Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
Por Dani Alvarenga — Seu Dinheiro

Quem espera em um rali eleitoral na bolsa brasileira no próximo mês pode acabar se frustrando, segundo o JP Morgan. Em relatório divulgado nesta manhã (28), o banco mostra que a reação dos investidores às eleições de 2026 quebrou o padrão histórico de forte queda durante os seis meses antes da votação — e isso é um sinal de que o tradicional rali da B3 em outubro pode não acontecer.
Segundo os analistas, quanto mais profunda a queda nos meses anteriores, maior tende a ser a valorização no período das eleições. No entanto, sem as perdas, o espaço para uma alta expressiva em outubro fica reduzido.
“Essa performance da bolsa é atípica para períodos eleitorais. O Brasil não costuma ter resultados positivos antes das eleições. Por outro lado, a bolsa brasileira normalmente passa por um rali durante o mês da votação”, afirma o banco em documento.
Para o JP Morgan, o cenário atual se assemelha à corrida eleitoral de 2014, quando os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves se enfrentaram no segundo turno. Na época, a bolsa também não registrou perdas expressivas no período pré-eleições, mas registrou um rali modesto em outubro daquele ano.
A questão é que não estamos mais em 2014, e há outras variáveis que pesam na conta da B3 dessa vez. Na visão dos analistas do banco, há espaço para um rali na bolsa, mas ele depende dos resultados das urnas.
O gatilho para um rali da bolsa brasileira
As eleições de 2026 têm uma diferença essencial em relação ao cenário de 2014: a chance de uma mudança de governo.
Embora o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareça empatado com o candidato Flávio Bolsonaro (PL–RJ) nas principais pesquisas eleitorais, plataformas de previsão de mercado indicam uma probabilidade de cerca de 55% de vitória da oposição contra 45% de reeleição de Lula.
Além disso, entre os investidores institucionais consultados pelo JP Morgan, cerca de 60% esperam uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Caso esse cenário se confirme e haja uma virada na política fiscal para maior disciplina, o banco vê espaço para destravar uma alta adicional.
“A valorização da bolsa também pode aparecer mais cedo se o Senado sair do primeiro turno com perfil mais conservador e caso haja uma vantagem expressiva da oposição em relação ao que seria esperado”, disseram os analistas.
No entanto, para que o otimismo pontual se transforme em ciclo de alta, o JP Morgan indica ser necessário esperar o anúncio da equipe econômica e de nomes para os principais ministérios.
Além disso, avalia que a definição de metas fiscais claras e a construção de governabilidade no Congresso para aprovar a agenda do novo governo sem travas políticas também são importantes para valorização da bolsa.
Em um cenário de mudança de gestão e de um ajuste fiscal crível, o potencial de alta estimado pelo banco para as ações brasileiras é de 22%.
Já se houver reformas profundas e queda de juros para nível neutro, o potencial de alta chega a ficar em 50%.
Porém, caso o governo atual permaneça, a bolsa poderia recuar 7% ou até 21% em um cenário em que o país caminhe para uma crise fiscal.
Como se posicionar antes das eleições
Apesar dos possíveis gatilhos para a bolsa brasileira, o JP Morgan enxerga que, para diversas empresas, o resultado eleitoral tem um impacto limitado no desempenho. Segundo o banco, os gatilhos operacionais dessas empresas falam mais alto.
Os analistas indicaram ainda os bonds (títulos de dívida corporativa internacional em dólares) das companhias que devem performar bem independentemente de quem vença a eleição. Confira as favoritas do banco:
- Suzano: destaca-se como tese preferencial do setor de celulose e papel, sustentada por forte geração de caixa e proteção via exportações, sendo beneficiada por receitas cotadas em dólar. A empresa é classificada com fundamentos de crédito robustos e balanço estruturado;
- MBRF: os bonds são beneficiados pelas dinâmicas favoráveis do ciclo global de carnes, pela demanda externa, pelas receitas atreladas ao dólar e menor dependência das taxas de juros domésticas;
- Banco do Brasil: a única grande instituição financeira com recomendação de compra (overweight). Em um momento em que outros bancos privados, como Bradesco e Itaú, possuem spreads considerados muito apertados, o Banco do Brasil oferece um perfil de risco/retorno mais atrativo;
- Vale: a Vale se destaca pelo balanço desalavancado, custo de produção competitivo e caixa em dólar;
- Braskem: com recomendação de compra em títulos específicos de vencimento 2031, após o processo de reajuste do índice e remoção de incertezas operacionais.
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Fonte: Seu Dinheiro