Rússia volta a apoiar candidatura do Brasil a assento no Conselho de Segurança da ONU
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A Rússia reiterou seu apoio à entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, principal órgão da ONU responsável por questões de paz e segurança internacionais. A posição foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, durante discurso na 81ª Assembleia Geral da organização, em Nova York, no sábado (26).
Segundo reportagem da RT Brasil, Lavrov vinculou o apoio a Brasília a uma reforma que amplie a participação de países do Sul Global no Conselho. O chanceler também defendeu a candidatura da Índia e afirmou que Moscou pretende priorizar uma representação maior da América Latina, da Ásia e da África.
“Somos favoráveis à ampliação da representação da Ásia, da África e da América Latina. Apoiamos as candidaturas do Brasil e da Índia a assentos permanentes”, declarou Lavrov. A manifestação também foi registrada por outros veículos que acompanharam o discurso do ministro na Assembleia Geral.
O chefe da diplomacia russa afirmou, por outro lado, que Moscou se opõe à concessão de novas vagas no Conselho de Segurança a países ocidentais. Lavrov citou especificamente Alemanha e Japão e acusou os dois países de seguirem um caminho de “militarização e revanchismo”.
“Nossa abordagem de princípio é que a reforma do Conselho de Segurança não pode prever quaisquer ‘cadeiras’ adicionais para os países ocidentais, especialmente Alemanha e Japão, que enveredaram pelo caminho da militarização e do revanchismo”, afirmou.
A posição exposta por Lavrov coloca a ampliação da presença do Sul Global no centro da proposta russa para modificar a composição do Conselho. Atualmente, o órgão é formado por 15 países. Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido são os cinco membros permanentes e dispõem de poder de veto. Outros dez países ocupam vagas temporárias, com mandatos de dois anos.
Rússia também defende maior representação africana
Lavrov afirmou que uma eventual reforma também deve contemplar as reivindicações dos países africanos, tendo como referência o Consenso de Ezulwini e a Declaração de Sirte. Os documentos expressam posições africanas em favor de uma participação maior do continente no Conselho de Segurança, inclusive na categoria de membros permanentes.
A ampliação da representação africana é uma das principais frentes do debate sobre mudanças no órgão. Apesar do peso demográfico e político do continente, nenhum país da África ocupa atualmente uma das cinco cadeiras permanentes.
Apoio russo ao Brasil não é novo
A manifestação de Lavrov dá continuidade a uma posição que Moscou vem reiterando nos últimos anos. Rússia e China, ambas integrantes permanentes do Conselho de Segurança, já haviam declarado apoio às aspirações de Brasil e Índia de exercerem papel mais relevante nas Nações Unidas, inclusive no próprio Conselho.
Em declarações anteriores, Lavrov também sustentou que Brasil e Índia deveriam integrar permanentemente o órgão. A argumentação russa é de que a composição atual não corresponde à distribuição contemporânea de poder econômico, político e demográfico e mantém representação desproporcional de países ocidentais.
O Brasil reivindica há décadas uma reforma do Conselho de Segurança. O país integra o G4 ao lado de Alemanha, Índia e Japão, grupo que defende a ampliação das categorias permanente e não permanente e apoia reciprocamente as candidaturas de seus integrantes.
A posição de Moscou, portanto, coincide com a reivindicação brasileira pela obtenção de uma cadeira permanente, mas diverge da composição defendida pelo G4 ao rejeitar explicitamente novos assentos para Alemanha e Japão.
Uma mudança dessa dimensão depende de alteração da Carta das Nações Unidas. Para entrar em vigor, uma emenda precisa ser aprovada por dois terços da Assembleia Geral e ratificada por dois terços dos Estados-membros da ONU, incluindo obrigatoriamente os cinco atuais integrantes permanentes do Conselho de Segurança.
Fonte: Brasil 247