Se deixar Mendonça no caso Master, decisão de Fachin significará adesão a Flávio Bolsonaro

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Por Jeferson MiolaBrasil 247

No dia 13 de maio deste ano, quando o Intercept denunciou que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões alegadamente para o filme Dark Horse, um questionamento se instalou: o escândalo poderia derrubar a candidatura dele? Ele se retiraria da disputa eleitoral?

Em democracias com sistemas policiais e de justiça minimamente funcionais e realidades nem tão distópicas como a do Brasil, um político envolvido num escândalo bombástico como esse se veria obrigado a abandonar a disputa.

Apesar, contudo, da gravidade da revelação, nada aconteceu.

nada aconteceu apesar, também, das mentiras do Flávio sobre o assunto no mesmo 13 de maio: primeiro, no início daquela tarde, ele mentiu que não tinha dinheiro do Vorcaro no filme, e ainda desdenhou do repórter do Intercept Thalys Alcântara, desprezando-o no trabalho de jornalista e chamando-o pejorativamente de “militante”.

A segunda mentira veio no final daquela tarde, quando Flávio mentiu novamente dizendo que “era apenas um ‘filho’ procurando ‘patrocínio privado’ para contar a história do pai”, deixando de dizer “que Vorcaro está[va] preso por ser investigado pela maior fraude bancária da história do Brasil”.

Alguns dias depois, o contumaz mentiroso que age com a frieza de um sociopata para bancar suas mentiras, mentiu que nunca tinha se encontrado com Vorcaro.

E, mais uma vez, foi desmentido, porque ele se encontrou com Vorcaro quando o banqueiro mafioso cumpria prisão domiciliar e o escândalo já dominava o noticiário. O assunto tratado nunca foi esclarecido – suspeita-se que para combinar versões.

As mentiras de Flávio abundaram. O portal aosfatos.org documentou doze vezes em que Flávio Bolsonaro mentiu que ele e sua família não tinham qualquer relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

A candidatura do Flávio foi mantida e o potencial de estrago do escândalo foi mitigado por uma estratégia eficaz da mídia hegemônica apoiada na profusão de vazamentos criminosos, originados no gabinete de André Mendonça, que colocaram o filho do Lula no centro dos escândalos de corrupção e eclipsaram Flávio e o próprio Vorcaro na conjuntura.

O ministro Flávio Dino denunciou que Mendonça atuou em causa própria, para não ser investigado pelas ilicitudes apontadas pela PF, e também para impedir a investigação sobre possíveis crimes do Flávio Bolsonaro de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

Se o STF não se omitir diante dos desvios e ilícitos do ministro Mendonça, que se equiparam, em gravidade e ataque à democracia, à farsa da Lava Jato, a investigação sobre o Dark Horse certamente derruba a candidatura do Flávio Bolsonaro.

O presidente do STF Edson Fachin afastou Alexandre de Moraes e assumiu ele mesmo a relatoria do inquérito das Fake News.

No entanto, Fachin manteve André Mendonça nas relatorias do Master e do INSS, apesar das suspeitas, e permitiu o ministro bolsonarista manter sigilo sobre a Dark Horse, ou seja, autorizou Mendonça continuar escondendo a corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas do gângster.

Essa escolha do presidente Fachin, se mantida, é no mínimo intrigante, e pode sinalizar um empenho pessoal e institucional para beneficiar a candidatura que representa uma ameaça à democracia, à soberania, e à própria sobrevivência da Suprema Corte.

Se isso de fato se confirmar, além disso, Fachin estará confirmando que aquele procurador corrupto da gangue de Curitiba tinha motivos para celebrar que “Aha, uhu, o Fachin é nosso!”.

O que se exige, do ponto de vista democrático, não é um juiz amigo ou favorável, mas unicamente um juiz justo e imparcial.

Fonte: Brasil 247

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