SUS “padrão Einstein” de Flávio Bolsonaro é saúde pública privatizada
Por Marcella Campos — Esquerda Diário

No debate da Band deste domingo, Flávio Bolsonaro prometeu levar ao SUS o “padrão Einstein” e anunciou o convite a Claudio Lottenberg, ex-presidente do hospital privado, para assumir o Ministério da Saúde, indicando seu alvo na saúde pública da população.
Nada mais compatível com o que pensa a extrema direita e a família Bolsonaro. Lembremos do que enfrentou o SUS durante a pandemia no governo de Jair Bolsonaro e seu negacionismo. Para a eles a saúde e a vida da população não passa de chacota ou tema a ser manejado para cortes de internet e mover ideologicamente setores com posições escandalosas.
A declaração de Flávio Bolsonaro mostra que a burguesia tem sérias pretensões de avançar com a influência dos grupos privados sobre a saúde, aos moldes do que vem acontecendo no transporte, no saneamento básico e na distribuição de energia elétrica.
A população tem todo o direito de exigir atendimento de excelência, acesso às melhores tecnologias, consultas e exames sem meses de espera. Mas apresentar um hospital privado como modelo para um sistema responsável pela saúde de milhões de pessoas todos os dias serve para propagandear a venda da saúde pública aos grandes empresários e corporações da saúde privada
O SUS é uma conquista das lutas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Sua importância vai das unidades básicas de saúde às campanhas de vacinação, dos atendimentos de emergência aos transplantes. Mesmo quem possui plano de saúde depende de sua estrutura. Durante a pandemia, foi o sistema público e seus trabalhadores que sustentaram o atendimento em condições dramáticas, enfrentando falta de recursos, sobrecarga e a política negacionista do governo Bolsonaro.
As filas e a demora no atendimento precisam ser enfrentadas. São consequências de um sistema submetido ao subfinanciamento, à falta de profissionais e ao avanço da terceirização. A privatização também ocorre quando equipamentos continuam públicos e gratuitos, mas sua gestão e seus recursos passam às mãos de setores privados. O perigo disso é o que vemos em cada falta de abastecimento de água, falta de energia e acidente no transporte público. A privatização mata! Seja pela ausência do serviço, seja pela precarização que gera acidentes e falhas nos serviços públicos.
Prontuários integrados, inteligência artificial e telemedicina podem contribuir para o atendimento, mas não substituem equipes completas, salários dignos, leitos, medicamentos e unidades bem equipadas. Nenhuma promessa tecnológica resolve a falta de investimento público em nome da privatização e do pagamento da dívida pública, como é o arcabouço fiscal do governo Lula que corta da saúde e da educação.
Não podemos permitir que a insatisfação legítima com as filas e sucateamento da saúde seja utilizada para abrir novos negócios aos empresários e capital estrangeiro. Precisamos ampliar e fortalecer a rede pública, realizar contratações, valorizar seus trabalhadores e reverter as terceirizações, que avançaram nos governos do PT.
Essa defesa exige também enfrentar os ajustes fiscais que restringem os recursos dos serviços públicos, inclusive o arcabouço fiscal do governo Lula. A luta contra a extrema direita precisa de independência para combater todas as medidas que enfraquecem o SUS.
A luta pela saúde pública precisa avançar na defesa de um SUS 100% público, estatal, gratuito e de qualidade, sob controle dos trabalhadores e usuários, com a estatização dos grandes grupos privados de saúde. O acesso ao melhor atendimento deve ser um direito de todos.
Nossa saúde não pode ser fonte de lucro!
Por isso, não podemos conceder nenhum voto em Flávio Bolsonaro! Em defesa do SUS, contra a extrema direita e a privatização da saúde
Fonte: Esquerda Diário