Segurança das Eleições 2026: Goiás registra 3 prisões, 53 urnas trocadas e 26 TCOs no dia da votação neste domingo, 4
Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) encerrou o período regular de votação das eleições de 2026 e deu início à etapa de transmissão e totalização dos votos no estado, neste domingo, 4. Mais de 5 milhões de eleitores estavam aptos a votar em Goiás, distribuídos em 15.676 seções eleitorais.
A presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, contextualizou o momento do encerramento da votação nas seções. “Encerramos o período regular de votação e iniciamos agora a etapa de transmissão e totalização dos votos. Em todo o Estado de Goiás, mais de 5 milhões de eleitores e eleitoras estavam aptos a votar, distribuídos em 15.676 seções eleitorais”, explicou.
Sobre a necessidade de troca de equipamentos ao longo do dia, a presidente apresentou os dados preliminares. “Até o momento, registramos apenas 53 intercorrências onde nós tivemos que substituir a urna eletrônica. Eu deixarei os demais dados para serem transmitidos pelos que me sucederem neste pronunciamento”, pontuou.
Ao avaliar o andamento geral do pleito, a magistrada fez um balanço positivo do processo. “De maneira geral, nós podemos afirmar que obtivemos 100% de êxito nesse processo eleitoral de 2026”, afirmou.
Elizabeth também ressaltou o papel histórico de sua liderança na Justiça Eleitoral goiana. “Este momento tem para mim um significado institucional muito especial. Tenho a honra de presidir o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás sendo a primeira mulher da carreira da magistratura a ocupar a presidência desta Corte”, declarou.
A presidente relacionou seu cargo com a representatividade feminina no eleitorado nacional. “E esta circunstância ganha um simbolismo ainda maior quando lembramos que as mulheres constituem hoje a maioria do eleitorado brasileiro. Mais de 52% das pessoas aptas a votar são mulheres”, ressaltou.
A magistrada enfatizou a relevância histórica do protagonismo feminino e o marco da instituição. “Portanto, estar à frente do TRE neste momento é também testemunhar uma transformação histórica. As mulheres que durante tanto tempo lutaram pelo direito de participar da vida pública são hoje maioria entre aqueles que, pelo voto, ajudam a definir os destinos do Brasil. Tudo isso ocorre em um período igualmente significativo para a nossa instituição, uma vez que a Justiça Eleitoral brasileira caminha para o seu centenário”, observou.
Ao abordar a organização das eleições gerais, a desembargadora frisou que o pleito exige trabalho conjunto. “Mas uma eleição desta dimensão não é realizada apenas por magistrados, por magistradas, por servidores da Justiça Eleitoral. Uma eleição desta dimensão, de eleições gerais, ela é resultado de um imenso esforço coletivo”, reforçou.
A presidente fez um agradecimento abrangente a todas as equipes e órgãos envolvidos na realização das eleições. “Por isso eu agradeço às magistradas, aos magistrados eleitorais, aos promotores e promotoras de justiça eleitorais, agradeço aos servidores, às servidoras, aos colaboradores e, sobretudo, às forças de segurança, às instituições parceiras e a todos que trabalharam em cada município goiano para que a população pudesse votar com segurança e com tranquilidade”, ressaltou.
Dirigindo-se às autoridades da segurança pública, a magistrada destacou a parceria com a Secretaria de Segurança Pública. “Ao senhor Secretário de Segurança Pública, o Coronel Renato Brum, o meu sincero agradecimento pelo apoio sempre dispensado às solicitações feitas pela Justiça Eleitoral. Muito obrigada”, registrou.
Elizabeth também fez questão de reconhecer o papel central dos cidadãos que atuaram nas seções eleitorais. “Faço um agradecimento especial às milhares de pessoas que atuaram como mesárias e mesários, porque são cidadãos que colocaram seu tempo e seu trabalho a serviço da democracia”, lembrou.
