Rodovias, escolas e hospitais: veja onde ES prevê investir R$ 5,3 bilhões em 2027

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Publicado em 01 de Outubro de 2026 às 08:53

Nicoly Reis

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Rodovias, construção e reforma de escolas, obras de macrodrenagem e projetos de mobilidade estão entre os destinos dos R$ 5,28 bilhões em investimentos previstos pelo governo do Espírito Santo para 2027. O montante consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) encaminhado à Assembleia Legislativa e representa um crescimento de 22,65% em relação aos R$ 4,3  bilhões reservados para investimentos no orçamento deste ano.

A previsão significa aproximadamente R$ 974 milhões a mais para investimentos de um ano para o outro. Os R$ 5,28 bilhões representam 16,74% dos R$ 31,53 bilhões previstos para o Poder Executivo estadual em 2027.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Economia e Planejamento (SEP), o valor previsto para o próximo ano é o maior da série histórica apresentada pelo governo. Em 2019, primeiro ano da série, o orçamento reservava R$ 1,34 bilhão para investimentos. Para 2027, são R$ 5,28 bilhões.

A prioridade do governo sempre é saúde, educação, segurança e infraestrutura. Considerando essas quatro áreas, alocamos quase 55% da receita prevista para a execução em 2027.

Álvaro Duboc  s ecretário de Estado de Economia e Planejamento

A maior parcela dos recursos previstos para investimentos em 2027 está concentrada no Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES). O órgão terá R$ 2,01 bilhões, o equivalente a 38,1% dos R$ 5,28 bilhões previstos para investimentos no próximo ano.

Na sequência, aparecem:

Secretaria de Estado da Educação (Sedu): R$ 533,64 milhões ou 10,1% do total;

Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd): R$ 486,05 milhões (9,2%);

Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb): R$ 367,35 milhões (7%);

Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi): R$ 246,9 milhões (4,7%).

Os demais órgãos e projetos concentram, juntos, R$ 1,63 bilhão, correspondente a 30,9% dos investimentos previstos.

Apesar de liderar a distribuição dos recursos, o DER não aplica todo o montante exclusivamente em rodovias. Segundo o secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, o departamento também é responsável pela execução de obras de edificações vinculadas a outras áreas do governo.

Entre os exemplos citados pelo secretário estão investimentos no Hospital Geral de Cariacica e no Complexo de Saúde Norte, em Colatina, além de obras relacionadas às estruturas da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros.

As intervenções na malha rodoviária devem absorver uma parcela relevante dos investimentos do DER. Durante a apresentação do orçamento, o governo informou que há diversas rodovias em execução e outras intervenções previstas para 2027.

Nem todo o valor destinado a investimentos, porém, virá diretamente do caixa estadual. Segundo a SEP, mais da metade — entre 50% e 60% — deve ser financiada com recursos próprios do Tesouro Estadual. O restante envolve fontes como operações de crédito, recursos relacionados ao acordo de Mariana e transferências federais.

A educação terá R$ 533,64 milhões destinados especificamente a investimentos em 2027. O valor não deve ser confundido com o orçamento total da área, que alcança cerca de R$ 4,42 bilhões no PLOA.

De acordo com a apresentação da SEP, os recursos de investimento da Sedu incluem construção e reforma de escolas estaduais, além de projetos realizados em parceria com prefeituras. Nesses casos, parte dos recursos é repassada aos municípios para obras em unidades escolares.

Além da infraestrutura física, Fajardo citou entre as prioridades da educação a ampliação das escolas em tempo integral, o ensino profissionalizante e a incorporação de tecnologia às unidades.

Outro eixo destacado para 2027 são as intervenções de macrodrenagem, que aparecem principalmente entre os investimentos vinculados à Sedurb.

Na entrevista, Fajardo citou obras em Viana, Cariacica, Vila Velha e Guriri, em São Mateus, além de novos projetos planejados. Parte desses investimentos está associada à estratégia estadual de adaptação e resiliência diante de eventos climáticos.

A proposta orçamentária identifica R$ 182,4 milhões especificamente em ações de macrodrenagem dentro do chamado Orçamento Climático de 2027. O conjunto das ações classificadas pelo governo como relacionadas à mitigação e à adaptação às mudanças climáticas soma R$ 2,45 bilhões, mas esse montante é transversal e não deve ser somado aos R$ 5,28 bilhões de investimentos, já que parte das despesas pode estar contabilizada nas próprias dotações dos órgãos.

Na mobilidade, um dos projetos mencionados é o Corredor Metropolitano Norte, previsto para a Serra, no trecho da antiga BR 101 que passou à administração estadual. A expectativa apresentada pelo governo é iniciar o projeto em 2027.

O projeto se soma ao Corredor Metropolitano Sul, que já está em execução e deve ligar Vila Velha ao Terminal de Jardim América, em Cariacica.

Também aparecem no planejamento intervenções relacionadas ao sistema aquaviário e à expansão da rede cicloviária. Na apresentação do PLOA, a SEP mencionou novos pontos do aquaviário:  uma na altura da Praça Pio XII, no Centro de Vitória; a segunda no antigo Terminal Dom Bosco, na Ilha de Santa Maria; e a terceira em São Pedro. 

Além da continuidade da ciclovia que deve conectar a Grande Vitória ao litoral sul da Região Metropolitana.

De acordo com Fajardo, a intenção é formar uma malha de quase 100 quilômetros de ciclovias metropolitanas, permitindo a conexão desde Carapina, na Serra, até Setiba, em Guarapari.

Entre os investimentos mencionados pelo secretário está ainda a Barragem do Jucu, planejada para funcionar como reservatório de água da Região Metropolitana. Na entrevista, Fajardo relacionou o projeto à segurança hídrica e à resposta a períodos de maior instabilidade climática.

O PLOA estabelece quanto o Estado poderá destinar aos diferentes programas e projetos, mas isso não significa que todos os R$ 5,28 bilhões serão necessariamente executados em 2027. A SEP explica que o orçamento público determina os recursos previstos e as ações, os programas e os projetos em que podem ser aplicados.

Durante a apresentação, Fajardo também fez essa diferenciação. Conforme explica, parte dos investimentos já está contratada e em andamento, enquanto outros têm recursos reservados, mas ainda estão em etapas anteriores à contratação.

O Corredor Metropolitano Norte, por exemplo, foi citado como um projeto com previsão orçamentária, mas ainda não contratado. Por isso, projetos nessa situação têm maior possibilidade de alteração ou remanejamento durante a execução do orçamento.

A proposta agora tramita na Assembleia Legislativa. Até a aprovação definitiva da Lei Orçamentária Anual, os valores ainda podem sofrer alterações.

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