Review Castlevania: Belmont’s Curse | O retorno perfeito do Drácula
Por Diego Corumba — Canaltech
A Konami demorou, mas finalmente trouxe Castlevania: Belmont’s Curse para os fãs. Este é o primeiro jogo inédito da franquia em 12 anos e já se passaram 18 anos desde o último metroidvania clássico — lançado no Nintendo DS, ainda mais se levar em consideração os consoles de mesa.
Durante este tempo, nasceram séries como Hollow Knight, Dead Cells e até mesmo Koji Igarashi decidiu trazer sua própria saga pelo nome de Bloodstained. Contudo, milhões de fãs e até mesmo o mercado sentiram falta da história de retorno e vingança do Drácula. Tanto que rolou de peça teatral a animação pela Netflix.
A espera acabou e, ao retornar às origens, a trama de Rose Belmont faz deste novo capítulo um recomeço fantástico. Não vemos a roda ser reinventada, no entanto é possível que o estúdio Evil Empire tenha sido o melhor a compreender os seus elementos e a fazê-los funcionar de uma forma majestosa.
Cheio de carisma, repleta de personagens emblemáticos e com uma progressão desafiadora, Castlevania: Belmont’s Curse prova que a Konami ainda carrega todo o gênero — ao lado de Metroid —- e ressalta a importância desta franquia perante toda a comunidade gamer.
Prós
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Um Castlevania digno de seu legado
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Sistema de tarô e de armas são excepcionais
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Arte é um show a parte
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O mapa é desafiador e cheio de nuances
Contras
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Gameplay mais lento pode incomodar
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Mudanças na trilha sonora estranham
O retorno ao castelo do Drácula
Paris foi sitiada por demônios e criaturas das trevas, o que leva o bispo francês a convocar Trevor Belmont para ajudar os cidadãos a vencer o mal novamente. Afinal de contas, ele já derrotou o lorde que comandava o exército infernal no passado. Contudo, o herói não está sozinho — ele agora traz sua filha, Rose.
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A partir disso, você tem de impedir os três generais que invadiram a cidade. Com uma história que se amarra por completo nos jogos mais icônicos de toda a saga e cheia de referências, Castlevania: Belmont’s Curse é o prato cheio para todos os fãs e um jogo obrigatório.
Não é apenas a narrativa que se destaca, mas também um gameplay intenso e cheio de elementos. Antes de partir, a mãe de Rose (Sypha Belnades) deixou para a filha um tarô repleto de cartas em branco. Porém, ela compreende cedo para que eles servem: capturar os chefes e absorver seus poderes.
Com habilidades que podem evoluir conforme o jogador avança, ela invade saguões, abre salas e dispara em direção dos generais que ameaçam libertar o Drácula novamente. Cada técnica te ajuda em determinado ponto e deve ser usada com sabedoria — já que dominá-las exige tempo e progresso.
“Além disso, cada chefão capturado continua a se comunicar com Rose. Todos eles têm uma reação ou alguma dica a passar durante os principais eventos do jogo”, Diego Corumba
A jornada de Castlevania: Belmont’s Curse se torna bem complexa a partir deste ponto. Um chefão desfere explosões de fogo que podem queimar seu inimigo. Outro pode transformar oponentes em pedra e por aí vai. A situação atinge outro patamar quando se implementa um amplo sistema de armas e equipamentos.
As oito armas interferem diretamente na mecânica de batalha. Somadas aos diversos itens equipáveis, eles criam uma combinação absurda de setups que os jogadores podem formar. Não é raro ver conjuntos que funcionam muito bem em um inimigo e são inúteis em outro.
A lança, por exemplo, além de atingir monstros consideravelmente mais distantes, pode ser mirada e disparada para longe. O chicote é a arma clássica dos Belmont, mas seu maior dano sempre ocorre quando o alvo é atingido pela sua ponta. As manoplas aumentam de dano a cada acerto.
