Seu voto vai até 2035: Entenda o poder que estará em jogo no domingo
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ELEIÇÕES 2026
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3/10/2026 11:00
O voto leva poucos segundos. Seus efeitos podem durar oito anos. Neste domingo (4), o eleitor fará seis escolhas na urna e entregará a presidente, governador, deputados e senadores poderes diferentes: administrar governos, fazer leis, decidir sobre bilhões de reais em recursos públicos e fiscalizar quem governa.
Presidente, governadores e deputados terão quatro anos de mandato. Já os dois senadores escolhidos por cada Estado e pelo Distrito Federal tomarão posse em 2027 e permanecerão no cargo até 2035. Até lá, o Brasil terá passado por outras duas eleições presidenciais. Entender o que cada eleito pode — e não pode — fazer ajuda tanto na escolha deste domingo quanto na cobrança depois dela.
Um direito conquistado aos poucos
Ir à urna hoje pode parecer corriqueiro. Não foi sempre assim. O direito ao voto no Brasil foi ampliado ao longo de quase dois séculos e, durante boa parte dessa história, milhões ficaram de fora.
No Império, mulheres e pessoas escravizadas não votavam, e critérios de renda restringiam a participação. A partir de 1881, os analfabetos também foram excluídos. As mulheres conquistaram nacionalmente o direito ao voto em 1932; os analfabetos, somente em 1985.
Também houve períodos sem eleições diretas para cargos importantes. Durante a ditadura militar, os brasileiros continuaram votando para parte deles, mas não escolhiam diretamente o presidente da República. A eleição presidencial direta só voltou em 1989.
Deputado federal: não faz obra, mas decide sobre o dinheiro
Os 513 deputados federais representam a população. Por isso, o tamanho das bancadas varia conforme a população de cada Estado, respeitados os limites constitucionais de oito a 70 deputados. São Paulo elege 70; Acre, Amapá e Roraima, oito cada um.
Deputados fazem leis, podem propor mudanças na Constituição, fiscalizam o governo e participam da definição do Orçamento da União. Também podem convocar autoridades, pedir informações e integrar CPIs.
Há uma confusão frequente: deputado não executa obra. Isso cabe ao Executivo. O parlamentar pode, porém, direcionar recursos públicos por meio de emendas e fiscalizar sua aplicação.
No Orçamento de 2026, cada deputado federal dispôs de cerca de R$ 40,25 milhões em emendas individuais, pelo menos metade destinada a ações e serviços públicos de saúde. Deputados também participam de emendas de bancada e de comissão.
A Câmara ainda exerce um poder decisivo em momentos de crise institucional: cabe a ela autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o presidente da República nos casos previstos pela Constituição.
Senador: um voto que vale até 2035
Neste domingo, cada eleitor escolherá dois senadores. Serão renovadas 54 das 81 cadeiras.
Se os deputados representam a população, os senadores representam os Estados e o Distrito Federal. Por isso, cada unidade da Federação tem exatamente três, independentemente do número de habitantes. São Paulo e Acre têm o mesmo peso no Senado, embora elejam, respectivamente, 70 e oito deputados federais.
Além de legislar, fiscalizar e votar o Orçamento, os senadores exercem atribuições que não pertencem à Câmara. Eles analisam indicações presidenciais para cargos como ministro do STF, procurador-geral da República e presidente e diretores do Banco Central.
Cabe também exclusivamente ao Senado processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade, procedimento comumente chamado de impeachment. Uma condenação exige o voto de dois terços dos senadores. É também o Senado que julga o presidente da República por crime de responsabilidade depois da autorização da Câmara.
No Orçamento de 2026, cada senador dispôs de cerca de R$ 74 milhões em emendas individuais, também com pelo menos metade destinada à saúde.
Renovação de dois terços
E é aqui que o calendário mostra o alcance do voto deste domingo. Os 54 senadores eleitos agora terão mandato de 2027 a 2035 e atravessarão dois mandatos presidenciais completos.
Quando o Brasil voltar às urnas em 2030, eles estarão apenas na metade do mandato. Naquela eleição, somente um terço do Senado — 27 cadeiras — será renovado. Quatro anos depois, os mesmos 54 senadores ainda estarão no cargo durante a eleição presidencial de 2034.
Até 2035, poderão votar leis e Orçamentos, analisar indicações para o STF e outras autoridades e participar de eventuais processos por crimes de responsabilidade.
Deputado estadual: o número também varia
Deputados estaduais fazem leis sobre assuntos de competência dos Estados, participam da definição do orçamento e fiscalizam o governador e a aplicação dos recursos públicos.
O tamanho das Assembleias Legislativas também varia. A Constituição vincula o número de deputados estaduais ao tamanho da bancada do Estado na Câmara: até 12 deputados federais, há três estaduais para cada federal; acima disso, acrescenta-se uma cadeira estadual para cada deputado federal que exceder 12.
Em 2026, estão em disputa 1.035 cadeiras nas Assembleias Legislativas. No Distrito Federal, são 24 vagas para deputado distrital, cargo que reúne competências estaduais e municipais.
Deputados estaduais também podem apresentar emendas ao orçamento, mas não há um valor nacional único: os limites e as regras dependem de cada Estado.
Governador: quem executa
O governador comanda o Executivo estadual e conduz políticas públicas em áreas como segurança, saúde, educação e infraestrutura. Também propõe o orçamento e sanciona ou veta projetos aprovados pela Assembleia Legislativa.
A diferença é fundamental: deputados legislam, decidem sobre o orçamento e fiscalizam; o governador administra e executa políticas públicas.
Presidente: muito poder, mas não sozinho
O presidente comanda o Executivo federal, nomeia ministros, dirige a administração pública federal e representa o Brasil nas relações internacionais.
Mas não governa sozinho. Leis, Orçamento, mudanças na Constituição e boa parte das medidas necessárias para executar uma agenda dependem do Congresso.
O presidente indica, por exemplo, ministros do STF, mas a nomeação depende da aprovação do Senado. Escolher o presidente e ignorar Câmara e Senado, portanto, significa prestar atenção a apenas uma parte do poder distribuído pelas urnas.
O voto termina. A fiscalização começa
A participação do eleitor não precisa acabar com o “FIM” na urna.
Votos de deputados e senadores, projetos, emendas e atuação em comissões deixam registros públicos. É possível acompanhar quanto cada parlamentar destinou, para onde o dinheiro foi e quanto efetivamente foi pago.
Acompanhar o mandato permite confrontar promessas e resultados e cobrar de cada autoridade aquilo que realmente está entre suas atribuições.
O direito ao voto levou gerações para alcançar parcelas da população antes afastadas das urnas por critérios de renda, sexo ou alfabetização e por outras barreiras à participação política.
Neste domingo, votar levará poucos minutos. Para presidente, governador e deputados, a escolha valerá por quatro anos. Para os 54 senadores eleitos agora, o poder conferido pelas urnas atravessará a eleição de 2030, chegará à disputa presidencial de 2034 e só terminará em 2035.
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Fonte: Congresso em Foco