Trump ataca CEO da Anthropic e diz que freio no desenvolvimento da IA é “conspiração doentia” para beneficiar a China

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Por Otávio RossoBrasil 247

247  – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra executivos do setor de inteligência artificial ao atacar Dario Amodei, CEO da Anthropic, depois que o empresário defendeu uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados da tecnologia.

Trump afirmou nesta segunda-feira, em publicação na rede Truth Social, que as preocupações com os riscos da IA e a reação negativa de eleitores à expansão de data centers fazem parte de uma “conspiração doentia”. Para o presidente americano, “o único que está feliz com isso é a China”.

A declaração aprofunda o embate entre a Casa Branca e setores da indústria de tecnologia que defendem novas salvaguardas para sistemas de inteligência artificial de fronteira, capazes de executar tarefas complexas e com maior autonomia. O choque ocorre em meio à estratégia de Trump de acelerar a adoção da IA nos Estados Unidos como eixo de sua política econômica e tecnológica.

O ataque a Amodei veio dias depois de o CEO da Anthropic afirmar que as empresas do setor deveriam “pisar no freio” no desenvolvimento dos modelos mais avançados. A avaliação do executivo é que a indústria precisa compreender melhor os riscos associados à tecnologia antes de avançar em ritmo ainda mais acelerado.

A posição de Amodei recebeu apoio de outros nomes relevantes do setor, entre eles Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI. A convergência entre parte dos executivos de tecnologia contrasta com a postura do governo Trump, que tem adotado uma abordagem mais permissiva em relação à regulação da inteligência artificial.

Embora tenha reconhecido no fim de semana a necessidade de algum tipo de regulamentação, Trump tem rejeitado alertas sobre riscos de segurança da IA. O presidente sustenta que os Estados Unidos devem acelerar o desenvolvimento da tecnologia para preservar a liderança sobre a China.

A disputa também expõe tensões anteriores entre o governo americano e a Anthropic. Nos últimos meses, Trump e integrantes de sua equipe entraram em conflito com a empresa e com Amodei. O Departamento de Defesa chegou a classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos depois que a companhia defendeu restrições ao uso militar de suas ferramentas.

Apesar das críticas do presidente, alertas sobre os riscos da inteligência artificial continuam partindo de dentro da própria indústria. Pesquisadores da Microsoft divulgaram recentemente um conjunto de princípios para orientar o desenvolvimento de modelos de ponta.

Em um manifesto de 15 mil palavras, a equipe afirmou que modelos de IA não devem ter direitos legais nem personalidade jurídica. O documento também defende que esses sistemas não sejam projetados para escapar do controle humano ou enganar usuários. Segundo os pesquisadores, a IA não deve concluir uma tarefa se isso exigir violar seus princípios orientadores.

O debate sobre segurança da inteligência artificial deve ganhar ainda mais peso nos próximos dias, diante da reunião prevista entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, marcada para 24 de setembro. O tema se tornou um dos pontos sensíveis da disputa tecnológica entre Washington e Pequim.

O governo chinês tem criticado apelos de executivos americanos por limites ao desenvolvimento de IA e por restrições mais rígidas contra fabricantes chineses de modelos avançados. Em entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “alarmismo, confronto e competição feroz só vão interromper o processo de governança global da IA e não servirão aos interesses de ninguém”.

Fonte: Brasil 247

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