Black Friday começa mais de um mês antes para 50% dos brasileiros. Entenda como lucrar mais com seu negócio
Por Giovanna Figueredo — Seu Dinheiro

Ainda faltam pouco mais de dois meses para a Black Friday, considerada a a segunda mais importante para o comércio, mas uma pesquisa mostra que, mesmo com um tempo até lá, o melhor que as empresas podem fazer é se antecipar.
A data de compras acontece, tradicionalmente, na última sexta-feira do mês de novembro. Neste ano, ela está programada para o dia 27. Mas a pesquisa de 50% dos consumidores já começa mais de um mês antes da Black Friday, segundo dados da LWSA — antiga Locaweb, focada em tecnologia para empresas.
Além disso, 72% das pessoas já se preparam financeiramente para aproveitar as promoções. Dentro desse bolo, um terço diz se planejar nos meses anteriores. Ou seja, muita gente já está organizando o bolso e de olho nas ofertas.
Dentre os produtos mais buscados estão os eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, itens de beleza e cuidado pessoal, viagens, sapatos e utensílios para a casa, nessa ordem de prioridade.
Os valores que cada pessoa está disposta a gastar variam bastante. Porém, 56% dos consumidores pensam em fazer compras de até R$ 1 mil.
Para pequenas e médias empresas (PMEs), o estudo indica que não dá para esperar muito mais tempo para arrumar a casa e pensar em estratégias para a data. Veja a seguir como aproveitar a data para impulsionar os ganhos com o seu negócio.
Não dá para pensar na Black Friday como um dia só
Segundo a LWSA, um dos principais pontos de atenção para as empresas é que o consumidor considera a Black Friday para além da sexta-feira.
Cerca de 54% dos consumidores distribuem as compras ao longo do mês de novembro, além de quase metade deixar para comprar algum item na Cyber Monday, que é a segunda-feira seguinte e, em 2026, cai no dia 30 de novembro.
Para quem vende, esse movimento amplia o período de preparação de estoque, compras, precificação, operação de vendas, atendimento e pós-venda.
“A Black Friday deixa de ser um evento concentrado em um único dia. Para o lojista, isso exige antecipar decisões sobre a quantidade de produtos e valores. Também é preciso preparar a operação para acompanhar as oscilações de demanda ao longo do mês”, defende Marcelo Navarini, diretor do Bling, plataforma de negócios da LWSA
Na prática, isso significa que o empreendedor deve começar a divulgar promoções, produzir conteúdo e aquecer a base de clientes antes do fim de outubro. Uma iniciativa possível é substituir uma única grande promoção por uma sequência de ofertas ao longo do mês, por exemplo.
Marca precisa ser encontrada onde o cliente pesquisa
O “boom” do e-commerce também é evidente na Black Friday. Só 20% dos consumidores começam a procurar um produto nas lojas físicas, mostra o levantamento.
Já os marketplaces, como Mercado Livre, Shopee, Amazon e TikTok Shop são a principal porta de entrada para as buscas dos clientes. Cerca de 56% dos consumidores começam procurar itens na Black Friday dessa forma.
Porém, na hora de realizar a compra de fato, 55% dos brasileiros preferem comprar diretamente nos sites das lojas, 40% nos aplicativos das marcas e 37% em marketplaces.
Os dados vão de encontro com a visão de William Almeida, gestor de mercado digital do Sebrae, em matéria especial do Seu Dinheiro. Para ele, o ideal no caso de PMEs é não depender de um único canal.
“O ideal é não depender de um único canal. Para muitos pequenos negócios, o caminho mais inteligente é começar pelo marketplace, aprender a vender online, ganhar repertório e aos poucos fortalecer seus canais próprios, como o Instagram, WhatsApp e a própria loja virtual”, disse.
Outro ponto da pesquisa é o surgimento da inteligência artificial como ferramenta para procurar produtos.
Segundo o estudo, 13% dos entrevistados já utilizam plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude para conhecer itens, enquanto 45% afirmam que resumos gerados por IA no Google influenciam as decisões de compra.
“O consumidor pode descobrir um produto em uma rede social, buscar referências em um marketplace ou até recorrer à IA para apoiar sua decisão e concluir a compra em outro canal. Para o lojista, essa jornada mais distribuída exige entender o papel de cada ponto de contato e ter uma operação capaz de acompanhar o consumidor entre os canais”, diz Pedro Fonseca, gerente executivo de marketing da Tray, plataforma de e-commerce da LWSA.
Dentre as possíveis estratégias aplicáveis estão manter descrições completas dos produtos nos canais online, boas fotos, ter informações claras, avaliações e preços atualizados.
Frete é importante
Com o crescimento do comércio online, também é natural que o frete seja um fator importante para os consumidores. 55% dos brasileiros preferem entregas gratuitas, mesmo que o produto demore mais para chegar. Já 36% podem desistir da compra se o frete for caro.
“O consumidor aceita esperar quando isso representa uma economia e o prazo está claro desde o início”, afirma Renato Junoy, diretor-geral executivo do Melhor Envio, plataforma de tecnologia para logística da LWSA.
Outro fator é a entrega fora do prazo, motivo para 50% das pessoas não voltarem a comprar da mesma loja. Portanto, é necessário ter uma logística de entregas em ordem.
Além disso, é recomendado que as PMEs tenham flexibilidade nas formas de pagamento. O cartão de crédito parcelado sem juros é a prioridade para 58% dos clientes e o Pix aparece logo em seguida, com 39%.
Um insight que dá para extrair da pesquisa em relação a pagamentos é o incentivo para fechar uma compra. Para 56%, o parcelamento é decisivo para concluir a compra.
Outro fator é o desconto para Pix. Se o preço for mais barato nesse caso, 39% afirmam que há um aumento na probabilidade de conversão.
Ou seja, é importante oferecer mais de uma forma de pagamento e destacar essas condições desde a página do produto.
Além das promoções
A LWSA também defende que não basta só oferecer boas promoções, frete grátis e variedade de formas de pagamentos.
Segundo a pesquisa, um em cada quatro consumidores desistiria de uma promoção se o site ou aplicativo tiverem problemas técnicos. Já 17% dizem que se houver necessidade de suporte e não tiver um humano no atendimento, também é motivo para desistência.
“Atender rapidamente uma dúvida, identificar dificuldades ao longo da jornada ou retomar o contato após o abandono do carrinho pode fazer diferença na conversão”, defende a companhia.
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Fonte: Seu Dinheiro