TCE-PR já havia alertado para risco de fundo exposto ao Banco Master

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) já havia alertado para os riscos de investimentos em letras financeiras do Banco Master feitos pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Imbituva, no Paraná. O órgão apontou problemas na operação antes da liquidação da instituição financeira.

Segundo a CNN Brasil, o relatório do TCE-PR destacou que os recursos aplicados no Banco Master não contavam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que, após a liquidação da instituição, “impôs consequências críticas aos investidores”.

O documento também registrou três pontos considerados centrais pela Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão (CAGE), unidade técnica do tribunal: descumprimento da política de investimentos, risco de crédito considerado inadequado ao perfil do RPPS e expectativa de dano financeiro.

Entre as irregularidades apontadas estava a compra de um ativo com classificação de risco inferior ao mínimo exigido pela política de investimentos do fundo previdenciário.

O TCE-PR também avaliou que a Letra Financeira do Banco Master apresentava risco elevado para os parâmetros adotados pelo próprio regime de previdência de Imbituva.

Naquele momento, ainda não havia prejuízo consolidado, mas o tribunal já identificava possibilidade concreta de dano ao patrimônio do fundo.

Outro ponto levantado pelo TCE-PR envolve o registro inicial da operação. Segundo o documento, o contador do Fundo de Previdência Municipal de Imbituva (Funprev) informou inicialmente que a instituição emissora do investimento era a Genial Investimentos.

Na prática, a Genial atuou como corretora responsável pela intermediação da aplicação. O recurso, porém, foi destinado a um título emitido pelo Banco Master.

Diante das inconsistências e dos riscos identificados, o Tribunal de Contas determinou a realização de uma assembleia para que os responsáveis pelo fundo deliberassem sobre a manutenção ou a retirada do investimento.

Apesar da advertência, a aplicação foi mantida.

Segundo o relatório, a gestão “optou pela manutenção da aplicação baseado em pareceres e expectativas de mercado, apesar da advertência da Corte de Contas”.

Com a evolução do caso, o relator do processo no TCE-PR pediu, em 6 de abril de 2026, a apuração de um possível prejuízo de aproximadamente R$ 4 milhões e determinou a intimação do Fundo de Previdência Municipal de Imbituva para participar do processo.

O episódio envolvendo Imbituva faz parte de um cenário mais amplo de exposição de regimes próprios de previdência ao Banco Master. Ao todo, estados e municípios aplicaram R$ 1,86 bilhão em investimentos relacionados à instituição financeira, segundo dados citados pela CNN Brasil.

As letras financeiras estão entre os instrumentos que não contam com a proteção do FGC. Dessa forma, eventuais perdas decorrentes da liquidação de uma instituição emissora não são ressarcidas pelo fundo garantidor.

O caso agora integra a apuração sobre os impactos sofridos por fundos públicos após a liquidação do Banco Master e sobre as decisões tomadas por gestores que mantiveram aplicações mesmo diante de alertas formais dos órgãos de controle.

Fonte: Brasil 247

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