Conselho Empresarial do BRICS defende ampliação da cooperação prática entre empresas
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – Em reunião promovida em Nova Déli, o Conselho Empresarial do BRICS aprovou seu relatório anual — a ser submetido aos líderes do grupo na cúpula de 13 de setembro — e definiu novas diretrizes para o bloco, informou a TV BRICS.
Ao detalhar os trabalhos conduzidos pela liderança indiana, o presidente do conselho no país, Jai Shroff, ressaltou avanços em áreas como comércio e investimentos, fortalecimento das cadeias de suprimentos, aplicação de tecnologias, infraestrutura, agricultura, energia, finanças, aviação e indústria.
“O resultado mais valioso desses anos foi uma compreensão mais profunda das oportunidades e do potencial que nossos países possuem. Temos muito a oferecer uns aos outros. Contamos com grandes mercados, recursos naturais, capacidades industriais desenvolvidas, empresas de tecnologia, instituições financeiras e centros de pesquisa. Além disso, todos os nossos países possuem uma enorme energia empreendedora. A questão é como unir essas vantagens”, afirmou.
Segundo Shroff, os países do BRICS não precisam criar sistemas e modelos idênticos, mas devem identificar áreas de interesse empresarial real e desenvolver projetos concretos.
“Podemos definir algumas ideias nas quais exista um verdadeiro interesse empresarial e trabalhar juntos. Isso pode envolver investimentos, parcerias tecnológicas, novas cadeias de fornecimento ou projetos com participação de empresas de mais de dois países do BRICS”, acrescentou.
Ao elencar quatro prioridades para o futuro do bloco, o presidente da seção chinesa do Conselho Empresarial do BRICS, Liao Lin, pontuou que o alinhamento entre os conselhos nacionais e os grupos de trabalho em 2026 foi decisivo para colocar em prática as deliberações passadas e consolidar o relatório anual.
Entre as principais áreas prioritárias destacadas, Liao destacou a implementação dos resultados da presidência indiana do BRICS e o fortalecimento da cooperação comercial e econômica.
“É necessário consolidar politicamente o consenso alcançado pelos líderes dos países do BRICS, alinhar as ações com a futura publicação da Estratégia de Parceria Econômica do BRICS até 2030 e com as novas prioridades, utilizando plenamente o papel do Conselho como elo entre os países e fortalecendo os esforços empresariais para aprofundar a cooperação comercial e econômica”, afirmou.
Ele também citou como prioridades o desenvolvimento de novos motores de crescimento econômico por meio da inovação, inteligência artificial e economia verde, além do fortalecimento das cadeias produtivas, expansão dos investimentos e uso de moedas nacionais nas transações.
“É necessário ampliar continuamente o ecossistema de cooperação do ‘Grande BRICS’, aprofundar o diálogo tanto dentro do grupo quanto com parceiros externos, compartilhar as oportunidades de desenvolvimento do BRICS com os países do Sul Global e responder conjuntamente aos desafios”, acrescentou.
O presidente da parte russa do Conselho Empresarial do BRICS, Andrei Guriev, afirmou que as prioridades da presidência indiana, sustentabilidade, inovação, cooperação e desenvolvimento, já estão refletidas em projetos digitais, energia verde e segurança alimentar. No entanto, segundo ele, ainda existem obstáculos relacionados a diferenças regulatórias, procedimentos alfandegários e requisitos de certificação.
Ele destacou que a remoção dessas barreiras é necessária para ampliar o potencial do BRICS.
“Enquanto esses obstáculos não forem removidos, os projetos conjuntos perderão eficiência”, declarou Guriev.
Ele acrescentou que a parte russa do Conselho preparou propostas em nove áreas e defendeu a concentração nos projetos mais avançados, com maior participação de pequenas e médias empresas.
Ao expor as oportunidades de investimento na Etiópia, o presidente da seção etíope do Conselho Empresarial do BRICS, Taye Leta Elema, destacou o potencial demográfico do país: mais de 130 milhões de habitantes, com uma idade média de apenas 19,3 anos e uma força de trabalho ativa superior a 60 milhões de pessoas.
“A economia do país apresenta crescimento estável de 7,1%, com previsão de aceleração para 8,0%–10,2% em 2026–2027”, afirmou.
Ele convidou os países do BRICS a ampliar a cooperação em setores como indústria, energia, agricultura e produção de veículos elétricos. Segundo Elema, investimentos chineses já estão presentes em mais de 30 parques industriais e zonas especiais da Etiópia, com avanço para áreas de montagem de alta tecnologia e produção de componentes solares.
O representante também destacou oportunidades de cooperação com empresas brasileiras no desenvolvimento de complexos de produção de laticínios e projetos de etanol sustentável. Para a Rússia, apontou possibilidades nos setores de mineração e energia, incluindo fertilizantes de potássio, processamento de boro, produção de soda cáustica e mapeamento geológico.
Com o Egito, Elema mencionou potencial em áreas como indústria têxtil, logística marítima e comércio por corredores do Mediterrâneo e do Mar Vermelho. Já os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita foram apresentados como possíveis parceiros em investimentos em energia limpa e hotelaria, enquanto o Irã foi citado como parceiro para a produção de fertilizantes e componentes farmacêuticos.
“A Etiópia entrou para a história como o primeiro país do mundo a proibir completamente a importação de veículos de passageiros com motores de combustão interna. Já foram registrados mais de 110 mil veículos elétricos, que representam mais de 60% dos novos registros”, afirmou Elema.
O presidente da parte indonésia do Conselho Empresarial do BRICS, Anindya Bakrie, afirmou que a Indonésia está preparada para se tornar uma base industrial para a Ásia Oriental e o mercado global. Entre os setores estratégicos, ele destacou segurança alimentar e energética, processamento de minerais críticos e desenvolvimento industrial.
“O sucesso da nossa cooperação deve ser medido por resultados concretos: aumento do comércio, crescimento dos investimentos, expansão das parcerias entre empresas e fortalecimento da integração econômica entre nossos países”, declarou Bakrie.
O presidente da parte egípcia do Conselho Empresarial do BRICS, Ahmed Al-Wakil, informou que, ao longo do ano, foram realizadas 29 reuniões de grupos de trabalho, com apoio de mais de 50 grupos especializados e associações profissionais.
“Esses resultados estão refletidos em nosso relatório anual, que assinaremos hoje e apresentaremos aos chefes de Estado. O documento demonstra o papel do setor privado dos países do BRICS e seu compromisso com uma cooperação eficiente entre os setores público e privado em benefício de nossos povos”, afirmou.
Al-Wakil confirmou que a parte egípcia do Conselho continuará participando das atividades durante a presidência da China no BRICS, em 2027.
Fonte: Brasil 247