S&P eleva rating da Latam para BB+ e destaca expansão no Brasil
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A Latam Airlines Group teve sua nota de crédito elevada de “BB” para “BB+” pela S&P Global Ratings nesta segunda-feira (21), em uma decisão baseada no desempenho operacional da companhia, na geração de caixa e na expectativa de manutenção de indicadores financeiros sólidos durante seu ciclo de expansão. A perspectiva do rating é estável.
Segundo relatório divulgado pela S&P Global Ratings, a agência espera que a companhia mantenha a relação entre fundos provenientes das operações (FFO) e dívida acima de 45% até 2028. A avaliação também leva em conta a perspectiva de aumento das receitas, disciplina de custos e crescimento da capacidade.
Ao mesmo tempo, a S&P manteve em “BBB-” a classificação das notas seniores garantidas da Latam com vencimento em 2030 e 2031. O rating de recuperação permaneceu em “1”, correspondente a uma estimativa de recuperação de 95% do principal em um eventual cenário de inadimplência.
Desempenho resiste à alta dos combustíveis
O desempenho registrado pela Latam no primeiro semestre de 2026 foi um dos principais fatores considerados pela S&P para elevar a classificação.
A companhia atravessou uma alta de 80%, na comparação anual, no custo total dos combustíveis. Apesar dessa pressão, a receita com passageiros avançou 27,9% no segundo trimestre, enquanto a receita de passageiros por assento-quilômetro disponível (RASK) aumentou 17,5%.
Para a S&P, esses números indicam que a Latam conseguiu repassar às tarifas o impacto do encarecimento dos combustíveis.
A agência projeta crescimento de 9% a 10% na oferta medida por assentos-quilômetros disponíveis (ASK), acompanhado por taxas de ocupação próximas de 84%.
S&P prevê EBITDA de US$ 4,3 bilhões
Nesse cenário, o EBITDA ajustado da Latam deverá alcançar US$ 4,3 bilhões em 2026. A receita é projetada em US$ 17,116 bilhões, ante US$ 14,265 bilhões registrados em 2025, uma expansão de aproximadamente 20%.
Para 2027, a S&P prevê crescimento mais moderado do EBITDA, diante da expectativa de estabilização dos preços dos combustíveis e de normalização dos preços praticados pelo mercado.
A diversificação das fontes de receita aparece como outro fator favorável. Segundo o relatório, o segmento premium representava 29% da receita de passageiros no segundo trimestre de 2026, enquanto o ecossistema de fidelidade Latam Pass estava associado a 67% dessa receita.
A estrutura de custos e o negócio de transporte de cargas também foram destacados. A combinação desses fatores deverá permitir à companhia manter margens EBITDA entre 25% e 28% até 2028, segundo as projeções da agência.
Frota terá mais 69 aeronaves até 2028
A geração de caixa deverá ajudar a financiar um amplo programa de expansão e renovação da frota. O planejamento da Latam prevê um aumento líquido de 69 aeronaves até 2028, com encomendas envolvendo Airbus, Boeing e Embraer.
Parte desse crescimento será financiada pelo próprio fluxo de caixa operacional. Ainda assim, devido ao tamanho dos investimentos, a S&P estima que a dívida bruta, incluindo arrendamentos operacionais, aumentará entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões entre 2025 e 2028.
Mesmo diante do aumento dos investimentos, da dívida e das despesas com juros, a agência prevê fluxo de caixa operacional livre próximo de US$ 1,3 bilhão em 2026 e US$ 1,9 bilhão em 2027.
A relação entre dívida ajustada e EBITDA deverá permanecer entre 1,5 vez e 1,6 vez até 2028, enquanto a relação entre FFO e dívida deverá ficar próxima de 50%.
Esses níveis permanecem dentro da política financeira da companhia, que estabelece como meta uma alavancagem líquida inferior a 2 vezes.
Brasil ganha peso na expansão da Latam
O mercado brasileiro terá papel relevante na próxima etapa de crescimento da companhia. A Latam pretende utilizar aeronaves Embraer E2 para ampliar sua malha doméstica e alcançar novos destinos.
O plano envolve 24 compromissos firmes de aeronaves até 2027. Na etapa inicial, a companhia pretende ampliar de 63 para 67 o número de destinos domésticos atendidos no Brasil, por meio de oito novas rotas.