Na área da segurança pública, o balanço apontou poucas ocorrências ao longo do dia. O presidente da comissão de segurança das eleições do tribunal, Gerson Santana, expressou seu reconhecimento às corporações. “Quero agradecer imensamente a todos os membros que compõem a força de segurança criada pelo Tribunal Regional Eleitoral”, registrou.
Gerson Santana avaliou o nível de tranquilidade do pleito em comparação com anos anteriores. “De todas as eleições em que eu participei, parece-me que essa foi a mais tranquila, o que demonstra a responsabilidade, a ordem do povo goiano”, afirmou.
Ao detalhar os dados do setor policial, o responsável pela comissão informou o total de registros lavrados no estado. “Só para relatar aos senhores, tivemos pouquíssimas ocorrências. Foram lavrados apenas 26 termos circunstanciados de ocorrência, sem maior gravidade, e lavrados apenas três autos de prisão em flagrante. Todos eles já passaram pelo juiz das garantias que me enviou todos esses dados”, relatou.
O presidente da comissão de segurança também fez questão de ressaltar o alinhamento com a direção do tribunal. “Então, eu quero agradecer imensamente a todos os membros da Justiça Eleitoral do Estado de Goiás, em especial o meu abraço fraterno e meu agradecimento à nossa ilustre Presidência, que não mediu esforços para que nós pudéssemos organizar também esse trabalho de segurança para as eleições”, declarou.
Ao finalizar sua participação no pronunciamento, o gestor colocou-se à disposição para perguntas da imprensa. “Então, são essas as informações, pouquíssimas informações que eu tenho a trazer aos senhores. Alguma indagação?”, concluiu.
As forças de segurança atuaram nos 246 municípios goianos. A Polícia Militar esteve presente nos colégios eleitorais, enquanto a Polícia Civil, a Polícia Federal e o Corpo de Bombeiros mantiveram equipes mobilizadas para atender possíveis demandas relacionadas ao processo eleitoral. Também houve preparação para eventuais intercorrências climáticas, que não se concretizaram ao longo do dia.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) informou que acompanhou todas as etapas do processo eleitoral, desde o registro de candidaturas até a votação. Integrantes da instituição participaram dos trabalhos da Comissão de Auditoria, dos testes de integridade e da emissão dos relatórios de zerésima. No dia da eleição, 92 promotores eleitorais realizaram diligências e acompanharam a votação em Goiás. O órgão também destacou que recebeu e apurou denúncias de irregularidades ao longo do processo.
Na avaliação técnica apresentada pela área de tecnologia da Justiça Eleitoral, a eleição registrou índices extremamente reduzidos de falhas nos equipamentos. O coordenador de TI do TRE-GO, Frank Wendell Ribeiro, comentou os números do dia. “Essa foi uma eleição para nós quase assim, vamos falar atípica, não, porque a gente realmente tem tido baixos índices de problema com urnas nas últimas eleições, mas essa foi muito baixo. Até agora, como a presidente já falou, tivemos registro de 53 ocorrências. Essas ocorrências foram questões simples, nada sistêmico, problemas de impressão, problemas de bateria”, observou.
O coordenador detalhou os desafios operacionais enfrentados com a rede elétrica e a parceria com a concessionária local. “Tivemos alguma dificuldade com a parte elétrica, alimentação elétrica em algumas áreas, alguns municípios do estado, mas a Equatorial foi muito rápida em nos atender, foi uma grande parceira aí. Então, a gente conseguiu resolver rápido. As nossas urnas mais novas também têm uma autonomia de até 8 horas, conseguiram suportar bem algumas intercorrências. Então, do ponto de vista das urnas, nós não tivemos quase problema nenhum”, apontou.
Frank Wendell Ribeiro comparou o percentual registrado com o histórico do tribunal. “A nossa média de problemas com urnas gira em torno de 1,4% e até agora, com os dados que eu recebi, até a hora que eu vim para cá, a gente estava em 0,4% de problema”, destacou.
