Google Earth expõe destruição de Gaza em meio ao genocídio de Israel

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – Bairros inteiros transformados em campos de escombros aparecem em novas imagens de satélite da Faixa de Gaza disponibilizadas pelo Google Earth, em um registro visual do genocídio provocado por Israel no território palestino.

A atualização das imagens foi noticiada pelo jornal britânico The Independent, e repercutida pelo UOL. O material surge em um contexto no qual a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio contra os palestinos em Gaza, entendimento também adotado pela Anistia Internacional. A Human Rights Watch registra, por sua vez, crimes de guerra, crimes contra a humanidade, limpeza étnica e atos de genocídio praticados por forças israelenses.

As imagens mostram extensas áreas urbanas devastadas, com casas, hospitais, escolas e outros edifícios destruídos ou severamente danificados. Ainda não está claro quando o Google Earth realizou a atualização. Segundo a reportagem, a empresa foi procurada para esclarecer a data em que o novo material foi incorporado à plataforma.

O deputado irlandês Barry Andrews, integrante do Parlamento Europeu, destacou o impacto das imagens. “As imagens atualizadas de satélite do Google de Gaza são bastante impressionantes, para que todos vejam”, escreveu.

Destruição em escala massiva

O cenário registrado pelo Google Earth corresponde à destruição documentada por organismos internacionais e organizações de direitos humanos desde o início dos ataques israelenses contra Gaza, em outubro de 2023.

A Human Rights Watch afirma que as forças israelenses mataram, mutilaram, submeteram palestinos à fome, promoveram deslocamentos forçados e destruíram casas, escolas e infraestrutura em escala sem precedentes na história recente do conflito. Em seu Relatório Mundial de 2026, a organização registra que uma comissão de inquérito das Nações Unidas concluiu, em setembro de 2025, que Israel havia cometido genocídio em Gaza.

A Anistia Internacional chegou à mesma conclusão após analisar mortes de civis, destruição de infraestrutura, expulsão de moradores, bloqueio de ajuda humanitária e restrições ao fornecimento de energia. A entidade afirma que esse conjunto de ações, associado a declarações de autoridades israelenses, demonstra intenção de destruir, total ou parcialmente, a população palestina de Gaza, elemento necessário para a caracterização jurídica do crime de genocídio.

Mesmo depois do cessar-fogo anunciado em outubro de 2025, a Anistia afirmou que o genocídio prosseguia por meio da imposição deliberada de condições de vida capazes de provocar a destruição física dos palestinos, incluindo restrições ao ingresso de alimentos, medicamentos, eletricidade e outros recursos essenciais.

Casas, escolas e hospitais atingidos

A devastação da infraestrutura civil está entre os principais elementos documentados pelas organizações internacionais. Segundo a Human Rights Watch, 78% dos edifícios de Gaza haviam sido danificados até julho de 2025. A entidade também registrou que praticamente todas as escolas do território foram afetadas, com 97% danificadas ou destruídas.

A privação de água também foi identificada como um dos componentes das ações israelenses. Em relatório específico, a Human Rights Watch concluiu que autoridades israelenses deliberadamente impediram o acesso da população de Gaza à quantidade de água necessária para a sobrevivência e classificou essa política como crime contra a humanidade de extermínio e ato de genocídio previsto na Convenção de 1948.

O documento aponta ainda a destruição sistemática de partes da infraestrutura de água e saneamento e a imposição de restrições a combustível, eletricidade e equipamentos necessários para reparos, mesmo diante do conhecimento sobre as consequências dessas medidas para a população civil.

Devastação transforma Gaza

A atualização do Google Earth permite visualizar de forma contínua algo que estatísticas e levantamentos humanitários vêm registrando desde 2023: a transformação física de Gaza após anos de ataques e destruição promovidos por Israel.

Áreas anteriormente ocupadas por residências, comércio e equipamentos públicos aparecem cobertas por destroços, enquanto bairros inteiros perderam grande parte de suas construções.

Israel rejeita a acusação de genocídio e sustenta que suas ações militares têm como alvo o Hamas e são realizadas em legítima defesa após os ataques de 7 de outubro de 2023. O processo apresentado pela África do Sul contra Israel com base na Convenção sobre Genocídio permanece diante da Corte Internacional de Justiça, que determinou medidas provisórias vinculantes para proteger direitos dos palestinos em Gaza, mas ainda não proferiu julgamento definitivo sobre o mérito da acusação.

As novas imagens de satélite acrescentam um registro visual da escala da devastação sofrida pela população palestina e dos atos que organismos internacionais e entidades de direitos humanos passaram a enquadrar como genocídio.

Fonte: Brasil 247

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