Polícia apreende 10 mil celulares roubados com uma única quadrilha em SP
Por João Melo — Canaltech
Uma operação contra o mercado ilegal de celulares deflagrada na quinta-feira (10) apreendeu cerca de 10 mil aparelhos e peças ligados a um esquema de furto, roubo, desbloqueio e revenda em São Paulo. Batizada de Frankmobile, a ação mira diferentes etapas da cadeia usada para recolocar no mercado dispositivos roubados.
A operação mobilizou cerca de 1.700 agentes e reuniu integrantes do Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do GAECO, das polícias Militar, Civil e Penal, além da Secretaria da Segurança Pública e da Secretaria da Fazenda.
A Justiça expediu 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, com ações nos estados de São Paulo e Goiás.
Dados preliminares divulgados pela Polícia Militar apontam que cerca de 5 mil celulares e peças foram encontrados em um dos endereços investigados, enquanto outros 5 mil aparelhos foram apreendidos no Shopping Mundo Oriente, na região central da capital paulista.
A PM também informou a apreensão de R$ 122,5 mil e US$ 268 em espécie, além do bloqueio de R$ 8 milhões em uma conta bancária. Notebooks, tablets, CPUs e outros equipamentos eletrônicos também foram recolhidos durante as buscas.
Operação mira também empresas e dinheiro do esquema
Segundo o MPSP, a operação busca atingir não apenas quem furta ou rouba os celulares, mas também o mercado que permite que os aparelhos e suas peças voltem à circulação.
Dezoito empresas investigadas tiveram os registros suspensos junto à Fazenda estadual, enquanto companhias como Trocafone e Global Phone aparecem entre os alvos da investigação.
O promotor Luiz Fernando Bugiga Rebellato, do GAECO, explicou que um dos focos da ação está justamente no comércio paralelo de componentes retirados de celulares originais furtados ou roubados. Na avaliação do Ministério Público, atacar a cadeia por meio de medidas financeiras e regulatórias pode ajudar a reduzir esse tipo de crime.
A operação também utilizou cães da Polícia Penal treinados para encontrar celulares por meio de substâncias presentes nos aparelhos, como o lítio. O governo paulista informou ainda que pretende bloquear a emissão de notas fiscais eletrônicas de celulares que não apresentem o IMEI, número único de identificação de cada dispositivo.
Em entrevista coletiva, Artur José Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, destacou que a ação busca interromper diferentes etapas dessa cadeia criminosa.
“Ao todo, tivemos 15 pessoas presas, de forma a quebrar um ciclo vicioso que engloba, inclusive a desmontagem e o envio dos celulares até para outros países”, afirmou.
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Esquema funcionava em quatro núcleos
As investigações indicam que a organização era dividida em pelo menos quatro núcleos de atuação. O primeiro ficava responsável por obter os aparelhos por meio de furtos e roubos, incluindo ataques a motoristas no trânsito, crimes em grandes eventos e até casos de latrocínio.
Depois, os celulares chegavam a um segundo grupo, encarregado de desbloquear os dispositivos, acessar informações pessoais e transferir dinheiro das contas bancárias das vítimas para terceiros.
Já o terceiro núcleo preparava os aparelhos para revenda. Entre as práticas investigadas estão a alteração do IMEI e a remoção de bloqueios técnicos, inclusive com o uso de sites hospedados no exterior, o que dificultava a associação dos celulares aos crimes anteriores.
Por fim, um quarto grupo desmontava os celulares para vender seus componentes separadamente e ampliar o lucro obtido com os aparelhos subtraídos. Segundo as autoridades, parte desses dispositivos e peças também era enviada para outros países.
Em uma frente paralela de combate à receptação, o Governo Federal estuda permitir que pessoas notificadas por estarem com celulares roubados ou furtados devolvam os aparelhos em agências dos Correios, em vez de comparecer a uma delegacia.
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Fonte: Canaltech