As primeiras aeronaves E2 deverão começar a ser recebidas no quarto trimestre de 2026.
A expansão ocorre em meio a mudanças no ambiente competitivo brasileiro. Segundo a S&P, a Azul reduziu capacidade após sua saída do processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, enquanto a Gol adotou uma estratégia mais agressiva de crescimento.
A capacidade da Gol aumentou 11,7% nos 12 meses encerrados em julho de 2026, ritmo ligeiramente superior ao da Latam.
Ao mesmo tempo, a taxa de ocupação da Latam no mercado doméstico brasileiro recuou 1,9 ponto percentual na comparação anual, atingindo 80,7% no segundo trimestre.
A S&P afirma que acompanhará a capacidade da Latam de transformar a expansão da oferta no Brasil em crescimento rentável, preservando níveis de tarifas e taxas de ocupação considerados saudáveis.
Recompra de ações entra na estratégia financeira
A política de remuneração aos acionistas também foi considerada na análise. Após a melhora dos indicadores de crédito e da liquidez, a Latam ampliou sua política de retorno de capital e aprovou um programa de recompra de até 5% do total de ações durante os próximos cinco anos.
Segundo a S&P, a companhia já está executando uma recompra equivalente a 1% das ações em circulação.
A expectativa da agência é que a empresa equilibre a remuneração aos acionistas com os investimentos necessários para renovar e ampliar sua frota.
A política financeira da Latam estabelece como parâmetros uma liquidez equivalente a entre 21% e 25% da receita dos 12 meses anteriores e alavancagem líquida inferior a 2 vezes.
Liquidez é classificada como forte
A S&P classifica a liquidez da Latam como forte, considerando o histórico da empresa, a perspectiva de geração de caixa e a disponibilidade de linhas de crédito rotativas.
A agência espera que as fontes de liquidez cubram as necessidades financeiras em mais de 1,5 vez nos próximos 12 a 24 meses.
O relatório destaca ainda que a Latam refinanciou integralmente sua estrutura de capital posterior ao processo de reestruturação, reduziu custos da dívida, ampliou e prorrogou suas linhas de crédito rotativas e voltou a ter suas ações negociadas na Bolsa de Nova York.
A companhia também dispõe de linhas de crédito e de uma facilidade vinculada a motores que, juntas, somam US$ 1,58 bilhão. Segundo a S&P, não há amortizações relevantes da dívida previstas antes de 2030.
Perspectiva permanece estável
A perspectiva estável atribuída ao rating “BB+” reflete a expectativa de que a Latam preserve desempenho operacional sólido e mantenha a relação entre FFO e dívida acima de 45% até 2028.
No cenário-base utilizado para a avaliação, a S&P projeta crescimento do PIB brasileiro de 1,8% em 2026, 1,7% em 2027 e 2,2% em 2028. Para a inflação no Brasil, as estimativas são de 4,7%, 4,1% e 3,7%, respectivamente.
A agência trabalha ainda com cotação média do dólar de R$ 5,15 em 2026, R$ 5,25 em 2027 e R$ 5,35 em 2028.
Os investimentos da Latam são projetados em US$ 2,3 bilhões neste ano, US$ 2 bilhões em 2027 e US$ 2,6 bilhões em 2028. Os recursos serão destinados, entre outras áreas, ao crescimento da companhia, manutenção, modernização das aeronaves e iniciativas de digitalização.
A S&P afirma que um rebaixamento poderá ocorrer caso a relação entre FFO e dívida permaneça abaixo de 45%, a margem EBITDA se afaste significativamente das projeções ou haja deterioração da liquidez.
Uma nova elevação do rating nos próximos 12 meses, por outro lado, é considerada pouco provável pela agência. Entre as condições para um novo avanço estaria a manutenção consistente da relação entre FFO e dívida em torno de 60%, inclusive diante de períodos de maior volatilidade econômica ou no setor aéreo.
Formada em 2012 a partir da combinação entre a chilena LAN Airlines e a brasileira TAM, a Latam Airlines Group opera em cinco mercados domésticos da América do Sul: Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru. O grupo atende 164 destinos em 28 países e possui uma frota de 383 aeronaves.
Fonte: Brasil 247