Tsunami sem terremoto? Entenda fenômeno que fez o mar avançar sobre cidades de SC

0

Por Bruna AriadneJornal Opção

Tsunami sem terremoto? Entenda fenômeno que fez o mar avançar sobre cidades de SC

Uma elevação repentina do nível do mar atingiu cidades do litoral Sul de Santa Catarina nesta segunda-feira, 21, provocando alagamentos e danos em áreas próximas à costa. O fenômeno, conhecido como tsunami meteorológico ou meteotsunami, pode fazer com que o mar recue e, pouco depois, avance com força sobre a faixa de areia.

Ao menos três cidades catarinenses registraram impactos relacionados ao evento. Apesar do nome, o fenômeno tem uma origem diferente dos tsunamis tradicionalmente associados a terremotos e outros eventos geológicos.

No tsunami meteorológico, a movimentação da água está relacionada a alterações rápidas nas condições atmosféricas, como mudanças bruscas de pressão e ventos fortes. Essas perturbações podem gerar ondas capazes de avançar sobre regiões costeiras.

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, períodos de El Niño podem favorecer condições meteorológicas para episódios desse tipo.

“É difícil ter uma previsão de episódios frequentes até o final do ano. Mas, como estamos em anos de El Niño, podemos ter essas rápidas variações de pressão, ou seja, isso pode proporcionar condições meteorológicas favoráveis para a formação”, explicou.

O que é um tsunami meteorológico

O tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami, é provocado por perturbações atmosféricas que interferem no comportamento do mar.

Uma das características que podem anteceder o fenômeno é o recuo repentino da água. Depois, o mar pode retornar rapidamente, formando ondas mais intensas, que avançam pela faixa de areia e podem alcançar ruas, estabelecimentos e outras áreas próximas à costa.

De acordo com Nascimento, o recuo acentuado do mar deve servir de alerta para quem estiver na praia.

“O forte recuo do mar é o maior indício de ocorrência e a recomendação é se afastar da praia, indo para um lugar mais alto e seguro”, orientou.

O fenômeno registrado nesta segunda-feira já passou e, segundo o meteorologista, não há expectativa de uma nova ocorrência nos próximos dias.

“Pode até se formar mais vezes no dia, mas normalmente só acontece uma vez na mesma região e pode acontecer em mais de uma localidade, mas de forma diferente”, explicou.

Qual a relação com o El Niño

O El Niño não provoca, por si só, um tsunami meteorológico. A relação apontada pelo meteorologista está nas condições atmosféricas que podem ocorrer durante a atuação do fenômeno climático.

Segundo Nascimento, períodos de El Niño podem apresentar rápidas variações de pressão atmosférica, criando condições favoráveis à formação de um meteotsunami.

Isso não significa, entretanto, que episódios do tipo ocorrerão sempre durante o El Niño. A formação depende de uma combinação específica de condições meteorológicas e oceânicas.

Ressaca é esperada no Sul

Apesar de não haver previsão de repetição imediata do tsunami meteorológico, o litoral da Região Sul deve permanecer sob atenção devido às condições do mar.

A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca para o trecho entre Torres, no Rio Grande do Sul, e Paranaguá, no Paraná, a partir desta terça-feira, 22. A previsão indica ondas de Sul/Sudeste entre 2,5 e 3 metros até quarta-feira, 23.

Tsunami meteorológico e ciclone são fenômenos diferentes

Apesar de ambos poderem provocar danos e envolver condições severas de tempo, tsunami meteorológico e ciclone extratropical são fenômenos diferentes.

O meteotsunami é uma oscilação do nível do mar gerada por perturbações atmosféricas e seus principais impactos ocorrem em regiões costeiras.

Já o ciclone extratropical é um sistema atmosférico associado ao encontro e à interação de massas de ar com características diferentes. O fenômeno pode provocar ventos intensos, tempestades e outras instabilidades, com impactos que não ficam restritos às áreas próximas ao mar.

O post Tsunami sem terremoto? Entenda fenômeno que fez o mar avançar sobre cidades de SC apareceu primeiro em Jornal Opção.

Fonte: Jornal Opção

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *