Sempre hostil à urna eletrônica, Trump agora troca Brasil por Índia ao elogiar rapidez na apuração
Por Hora do Povo — Hora do Povo

Trump, confundiu o Brasil com a Índia ao elogiar o processo eleitoral do país, erro que remendou algumas horas depois
Em postagem na sua rede Truth Social, Trump parabenizou a “Índia” pela rapidez na divulgação do resultado da eleição presidencial na noite de domingo. A eleição presidencial no gigante asiático é indireta e não houve qualquer disputa eleitoral.
“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia [grifo nosso]. Os resultados saíram logo após o encerramento da votação, no MESMO DIA! Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados — com números muito menores — muitas vezes levam semanas para serem fraudados? digo, calculados. A votação na América é CORRUPTA!!! Presidente DJT”
Cinicamente o inquilino da Casa Branca tentou usar a agilidade da apuração brasileira para sua já notória campanha de fraude eleitoral no EUA – como se pudesse haver algum paralelo entre eleições no Brasil presididas pela Justiça Eleitoral e aquelas dos EUA, em que em cada um dos 50 Estados é o partido no poder local que organiza as eleições.
E onde o presidente [no caso, Trump em 2020] liga para seu correligionário de partido em um estado do sul para pedir “me arruma 11.000 votos” na apuração aí.
Agora Trump, notório por suas investidas contra a urna eletrônica e pela interferência escancarada em eleições em terras alheias, ataca as apurações em cidades governadas pelos democratas, como Detroit e Filadélfia, por levarem “semanas” para dar o resultado. Também ataca o voto pelo correio e encaminha uma fraude generalizada na redefinição de distritos eleitorais. Com tudo isso, as perspectivas para os republicanos nas eleições de novembro são sombrias, sob a alta da gasolina e a rejeição à sua guerra contra o Irã.
FECHANDO EMBAIXADAS NA VÉSPERA DO PLEITO
Outro indício de que era ao Brasil que Trump se referia é seu comentário de que 125 milhões de pessoas votaram no primeiro turno da eleição – na Índia, os eleitores são quase 1 bilhão de pessoas. Conforme o TSE, cerca de 33 milhões se abstiveram e, assim, são 125 milhões os que compareceram às urnas.
Com os EUA – mais Austrália – tendo fabricado uma inexistente ‘ameaça de segurança’ no dia da eleição no Brasil, fechando embaixada e consulados, o que foi visto por analistas como um esforço para gerar medo e induzir a abstenção e assim tumultuar o processo eleitoral, Trump optou na postagem por encenar não deixar claro a quem estaria apoiando e evitou mencionar os nomes dos candidatos. Asseverou que o Brasil (ou seria a Índia?) é “um país incrível, o povo é fantástico, é uma eleição muito importante”.
Antes disso, o jornal britânico The Guardian afirmou que o secretário de Estado Rubio destinou US$ 1 milhão para grupos que denigrem as instituições judiciais brasileiras.
Nas últimas eleições na América Latina, têm sido uma constante as denúncias sobre a intervenção aberta dos EUA para impor seus sabujos, a Doutrina Monroe e o “Escudo das Américas”.
Na reeleição de Milei na Argentina, Trump colocou o Tesouro e o FMI para socorrer o rei da motosserra. Em Honduras, ameaçou proibir as remessas de dinheiro dos imigrantes para suas família e até indultou um ex-presidente condenado nos EUA a 45 anos por narcotráfico. No Peru e na Colômbia, seus candidatos venceram por margens mínimas, em meio a denúncia de fraudes nas atas no segundo turno. Na Bolívia, um operativo do esquema de fraude eleitoral dos trumpistas e conselheiro do presidente Paz, o argentino Fernando Cerimedo, foi preso após tentativa de feminicídio e descoberta de ‘fábrica de bots’. O procurador-geral responsável pela prisão já foi colocado numa lista negra do Departamento de Estado.
Apesar de garantir que têm gabarito nos “testes de aptidão cognitiva” e que é um “gênio estável”, outros tropeços de Trump já haviam sido alvos de zombaria anteriormente. Como a troca de Armênia por Albânia em 2025. Ao se gabar, ao lado do então premiê britânico Keir Starmer, de mais uma paz que supostamente celebrara, ele se referiu à disputa entre o “Azerbaijão e a Albânia”. Em Davos, confundiu repetidamente a Islândia com a Groenlândia. Em 2017, em um discurso na ONU a líderes africanos, Trump se superou, elogiando o sistema de saúde de um país inexistente, a “Nâmbia” (fusão entre Namíbia e Zâmbia?).
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Fonte: Hora do Povo