Teatro russo transforma percepção sobre a arte cênica, dizem participantes do InteRussia
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O Instituto Russo de Arte Teatral (GITIS) sedia a edição internacional do programa de estágio InteRussia “Formação profissional de artistas de teatro e cinema”. A iniciativa, segundo a TV BRICS, reúne 14 jovens atores da Argentina, Brasil, Alemanha, Índia, Egito, Turquia, África do Sul, Malásia, China e Etiópia.
Logo após a solenidade de abertura e um panorama sobre a história da instituição, os participantes mergulharam em aulas práticas de expressão cênica. A grade também contempla palestras sobre a trajetória de Konstantin Stanislavski e a evolução de seu método, além de módulos focados em movimentação corporal e na biomecânica de Vsevolod Meyerhold.
A relevância da tradição teatral russa no cenário global foi enfatizada pela atriz egípcia Nadine Amer, graduada em atuação e direção.
“A arte russa é uma das mais reconhecidas no mundo. Ela é famosa pelo balé, pela ópera e pela escola de interpretação. Quando nós, atores, estudamos a arte cênica, na prática estudamos a história do teatro russo, desde Stanislavski até todos os artistas que deram uma contribuição inestimável ao desenvolvimento da dramaturgia”, afirmou.
Segundo Nadine, o teatro russo transformou a forma como o mundo compreende a arte cênica.
“Ele foi inovador e transformador, e sua influência permanece até hoje”, disse a atriz.
A participante da África do Sul Cheyenne De Sousa afirmou que o sistema teatral russo foi uma descoberta devido à sua profundidade e à atenção dedicada à dimensão física do ator.
“Analisamos detalhadamente o método original de Stanislavski e estudamos cada etapa. Depois, vimos como seus alunos, Mikhail Tchekhov e Meyerhold, interpretaram esse sistema e posteriormente o transformaram. Dedicamos atenção especial à biomecânica de Meyerhold, ou seja, à influência do corpo e da preparação física na construção do personagem”, explicou.
Para a atriz, as peças “A Gaivota” e “As Três Irmãs”, de Anton Tchekhov, têm um significado especial, pois foram seus primeiros contatos com a dramaturgia russa durante a universidade. Ela também destacou como uma oportunidade única aprender diretamente com professores russos e compreender as obras dentro de seu contexto cultural original.
“Com as tecnologias atuais, é fácil acessar qualquer informação à distância, mas existe algo completamente diferente no contato humano, na possibilidade de permanecer aqui por tempo suficiente para sentir Moscou em toda a sua profundidade”, compartilhou.
Além das atividades acadêmicas, o programa inclui uma agenda cultural. Os participantes já visitaram o escritório da rede TV BRICS e participaram de uma excursão por Moscou. Entre os próximos compromissos está uma visita ao Museu-Reserva de Anton Tchekhov “Melikhovo”.
O estágio será realizado até 3 de outubro de 2026. As aulas de interpretação, expressão vocal e movimento cênico são ministradas por professores do GITIS. A programação também inclui visitas ao Teatro Bolshoi, ao Teatro de Arte de Moscou, ao espetáculo de balé “O Quebra-Nozes” no Palácio do Kremlin e a outros eventos culturais.
Organizada pelo GITIS junto à Fundação Gorchakov, à TV BRICS e à organização Mejdunarodniki, a capacitação faz parte do programa Nova Geração, da Rossotrudnichestvo, com o apoio institucional da Fundação de Subsídios Presidenciais.
Fonte: Brasil 247