TST ataca direito de greve dos Correios e exige 80% do efetivo trabalhando
Por Redação — Esquerda Diário

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar no sábado (12), que os trabalhadores dos Correios mantenham 80% do efetivo trabalhando em cada unidade ou estabelecimento durante a greve nacional da categoria. Um ataque absurdo ao direito de greve, que contribui com o avanço da política privatista contra a estatal, aprofundada pelos ataques do governo Lula.
A exigência do TST atinge unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas consideradas indispensáveis pela empresa. Na prática, ao obrigar quatro de cada cinco trabalhadores a permanecerem nos postos, o Judiciário ataca o direito a mobilização dos trabalhadores utilizando os métodos de paralisação da produção e dos serviços como forma de defender os Correios, o atendimento à população e os seus direitos. A greve, iniciada na noite de quinta-feira (10) e aprovada por tempo indeterminado em 35 assembleias.
A decisão atende diretamente à ofensiva da direção dos Correios, que recorreu ao TST para tentar encerrar a mobilização depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada nas negociações do acordo coletivo. A empresa quer que a greve seja declarada abusiva e utiliza como justificativa sua situação financeira, depois de registrar prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e solicitar garantia do Tesouro para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados.
Enquanto a direção fala em “redução de despesas”, “eficiência” e “reestruturação”, são os trabalhadores que ficam ameaçados de pagar a conta da crise, com ataques às suas condições de trabalho e a direitos históricos, tendo no centro da negociação a assistência à saúde de funcionários, aposentados e dependentes.
Exigir a manutenção de 80% do efetivo significa transformar o direito de greve em uma formalidade para diminuir a força dessa importante mobilização. Mais uma vez, o judiciário se coloca como instrumento para disciplinar a organização dos trabalhadores e preservar os ataques contra eles e à população que depende dos seus serviços. Trata-se de uma decisão profundamente antidemocrática, que reforça uma política de ajuste e reestruturação dos Correios em benefício de uma lógica privatista, que foi aprofundada ao longo dos governos Temer e Bolsonaro com uma série de ataques e ameaças diretas de privatização. Mas que também segue em curso com os ataques do governo Lula, que trata os direitos dos trabalhadores como problema da crise, como custos a serem cortados enquanto bancos privados aparecem como solução para a crise financeira.
Repudiamos a decisão do TST e manifestamos nosso apoio irrestrito à greve dos trabalhadores dos Correios, assim como à mobilização e à greve dos trabalhadores da Caixa, que dão exemplo hoje de como os trabalhadores devem se mobilizar para enfrentar a precarização da vida, do trabalho, a retirada de direitos, em meio a ofensiva imperialista de Trump e a crise política da Operação Master.
É preciso apoiar e fortalecer essa luta e a unidade entre as categorias greve para derrotar qualquer plano de ajuste, privatização ou retirada de direitos.
Fonte: Esquerda Diário