura o possível uso irregular de emendas parlamentares relacionadas ao projeto.
A Polícia Federal realizou operações envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, proprietária da Go Up, responsável pela produção do filme.
Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e outubro de 2025.
A suspeita da PF é de que recursos públicos tenham circulado por uma rede de empresas antes de chegar a despesas associadas à produção cinematográfica.
“Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”, informou a Polícia Federal.
Nesse núcleo, são apuradas suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes licitatórias.
A manifestação de Marcelo Uchôa acrescenta ao episódio um componente eleitoral, ao sustentar que a gravidade das suspeitas deve ser considerada pelos eleitores na avaliação da candidatura de Flávio Bolsonaro. As apurações seguem em andamento e, até o momento, não representam condenação nem comprovação de responsabilidade criminal dos citados.
Fonte: Brasil 247