Dr. Furlan vence no 1º turno e é o novo governador do Amapá
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Presidente · BR
93,43% apurado
O ex-prefeito de Macapá derrota o governador Clécio Luís e encerra a eleição estadual sem necessidade de segundo turno
Dr. Furlan (PSD) será o novo governador do Amapá. Com 88,51% das urnas apuradas, ele obteve 62,01% dos votos e liquidou a eleição já no primeiro turno. A mulher dele, Rayssa Furlan (Podemos), foi eleita para o Senado.
Ex-prefeito de Macapá, Furlan chega ao governo estadual depois de uma campanha construída principalmente sobre a popularidade alcançada na capital. Ele foi reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos válidos e deixou o cargo em março deste ano para disputar o governo. A votação expressiva na capital teve peso importante na campanha, já que Macapá concentra a maior parte do eleitorado do Estado.
A candidatura, porém, foi marcada por investigações da Polícia Federal. Em março, Furlan foi afastado da prefeitura por decisão do ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal, em uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos de emendas parlamentares destinados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. O vice-prefeito, Mario Neto (PSD), também foi afastado.
No dia seguinte ao afastamento, Furlan renunciou ao cargo . Em ofício encaminhado à Câmara Municipal, afirmou que deixava a prefeitura para disputar o governo do Estado. A investigação apura suspeitas de direcionamento da licitação e irregularidades na execução da obra do hospital. Furlan nega irregularidades e afirmou, à época, ser vítima de perseguição política.
Em maio, o ex-prefeito voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal . A Operação Palanque Digital investiga a suspeita de utilização de contratos de publicidade da Prefeitura de Macapá para financiar uma estrutura de divulgação, autopromoção e ataques a adversários políticos na internet. Segundo a investigação, recursos públicos teriam abastecido uma rede de influenciadores, páginas, blogs e perfis nas redes sociais. Furlan foi um dos alvos da operação.
A investigação também apura o uso de conteúdos manipulados digitalmente, incluindo material produzido com inteligência artificial. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários, ex-secretários, jornalistas, blogueiros e responsáveis por empresas de publicidade. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação dos envolvidos .
Apesar das investigações, Furlan manteve uma posição de destaque na disputa eleitoral e transformou sua passagem pela prefeitura no principal ativo da campanha. O candidato apresentou obras realizadas durante sua gestão e defendeu a expansão desse modelo para o restante do Estado. A campanha também explorou sua imagem nas redes sociais e realizou eventos com grande participação popular.
A eleição também colocou Furlan no campo político ligado a Flávio Bolsonaro (PL). O candidato recebeu o apoio do presidenciável e se tornou um dos principais palanques do grupo bolsonarista no Norte. A aproximação ajudou a nacionalizar a disputa estadual e colocou Furlan em oposição ao grupo liderado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).
Clécio Luís (União Brasil), por sua vez, buscou a reeleição com o apoio de Alcolumbre e do presidente Lula (PT). O governador chegou à eleição como representante do grupo que controla boa parte da estrutura partidária e institucional do Estado. A campanha defendeu a continuidade da administração e destacou a articulação com o governo federal para a realização de investimentos no Amapá.
Lula esteve no Estado durante a campanha, em 17 de agosto, e participou de agendas relacionadas à exploração de petróleo na Margem Equatorial . O tema ganhou espaço na disputa por envolver perspectivas de investimentos e arrecadação para o Amapá, além das discussões ambientais em torno da exploração na região.
Alcolumbre também participou diretamente da campanha de Clécio. Presidente do Senado e uma das principais lideranças políticas do Amapá, ele mobilizou aliados em torno da candidatura do governador. O senador tentava preservar a influência de seu grupo no Executivo estadual.
Furlan, por outro lado, fez uma campanha baseada na força construída em Macapá e na oposição ao grupo de Alcolumbre. A disputa acabou se tornando também uma medição de forças entre os dois grupos políticos que há anos disputam espaço no Estado.
Com a vitória no primeiro turno, Furlan assume o governo do Amapá em 5 de janeiro de 2027. A vice-governadora eleita é Luciana Gurgel (PL), que foi deputada estadual por dois mandatos.
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Fonte: Carta Capital