Terras raras, o 2º turno no Brasil, os Estados Unidos e o seu, o nosso futuro

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Por gutoalves — Fundação Perseu Abramo

As reservas conhecidas de “elementos de terras raras” (ETRs; em inglês Rare Earth Elements – REEs) no Brasil são 5,8 vezes maiores do que as dos Estados Unidos (EUA), segundo o Serviço Geológico (USGS) estadunidense, em seu relatório “Mineral Commodity Summaries 2026”.

Conforme a tabela abaixo, do USGS, a pior situação do mundo em terras raras é a dos EUA, se comparados o tamanho da população, renda per capita, consumo de produtos de alta tecnologia, e quantidade de ETRs. E a melhor situação é a da Groenlândia, que tem quantidade de ETRs próxima da dos EUA, e escassos 56 mil habitantes– daí a cobiça pública do ser abominável na presidência dos EUA pelo imenso território gelado. 

Ainda há muito a se conhecer em relação às agora mundialmente famosas “terras raras” (graças à sua importância como matéria-prima essencial a todos os equipamentos de alta tecnologia).Com um agravante: cerca de 60% do subsolo brasileiro ainda está por ser pesquisado. Portanto, é bem possível que as reservas conhecidas de ETRs (e de muitos outros minerais) sejam apenas metade ou menos do total que realmente existe no País. 

No site do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), a seção “SGB educa” apresenta grande quantidade de explicações sobre os ETRs, e também informações sobre a China, que “(…) possui as maiores reservas e lidera (…) com 44 milhões de toneladas em reservas e 140.000 toneladas de produção anual”, e o Vietnã e o Brasil, que “têm a segunda e a terceira maior reserva de metais de terras raras, respectivamente, com 22 milhões de toneladas e 21 milhões de toneladas cada país”. Apesar dasgrandes reservas de ETRs que possuem, Vietnã e Brasil industrializam “um nada”, se comparado às quantidades produzidas pela China e pelos EUA. 

A China não precisa das terras raras do Brasil, ela tem mais que o dobro das reservas conhecidas. Mas a China pode ajudar na exploração dessa riqueza, transferindo tecnologia em industrialização de terras raras para o Brasil. 

Óquei, e o que tem tudo isso a ver com o 2º turno no Brasil, os EUA e o seu/nosso futuro? – Essa é a parte fácil: as terras raras têm potencial de muitos trilhões de dólares nos próximos 20 anos, e hoje já alimentam vários negócios de muitos trilhões de dólares. Todos os produtos e tecnologias, de carros elétricos a celulares, passando pelos data centers e chegando a tudo o que utiliza I.A., inclusive armas e munições. Sua escassez afeta as guerras, dos EUA contra o Irã, da Rússia contra a Ucrânia, e as de Israel contra os povos da Palestina e do Líbano. 

O candidato Flávio Bolsonaro declarou e demonstrou publicamente, diversas vezes, sua submissão aos EUA. Sua eventual vitória eleitoral escancará as portas para os EUA se apropriarem das terras raras do Brasil – assim como estão fazendo com o petróleo e outras riquezas da Venezuela. Com Flávio Bolsonaro, o Brasil será saqueado em escala até então desconhecida, para abastecer com terras raras “low cost” as indústrias e o setor financeiro dos EUA.

E o seu/nosso futuro?

O estudo “Desempenho da Indústria no Mundo”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicado em dezembro de 2025, revela que o Brasil estava em 30º lugar, com 0,92%, entre os países maiores exportadores de produtos industriais. Em 2021, em estudo semelhante, aparecia em 31º lugar, com 0,81% de participação. 

Retomar a importância do setor industrial na economia é decisivo, principalmente para a juventude brasileira, que precisa de empregos de qualidade para quando se formar no ensino médio ou na faculdade. E a indústria moderna, em 2026, utiliza muita tecnologia, que consome muitas terras raras, que podem custar bem menos para as indústrias brasileiras. 

Além de matérias-primas a preços menores, as indústrias brasileiras precisam de transporte de baixo custo – essa lógica vale também para o Agro, o Turismo, e demais setores da economia –: milhares de quilômetros de dutos, ferrovias e hidrovias, mais aéreo de cargas, portos marítimos,navegação costeira. Investimentos de dezenas de bilhões de reais. 

Por isso, as terras raras são a grande oportunidade do Brasil viabilizar a indústria de alta tecnologia que tanto necessita, beneficiando também todos os demais setores, com os recursos adicionais que proporcionará para investimentos em infraestrutura de transporte.

Em outubro de 2026, as terras raras do Brasil são “o cavalo encilhado passando”. Dependendo do resultado do 2º turno, o Brasil poderá entregar de bandeja toda essa riqueza para os EUA. Ou, se a maioria do eleitorado optar por um futuro melhor para brasileiros e brasileiras com Lula Presidente, o Brasil retomará o desenvolvimento “turbinado” pelas riquezas minerais que lhe pertencem.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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