Sebrae orienta empreendedores antes da busca por capital e parceiros
Por Brasil 247 — Brasil 247
Pequenas empresas que buscam crescer podem recorrer a capital, parcerias comerciais ou acesso a novos mercados. Antes de procurar investidores, porém, o empreendedor precisa identificar qual é a necessidade do negócio e se preparar para apresentar informações consistentes, segundo orientações do Sebrae.
O capital empreendedor difere do empréstimo bancário porque, em geral, envolve uma contrapartida econômica ou societária. Com isso, o investidor passa a ter participação no negócio e interesse direto em seus resultados.
Para Carlos Victor Pereira, especialista em investimentos e analista técnico do Sebrae Nacional, a decisão deve começar por perguntas objetivas: quanto dinheiro é necessário, para qual finalidade, em quanto tempo e qual resultado se espera alcançar. A instituição recomenda detalhar o valor da captação, o uso dos recursos, os marcos pretendidos e o que será oferecido em troca, além de preparar projeções financeiras para os próximos dois a cinco anos.
Rodadas de negócios e investimento têm objetivos diferentes
O Sebrae destaca que rodadas de negócios não são, necessariamente, rodadas de investimento. Esses encontros aproximam empresas compradoras e fornecedoras e podem gerar vendas, projetos-piloto, orçamentos ou novas reuniões. Para participar, o empresário deve pesquisar os participantes, preparar uma apresentação breve e levar uma proposta comercial com capacidade de fornecimento, diferenciais e condições.
Na busca por investimento, a recomendação é pesquisar previamente o perfil de quem poderá aportar recursos. Entre os pontos a analisar estão o estágio e os setores de interesse do investidor, o tamanho habitual dos aportes, empresas do portfólio, possíveis conflitos com concorrentes, contatos que ele pode agregar e o horizonte esperado de retorno.
Documentos e dados sustentam a apresentação
Além do pitch, investidores costumam avaliar dados financeiros, documentos societários, questões fiscais, contratos, equipe, operação e eventuais passivos. O Sebrae recomenda montar previamente um data room, com contrato social e alterações, quadro societário, relatórios financeiros dos últimos 12 a 24 meses, certidões, contratos relevantes, documentos de propriedade intelectual quando aplicável e indicadores comerciais e operacionais.
O pitch deve explicar o problema resolvido pela empresa, o modelo de negócio, o mercado, a estratégia de crescimento, concorrentes, diferenciais, equipe, valor da captação e uso dos recursos. Informações sobre tamanho de mercado e projeções de receita precisam ter fontes e justificativas, afirma Carlos Victor Pereira.
Os termos da negociação também exigem atenção. O term sheet, acordo preliminar de investimento, pode definir participação societária, direitos de voto, regras de governança, condições para novas rodadas, preferências em uma eventual venda da empresa e mecanismos de diluição. Segundo o Sebrae, uma proposta com valuation mais alto não é necessariamente mais vantajosa se trouxer cláusulas menos favoráveis ao fundador no longo prazo.
A instituição ressalta ainda que nem toda pequena empresa precisa de venture capital. Negócios com crescimento linear e rentável podem avaliar crédito, reinvestimento de lucros, sócios estratégicos, investidores-anjo ou parceiros comerciais. O venture capital é indicado para empresas com potencial de crescimento exponencial que aceitam diluição societária em troca de capital e apoio estratégico.
Com informações da Sebrae
Fonte: Brasil 247