Lula precisa reconquistar eleitores e reduzir apoio a Flávio, dizem analistas

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de recuperar eleitores e disputar parte do apoio recebido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para superar a diferença de 2,2 milhões de votos no segundo turno.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Globo, a tentativa de atrair quem se absteve ou escolheu candidatos eliminados enfrenta obstáculos, sobretudo em estados onde a eleição para governador já foi encerrada.

Flávio obteve 47,03% dos votos válidos na primeira rodada, enquanto Lula alcançou 45,16%.

A reportagem do Globo aponta que os dois candidatos buscam ampliar alianças e conquistar votos principalmente no Sul e no Sudeste, regiões que concentram parte expressiva do eleitorado dos demais presidenciáveis.

Para os analistas entrevistados, a possibilidade de uma virada de Lula passa por reduzir o apoio ao adversário. A referência apresentada é o segundo turno de 2006, quando o petista conseguiu diminuir a votação de Geraldo Alckmin em relação à primeira etapa da eleição.

O cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), considera que essa estratégia precisa alcançar tanto quem optou pela terceira via quanto parte dos eleitores que escolheram Flávio.

“O eleitor mais pobre, que vota mais no Lula, tende a comparecer menos à urna, assim como aquele que vê seu candidato sem nenhuma chance de vencer. E quem votou mesmo assim na terceira via mostrou que tem resistência grande a outros nomes. Na minha avaliação, Lula terá que desgastar a imagem de Flávio nesses eleitores, mas também em quem votou no próprio Flávio, como foi feito em 2006”, afirmou Lavareda.

Abstenção representa desafio para as campanhas

No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar. Outros 8,7 milhões escolheram Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD), candidatos que não avançaram para a etapa decisiva.

A abstenção e a votação da terceira via ficaram ligeiramente acima dos registros de 2022, de acordo com a reportagem. Esse contingente amplia o universo de eleitores que as duas campanhas tentarão mobilizar, mas os especialistas não consideram automática a participação de quem faltou à primeira votação nem a transferência de apoio dos candidatos derrotados.

Lavareda avalia que a ausência de uma disputa estadual no segundo turno pode elevar a abstenção. O alerta envolve São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país, onde as eleições para governador já foram resolvidas, segundo o jornal.

Esses estados também registraram alguns dos maiores índices de ausência às urnas, abaixo apenas de Mato Grosso do Sul, e estão entre os locais de melhor desempenho da terceira via, tanto proporcionalmente quanto em números absolutos.

O cientista político apresenta uma interpretação diferente da hipótese de que o resultado tenha sido impulsionado por um avanço do antipetismo nos últimos dias da campanha. Na avaliação dele, parte do eleitorado de Lula e dos candidatos alternativos deixou de comparecer, contribuindo para a configuração do resultado.

Eleitor sem identificação com os dois polos ganha importância

Emerson Cervi, coordenador do grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identifica na mobilização dos eleitores sem alinhamento com o lulismo ou o bolsonarismo um fator central para o segundo turno.

Para o pesquisador, Lula precisará recuperar o apoio de uma parcela desse grupo que, na primeira rodada, votou no adversário.

“Lula perdeu esses votos do meio para o Flávio no primeiro turno. Esse eleitor é pendular, mas manteve até aqui, de 2022 para 2026, a preferência por quem está na oposição”, afirmou Cervi.

A distribuição regional dos votos dos candidatos eliminados também orienta a disputa. Em Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul, a soma dos resultados de Cury, Renan e Caiado ficou cerca de um ponto percentual acima da votação conjunta de Ciro Gomes e Simone Tebet em 2022.

Goiás apresentou um desempenho particularmente elevado de um dos nomes fora do segundo turno: Caiado recebeu 12% dos votos no estado. Já São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reúnem simultaneamente uma parcela expressiva dos votos da terceira via e dos eleitores que não compareceram às urnas, colocando esses colégios eleitorais no centro das estratégias das duas campanhas.

Fonte: Brasil 247

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