O coordenador explicou ainda a situação específica registrada no município de Trindade. “Tivemos uma taxa um pouquinho maior em Trindade porque utilizamos as nossas urnas mais antigas, as 2013 estavam lá em Trindade, tivemos substituições de 11 urnas lá, o que dá um índice de 2,5%, mas algo muito dentro do esperado, tivemos uma equipe muito pronta lá para resolver tudo. Então assim, do ponto de vista técnico, a gente não tem muito o que dizer, as urnas se comportaram muito bem e eu acho que a gente vai ter um bom fechamento agora”, analisou.
Ao falar sobre o andamento dos trabalhos e a recepção dos boletins, Frank informou o início da apuração. “Já estamos a receber resultados enquanto estamos à espera aqui, já tem resultado aí a surgir, já recebemos vários BUs aí de alguns locais que já fecharam”, declarou.
Sobre a formação de filas em algumas seções eleitorais, o coordenador explicou a dinâmica de atendimento. “Tivemos fila, ainda temos fila, eu acho que algumas seções vão ficar até mais tarde, mas grande parte já fechou, o que mostra que a dificuldade de fila muitas vezes não é só questão da quantidade de eleitores, que ela foi muito bem dividida, a nossa quantidade máxima foi de 400 eleitores por urna, então essa divisão foi bem feita, tivemos poucos casos que passou um pouquinho disso por agregação”, disse.
“Se já tivemos seções fechadas agora, o motivo dos atrasos vai muito do trabalho, da forma de como cada mesário trabalha, do comportamento das pessoas em votar, alguns demoram mais do que outros, algumas regiões têm mais dificuldade, escolhem horários que não sejam tão bem distribuídos durante o dia, isso tudo ajuda a gerar filas. Nós prevemos aí alguma demora em alguns lugares para fechar, mas vai ser tudo tranquilo dentro da normalidade”, justificou.
Ao ser questionado sobre riscos de ataques cibernéticos e o uso de inteligência artificial ou superinteligência, o coordenador assegurou o isolamento das urnas eletrônicas. “Do ponto de vista de resultado da seção, a gente não tem que se preocupar porque a urna trabalha isolada, ela não está na internet. Para alguma pessoa fazer alguma coisa, ela precisaria de estar lá na frente da urna para mexer nela para tentar fazer alguma coisa, porque fora disso ela não teria condições. E a gente sabe, com as várias camadas de segurança, que essa pessoa não tem sucesso se tentar fazer isso. Vários testes já provaram isso”, garantiu.
Frank Wendell Ribeiro ressaltou a transparência na transmissão e na checagem dos resultados. “Sobre a questão da totalização, é bom todo o mundo saber, entender, que a seção já é apurada lá pelo mesário. O resultado vai ficar fixado lá na porta e esse BU vai ser transmitido. Essa transmissão é simplesmente um processo que vai permitir que a gente totalize esses dados. Isso não muda o resultado que já está lá publicado na seção”, disse.
“Então, depois é só quem tiver interesse e achar que houve alguma alteração, vai lá, pega o resultado da sua seção que foi publicado, várias vias são impressas, os fiscais levam, os dois últimos eleitores são convidados a fiscalizar, a resolução diz que os dois últimos eleitores podem ficar e inclusive pedir cópia desse boletim, depois compare isso com o que estiver divulgado na internet e você vai ver que o resultado está tranquilo”, apontou.
“Sobre a totalização, como eu disse, é um processo de totalização, os boletins vão chegar e o Tribunal vai proceder a essa totalização. Se alguém quisesse ter criado algum sistema de totalização paralela, poderia ter criado, feito uma totalização e comparado. Se alguém não fez, mas imagino que muitos aí devem ter pelo menos uma apuração por alto para entender o que aconteceu em cada região, então a gente vai ter essa tranquilidade de que não vai ter nenhuma divergência”, concluiu.
Sobre o compromisso institucional com a apuração, a presidente encerrou seu discurso reafirmando a missão da Justiça Eleitoral. “As urnas se fecharam. A vontade popular foi manifestada. E agora cabe à Justiça Eleitoral cumprir com serenidade, transparência, segurança e absoluta fidelidade a missão de fazer com que essa vontade do povo seja conhecida e respeitada por todos”, salientou.
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Fonte: Jornal Opção