Trump não disse que Mendonça é único com ‘livre acesso’ à Casa Branca
Por Luiza Vezzá — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
É falso que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha dito que André Mendonça é o único com “livre acesso para a comunicação” da Casa Branca, como afirmam posts nas redes sociais. Não há registros de declaração igual ou similar a essa na imprensa ou em canais oficiais do governo dos EUA. Os dois países vivem clima de animosidade, mas o diálogo entre os governos de Brasil e EUA prossegue.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 51,7 mil interações no Instagram, no Facebook e no Tiktok até a tarde desta quinta-feira (10).
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Donald Trump acaba de informar que André Mendonça do STF será o único com livre acesso para comunicação da Casa Branca
Donald Trump não disse que o ministro do STF André Mendonça é o único com “livre acesso para a comunicação” da Casa Branca. Não há registros de nenhuma afirmação similar vinda do presidente norte-americano ou de qualquer outro membro da administração.
Aos Fatos buscou a suposta declaração na imprensa profissional dos Estados Unidos e do Brasil, além de canais oficiais da Casa Branca, mas nada foi localizado.
Os dois países, de fato, vivem um clima de animosidade muito em decorrência do tarifaço de Trump instaurado no ano passado e, após uma pausa, retomado neste ano. Porém, o diálogo entre as duas nações prossegue. Ontem, a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, reconheceu que os dois países atravessam um “período incomum”.
“Nos últimos meses, houve uma série de medidas contra o Brasil e, ao longo de todo esse período, nossa postura tem sido consistentemente priorizar o diálogo, as negociações e a busca por soluções”, afirmou Viotti, conforme trecho de reportagem da Folha de S.Paulo.
Entre os exemplos dessa tentativa de aproximação, a embaixadora cita a visita de Lula a Washington, em maio, e a conversa telefônica entre os dois mandatários em agosto.
Mas, em outro extremo, a administração norte-americana tem usado a revogação de vistos de autoridades como forma de retaliar diplomaticamente o Brasil. Entre julho de 2025 e agosto último, 16 autoridades brasileiras tiveram seus vistos revogados pelo governo norte-americano, conforme levantamento do Poder 360.
A própria embaixadora do Brasil em Washington chegou a ter o visto revogado pelo governo de Trump em agosto deste ano.
Mas não foi só com ela. Em 18 de julho de 2025, também foram canceladas as permissões a Alexandre de Moraes, membros da família imediata do ministro e de seus “aliados”. A decisão ocorreu após decisão que determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro (PL).
Apesar do governo americano não ter divulgado uma lista oficial, fontes afirmaram à CNN que outros sete ministros também tiveram a permissão de entrada nos Estados Unidos suspensa. Foram eles: Luís Roberto Barroso; Edson Fachin; Dias Toffoli; Cristiano Zanin; Flávio Dino; Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Nenhuma sanção foi aplicada a Luiz Fux e aos dois indicados por Bolsonaro: André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
Ainda em julho de 2025, o presidente norte-americano aplicou a Lei Magnitsky contra Moraes. Em setembro do mesmo ano, foi enquadrada sua esposa, Viviane Barci e também uma empresa em nome de Barci e dos filhos do casal, a Lex – Instituto de Estudos Jurídicos.
Em dezembro de 2025, os EUA retiraram Moraes e a esposa da lista de sancionados.
Contexto. Posts desinformativos circulam impulsionados pela recente crise no STF, na qual o ministro André Mendonça ganhou protagonismo ao retirar o sigilo de uma investigação da PF que revelou supostas trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Na conversa, o ex-empresário perguntou se deveria sair do país dois dias antes de ser preso e disse que tinha uma “dívida de vida” com o ministro. No entanto, não é possível saber as respostas de Moraes, já que as mensagens dele estavam em modo de visualização única.
O inquérito revela, ao menos, dois acordos financeiros entre Vorcaro e a advogada Viviane Barci de Moraes. Metadados mostram que um dos contratos foi editado pelo ministro antes da assinatura. Para a PF, isso indica que, além de ter ciência, o magistrado interferiu nas negociações.
Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Porém, na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino reverteu a decisão em caráter liminar. Horas depois, o presidente da Casa, Edson Fachin, derrubou as duas decisões e marcou para o dia 15 de setembro o julgamento sobre o pedido de investigação contra Moraes.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou na imprensa e em portais oficiais do governo dos Estados Unidos e não encontrou nenhum pronunciamento similar vindo de Trump ou qualquer membro da administração. A reportagem também procurou o escritório de comunicação da Casa Branca, mas não houve retorno.
Aos Fatos buscou, por fim, informações sobre o atrito diplomático recente entre Donald Trump e o Supremo Tribunal Federal para complementar o contexto da checagem.