‘Senado é espaço mais burguês da política’: cientista político comenta relevância do dinheiro nas eleições

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Por Larissa Bohrer — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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Uma das principais estratégias do campo conservador tem sido conquistar cada vez mais vagas no Senado, a casa alta legislativa do Congresso, que dita o ritmo do andamento político e das decisões mais fundamentais para o país. Chegar até ela se relaciona diretamente com a disponibilidade de recursos, ou seja, quanto mais dinheiro a pessoa tem, mais chances de conseguir uma vaga como senador.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Mateus de Albuquerque, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), aponta que o Senado é o local onde há mais políticos com dinheiro e explica que ser rico já é meio caminho andado para conseguir uma vaga na Casa legislativa. Ele pondera que a eleição ao Senado é difícil porque é majoritária e em único turno.

“O Senado é o espaço mais burguês da política. E aqui não estou falando de uma forma vulgar, mas de alguém que vive do lucro de empresas. Segundo um levantamento que a gente fez, se a gente considera burguês quem tem grana para sustentar 10 brasileiros em média só de lucro, o Senado tem hoje 63,7% de burgueses. O levantamento leva em conta 700 políticos, entre deputados federais, senadores, prefeitos, governadores, vice-governadores e presidentes. A média geral é de 34%. No Senado, esse número vai para 56%, então é uma casa bem mais burguesa”, afirma. “O dinheiro importa muito na eleição do Senado.”

Além disso, o cientista político observa que o autofinanciamento é permitido e, por isso, em muitos casos, o candidato pode ele mesmo se sustentar nos altos gastos de campanha. “Não tem mais doação de empresa, mas o rico pode se bancar, pode se financiar. Inclusive, existe um cálculo também de que rico atrai dinheiro. Não só o próprio dinheiro, como também outros dinheiros de doação. E, curiosamente, dinheiro do próprio fundo acaba indo para candidaturas mais ricas”, comenta.

Albuquerque destaca a presença de Simone Tebet (PSB) entre as candidaturas com mais dinheiro e lembra que, apesar de hoje compor o campo progressista, tem um lastro no agronegócio. “Até pouco tempo atrás estava no campo da centro-direita e é ligada ao agronegócio, é ligada, enfim, tem uma família importante no agronegócio ali no Centro-Oeste do país. Então, ela não foge ao padrão que nós estamos detalhando aqui”, avalia.

Mateus Albuquerque também explica o quanto o Senado é estratégico e, por essa razão, acabou se tornando tão cobiçado: ele controla a política monetária, “já que é o Senado que aprova presidente de diretores do Banco Central”, e o Judiciário, que “tem sido uma grande arena de disputas políticas no país”. Mas o grau de influência no país não para por aí. “Você pode colocar ministros no STF e pode fazer o impeachment de ministros do STF. Então, claramente esse é o grande investimento da direita nessa eleição. Botar grana pesada para tentar ter maioria do Senado”, observa.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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