Rio Verde, Jataí e Cristalina se destacam entre municípios com maior valor da produção agrícola do Brasil
Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

O estado de Goiás se destaca com três municípios que possuem o alto valor da produção agrícola em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Rio Verde, Jataí e Cristalina aparecem no levantamento ao lado de outros grandes polos do agronegócio nacional, reforçando o peso de Goiás na produção agropecuária do país.
O desempenho dessas cidades acontece em um cenário de expansão da agricultura goiana. Em 2025, Goiás alcançou R$72,7 bilhões em valor da produção agrícola, alta de 20,3% em relação aos R$60,5 bilhões registrados em 2024.
Com o resultado, o Estado avançou da sexta para a quinta posição no ranking nacional, ultrapassando o Rio Grande do Sul.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta Ramos, reforçou que esse resultado é um processo que vem sendo construído há décadas e que reúne características naturais, investimentos em tecnologia e profissionalização dos produtores.
“São municípios que têm um desenvolvimento no setor agrícola realmente acima dos outros municípios”, afirma.
Segundo ele, as características do território ajudam a explicar parte desse desempenho. Rio Verde e Jataí, por exemplo, contam com solos férteis e topografia favorável ao plantio em escala e mecanizado. Cristalina, por sua vez, apresenta uma particularidade: a altitude, associada à expansão da irrigação, permite uma diversificação maior das culturas.
Irrigação amplia possibilidades em Cristalina
Cristalina se tornou um dos principais exemplos dessa diversificação. De acordo com José Ricardo, a expansão dos sistemas de irrigação, principalmente por pivôs centrais, permite que o município produza diferentes culturas ao longo do ano. Além da soja e do milho, considerados os principais produtos, o município também apresenta produção de frutas e café. A cafeicultura irrigada, segundo o presidente da Agrodefesa, vem ganhando espaço e se destacando pela qualidade dos grãos.
A pecuária também integra a força econômica da região. Cristalina possui uma importante produção leiteira, enquanto Rio Verde reúne atividades agrícolas e pecuárias em larga escala. “Na irrigação de pivô, você se diversifica muito. Então, lá você tem desde a soja, que é o carro-chefe, soja, milho, mas você parte para a fruticultura, que tem um valor agregado muito alto”, explica.
Outro fator apontado por José Ricardo é a profissionalização dos produtores. Segundo ele, a agricultura praticada nesses municípios passou por uma transformação ao longo das últimas décadas, com aumento dos investimentos em tecnologia e busca por maior produtividade. “Hoje, produtores altamente profissionalizados, tecnificados, que fazem grandes investimentos e uma alta taxa de produtividade nessas culturas, nessas atividades, tanto na agricultura quanto na pecuária, que é referência para o Brasil”, afirma.
O presidente da Agrodefesa avalia que a evolução tecnológica também permite produzir mais utilizando uma área proporcionalmente menor, reduzindo a pressão pela abertura de novas áreas. “Cada vez mais tecnologia para produzir mais em menos área, para diminuir essa pressão ambiental que ocorria nas décadas anteriores”, diz.

Logística fortalece Rio Verde
Em Rio Verde, a infraestrutura de transporte também aparece como um diferencial. José Ricardo cita a Ferrovia Norte-Sul e a plataforma multimodal instalada no município como elementos que contribuem para o escoamento da produção e fortalecem a atividade econômica. A cidade também se destaca pela transformação de parte da produção agrícola em produtos de maior valor agregado. Um exemplo citado pelo presidente da Agrodefesa é a cadeia de proteína animal.
O milho e o farelo de soja produzidos na região podem ser utilizados na alimentação de aves e suínos, que posteriormente são processados e comercializados. Dessa forma, o grão deixa de ser vendido apenas como matéria-prima e passa a movimentar uma cadeia industrial dentro do próprio Estado. “Além de deixar riqueza no lugar, ela gera emprego, ela mantém esse giro econômico na localidade”, afirma.
O mesmo movimento ocorre com a instalação de indústrias de etanol de milho, que amplia o aproveitamento da produção e acrescenta novas etapas à cadeia produtiva.
O peso de Rio Verde, Jataí e Cristalina está inserido em um cenário mais amplo de crescimento da agricultura goiana. Entre os principais produtos agrícolas do Estado em 2025, a soja respondeu por R$37,7 bilhões em valor da produção, enquanto o milho alcançou R$13,7 bilhões e a cana-de-açúcar, R$11,5 bilhões.
A soja também apresentou produção recorde em Goiás: 20,3 milhões de toneladas, alta de 19,6% em relação a 2024. O milho chegou a 15,95 milhões de toneladas, crescimento de 24,6%.
Para José Ricardo, Goiás já ocupa posição relevante no cenário nacional e o próximo passo está relacionado principalmente ao processamento da produção. “Produtividade, tecnologia, Goiás já é referência. O que a gente precisa cada vez mais é investir nesse processamento, na agregação de valor”, afirma.
O presidente também cita o avanço de outras cadeias. Segundo ele, Goiás passou a ocupar posições de maior destaque na produção e exportação de carne de frango e permanece entre os grandes produtores de proteína bovina.

Defesa agropecuária acompanha expansão
Com o crescimento da produção, aumenta também a importância do trabalho de fiscalização e prevenção realizado pela Agrodefesa. Para José Ricardo, a defesa agropecuária é parte da estrutura que permite que os produtos goianos cheguem a diferentes mercados.
Ele destaca o reconhecimento obtido por Goiás na área de sanidade animal e afirma que o Estado também possui reconhecimento pela qualidade sanitária de suas lavouras. “Nós temos esse reconhecimento internacional, e os nossos produtos chegam em todos os continentes do mundo, em centenas de países”, afirma.
Na avaliação do presidente, manter a sanidade das culturas e das cadeias pecuárias é fundamental não apenas para garantir a produção, mas também para ampliar mercados, gerar exportações e agregar valor ao que é produzido em Goiás.
O avanço de Rio Verde, Jataí e Cristalina, portanto, não se resume ao tamanho das lavouras. Para José Ricardo, o desempenho dos três municípios é resultado da combinação entre condições naturais, mecanização, irrigação, tecnologia, logística, profissionalização e capacidade de transformar matéria-prima em produtos de maior valor.
E é justamente essa combinação que, segundo ele, coloca Goiás em posição de destaque no agronegócio brasileiro e abre espaço para que novas regiões do Estado avancem na produção, como o Vale do Araguaia, onde o presidente cita a recuperação de áreas degradadas e a integração entre lavoura, pecuária e floresta como movimentos em expansão.

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Fonte: Jornal Opção