Tiquira maranhense conquista Indicação Geográfica e ganha proteção do INPI

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu a tiquira produzida no Maranhão como Indicação Geográfica (IG), garantindo proteção ao nome associado ao tradicional destilado de mandioca e reforçando a identificação da bebida com o território onde sua fabricação atravessa gerações.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias (ASN), o reconhecimento anunciado nesta terça-feira (22) faz da tiquira a 170ª Indicação Geográfica brasileira. O país passa a contabilizar 136 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem.

De origem indígena, a tiquira é apontada como o único destilado de mandioca com produção contínua e expressiva no Brasil. Sua fabricação está especialmente associada à zona rural do Maranhão, com destaque para a comunidade de Guaribas, em Urbano Santos, além de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão.

O reconhecimento pelo INPI protege legalmente o nome geográfico relacionado à bebida. Na prática, produtores situados na área delimitada e que atendam às especificações estabelecidas passam a contar com um instrumento para diferenciar a tiquira produzida no território e combater imitações e o uso indevido da denominação.

Produção preserva técnica de origem indígena

A própria denominação da bebida remete à forma como ela é produzida. Tiquira deriva do termo tupi “tykir”, cujo significado é “cair gota a gota”, referência à condensação que ocorre durante a destilação.

A produção começa com a mandioca, transformada em beijus que passam pela fermentação alcoólica e, posteriormente, pela destilação. O processo exige conhecimento específico em diferentes etapas, como a definição do ponto de torra dos beijus, necessário para a conversão dos amidos, e o controle da temperatura dos alambiques.

A técnica preserva conhecimentos desenvolvidos por populações originárias e transmitidos ao longo de gerações. Registros históricos situam a produção da tiquira no Maranhão desde o período colonial, em uma trajetória vinculada à agricultura familiar e à importância da mandioca na alimentação e na cultura regional.

IG pode ampliar valor econômico da produção

Além da proteção do nome, a Indicação Geográfica pode funcionar como instrumento de diferenciação comercial. A identificação da procedência permite associar características da bebida ao território e aos métodos empregados pelos produtores.

“Além do aspecto protetivo, a IG atua como um potente motor de desenvolvimento econômico regional. O selo agrega valor de mercado, impulsiona o turismo gastronômico nas regiões produtoras e facilita a inserção do produto em mercados consumidores exigentes em todo o Brasil e no exterior”, afirmou Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional.

A fabricação representa fonte de renda para dezenas de famílias de agricultores rurais nos municípios abrangidos. A expectativa é que a proteção da procedência também contribua para ampliar a presença comercial de um produto historicamente concentrado em mercados locais.

Produtores avançaram na regularização

Nos últimos anos, parte da cadeia produtiva passou por um processo de organização para avançar da fabricação artesanal e da comercialização informal para estruturas regulamentadas. O trabalho envolveu produtores, gestores locais, o Sebrae no Maranhão e a Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF).

A organização em cooperativas contribuiu para a implantação de agroindústrias regulamentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Foram adotados procedimentos de adequação sanitária, controle da qualidade sensorial e padronização do teor alcoólico, buscando ampliar a produção sem abandonar características tradicionais da bebida.

A preparação para a Indicação Geográfica incluiu ainda o mapeamento do território, diagnósticos sobre a representatividade dos produtores e a elaboração de um Caderno de Especificações Técnicas. O documento estabelece parâmetros de procedência, produção e sustentabilidade que deverão ser observados para a utilização da IG.

Com a chancela do INPI, a tiquira passa a integrar o conjunto de produtos brasileiros cuja identidade territorial conta com reconhecimento formal. Para os produtores maranhenses, a IG acrescenta proteção jurídica e diferenciação comercial a uma bebida que reúne agricultura familiar, conhecimento indígena e uma tradição secular de transformação da mandioca.

Fonte: Brasil 247

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