S&P 500 pode subir mais 15% mesmo com alta dos juros nos EUA; XP recomenda investir na bolsa norte-americana
Por Monique Lima — Seu Dinheiro

O investidor que ficou de fora da bolsa norte-americana por achar que ela já subiu demais pode estar olhando para a variável errada. Os analistas da XP acreditam que o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos, ainda tem espaço para avançar mais 15,5% até o fim de 2027, mesmo após anos de valorização e com os juros dos EUA em tendência de alta.
A casa iniciou cobertura do índice que reúne as principais companhias do país nesta semana, com recomendação de compra e preço-alvo de 8.900 pontos, ante os atuais 7.710 pontos.
A projeção da XP não parte de uma aposta em cortes de juros nem de uma melhora relevante do cenário macroeconômico, considerando atividade e inflação. Mas da resiliência das empresas mesmo nesse cenário desafiador.
Os analistas trabalham com a hipótese de que os lucros das empresas continuarão crescendo de forma consistente.
A estimativa da casa é que o lucro por ação agregado do índice salte de US$ 365 em 2026 para US$ 417 em 2027, avanço de 14,2% em apenas um ano.
Nem juros altos param Wall Street
Até 24 de setembro, a alta do S&P 500 foi de 12,7%.
Mas, em tese, 2026 reuniu uma série de elementos que deveriam ter feito as ações norte-americanas caírem:
- o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos bateu 5% de juros — uma taxa muito alta e que deveria atrair o capital dos investidores;
- o petróleo Brent passou dos US$ 100 por barril algumas vezes no ano, pressionando os preços; e
- a inflação segue acima da meta do banco central.
Mesmo assim, o mercado continuou renovando máximas históricas.
Segundo os estrategistas da XP, isso aconteceu porque os lucros das empresas avançaram mais rapidamente do que o ambiente macroeconômico deteriorou — a atividade econômica do país continua resiliente.
Desde o fim de 2025, as revisões para os resultados das empresas agregaram cerca de 29% ao retorno do S&P 500. Ao mesmo tempo, o cenário mais desafiador da economia retirou aproximadamente 14% do valor das companhias. O saldo foi suficiente para manter o índice em alta.
“A combinação desses movimentos, acrescida por um leve benefício de dividendos distribuídos, levou o retorno total para cerca de 13%. A alta do ano, portanto, dependeu da forte expansão de lucros, associada principalmente às empresas de inteligência artificial, a despeito da contração de múltiplos devido a cenário macroeconômico desafiador”, diz o relatório.
Para a XP, essa é uma evidência de que os fundamentos das empresas importam mais para o desempenho do mercado do que o macro.
O impulso que vem da inteligência artificial
O que sustenta a tese é o assunto que domina as análises do mercado há meses: inteligência artificial (IA).
Os estrategistas argumentam que o ciclo de investimentos realizado pelas gigantes de tecnologia começa a se transformar em crescimento efetivo dos lucros. Não por acaso, as empresas mais ligadas a IA concentram a maior parte da expansão de lucros projetada para o índice.
Hoje, as dez maiores companhias da bolsa norte-americana representam 38% do peso do S&P 500.
À primeira vista, pode parecer um risco de concentração. Mas as mesmas dez empresas respondem por 36% dos lucros esperados para os próximos 12 meses.
Os números da Nvidia ilustram essa expectativa. A fabricante de chips aparece como a empresa com maior sustentação de fundamentos dentro do grupo das gigantes de tecnologia, combinando crescimento, revisões positivas de lucro, geração de caixa e valuation “justo”, segundo a XP.
Também se destacam Microsoft, Alphabet, Broadcom e Micron.
Segundo o relatório, 80% das 20 maiores posições do índice tiveram revisões positivas de lucro nos últimos 90 dias.
Entre as dez maiores, a revisão mediana das projeções de crescimento do lucro para os próximos 12 meses chegou a 24,9% em agosto, ante uma expectativa de 2,1% em janeiro.
“Mais importante, as revisões positivas se acumularam ao longo de praticamente todo o ano, indicando uma melhora persistente dos fundamentos”, escrevem os estrategistas.
Mas o S&P 500 está caro…
O argumento mais comum contra a bolsa norte-americana é os preços estarem “caros”.
E, de fato, os estrategistas reconhecem no relatório que o S&P 500 negocia hoje a aproximadamente 19,5 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, acima da média histórica de 17,4 vezes.
A XP afirma, porém, que o investidor costuma usar o valuation de forma equivocada.
A análise histórica da casa mostra que o múltiplo tem pouco poder para antecipar retornos em horizontes de curto prazo, até um ano.
Desde 1991, houve diversos períodos em que o mercado parecia caro, mas continuou subindo por vários anos, impulsionado justamente pelo crescimento dos lucros.
“Na prática, mercados considerados ‘caros’ frequentemente continuam se valorizando, enquanto mercados aparentemente ‘baratos’ podem permanecer descontados por um período mais longo”, diz o relatório.
A questão central, portanto, não seria considerar se a bolsa está cara ou barata hoje. Para os estrategistas, o que realmente importa é se as empresas conseguirão entregar os resultados necessários para justificar esse preço por tempo prolongado.
Por enquanto, a XP acredita que sim.
Tanto que seu cenário-base para 2027 não pressupõe qualquer expansão de múltiplos, apenas de lucros. Ou seja, as ações continuarão tão caras quanto hoje, mas com resultados melhores impulsionando a valorização.
A conta mostra que, se o lucro por ação subir dos atuais US$ 365 previstos para 2026 para US$ 417 em 2027, o índice poderia alcançar os 8.900 pontos mesmo mantendo o nível atual de valuation.
Como investir no S&P 500
Para o investidor brasileiro, a forma mais simples de acessar o S&P 500 é por meio dos fundos de índice (ETFs) negociados na B3.
O principal deles é o IVVB11, da BlackRock, que acompanha o desempenho do índice e é, de longe, o fundo mais líquido da categoria no mercado brasileiro. Um concorrente relevante é o SPXI11, da Itaú Asset, que segue também segue o índice e tem um volume expressivo de negociações.
Para quem deseja uma exposição ao índice direto na fonte, hoje em dia é possível investir nos EUA por meio das contas internacionais. Bancos como Inter, XP e BTG Pactual oferecem contas que permitem investir nas bolsas norte-americanas. Corretoras como Nomad e Avenue também oferecem esse serviço.
Para esses casos, os ETFs mais populares são o VOO, da Vanguard, o IVV, da BlackRock, e o SPY, da State Street. Os três replicam o S&P 500 e possuem carteiras idênticas ao do índice.
A principal diferença está nos custos e na liquidez. O VOO cobra taxa de administração de 0,03% ao ano, o IVV cobra 0,04% e o SPY, conhecido por ser um dos ativos mais negociados do mundo, tem uma taxa um pouco maior, de cerca de 0,09%.
A escolha entre investir pela B3 ou diretamente nos EUA depende mais da conveniência do que da exposição ao mercado.
Os ETFs brasileiros permitem comprar e vender em reais, sem remessa internacional de recursos e com a praticidade de operar na mesma conta usada para ações locais. Já os ETFs norte-americanos exigem a conversão do dinheiro para dólar e o uso de uma conta específica para essa finalidade.
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Fonte: Seu Dinheiro