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Castlevania: Belmont’s Curse fará você testá-las e, por incrível que pareça, gostar de todas. Todas as opções se adequam melhor a um tipo diferente de público e desafio, mas todas são surpreendentemente deliciosas de controlar. Não tema trocar com frequência, pois só acrescentará à sua experiência.
Um mapa conflitante
Um dos aspectos que mais me chamou a atenção conforme jogava era o seu mapa, que pode ser simples a princípio, mas guarda grandes desafios. Enquanto encara os três generais, vai se deparar com um avanço linear e até monótono. Contudo, conforme desbloqueia habilidades e cartas, verá que não é tão simples.
As áreas guardam diversos segredos, o que ajudará a ampliar a forma como explora o cenário. O que começa “chato” vai te mostrar um verdadeiro playground, que esperava apenas você ter capacidade de alcançar seus melhores trechos. Estes vão depender de uma série de técnicas diferentes para te dar acesso aos melhores itens e armas.
“Ninguém deseja ficar paranóico com cada elevação esquisita no chão ou moldes diferentes nas paredes, mas quando até o que não parece traz segredos, você baterá em todos os cantos e ficará atento aos pequenos detalhes para encontrar algo a mais na aventura”, Diego Corumba
Em alguns casos, o tarô de Castlevania: Belmont’s Curse pode te mostrar o caminho. Em outros, você terá de contar com dois aspectos: seu poder de observação e até sorte. Outro detalhe importante é que dá para contar com a ajuda de dicas espalhadas por todo o mapa — as quais contam com informações importantes na trama.
Dispersas em diferentes pontos, elas revelam aspectos importantes dos chefões ou do próprio castelo do Drácula. Não entregarei spoilers, mas alguns deles referenciam eventos anteriores da franquia e até mesmo dá um vislumbre do que esperar para o seu futuro.
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Ainda assim, não estranhe quando você travar em determinada área e sentir que empacou. Às vezes a resposta não está sequer na região em que você se encontra, mas sim em outra que exigia a sua habilidade que acabou de conquistar e você não tinha conectado os fios. Dito isso, explore e não tenha medo de voltar a locais já visitados.
O poder de Castlevania: Belmont’s Curse
Como todo bom metroidvania, ele é jogável exclusivamente como um 2D side-scroller. Mesmo com mecânicas avançadas e repleto de lugares escondidos, ele roda muito bem e não ofereceu quaisquer problemas técnicos conforme a aventura da Konami seguia adiante.
Sua arte é um dos grandes destaques, com uma referência clássica ao que a saga já estabeleceu, mas não se esquece de trazer um toque de modernidade. Efeitos de iluminação e de movimentação fluida arrancam suspiros, assim como ilustrações e cenários — que chegam ao melhor do que já se viu na série.
Um ponto baixo disso tudo é a trilha sonora, que traz um verdadeiro remix das composições icônicas que você conhece do passado. Os fãs que começarem daqui não serão impactados, mas quem espera ouvir os temas orquestrados e cheios de peso pode virar o nariz para a adição de elementos de música eletrônica.
Apesar de ter um gameplay extremamente rico, também vale notar o quanto o público está “mal-acostumado” com o gênero. Se Hollow Knight e Dead Cells traziam um combate mais dinâmico, cheios de ritmo, em Castlevania: Belmont’s Curse encontrará algo um pouco mais travado.
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Isso não significa que a experiência é mais lenta ou não seja excelente ao seu próprio modo. Contudo, é notável um leve atraso entre o comando e as ações de Rose Belmont, assim como a execução cadenciada ao apertar botões: ela nunca realizará tarefas simultâneas nem interromperá uma para fazer outra.
Esta “lentidão” não atrapalha em nada, já que foi possível até mesmo zerar a aventura sem qualquer tipo de impedimento neste sentido. Contudo, reduza suas expectativas e esteja à disposição para reaprender a controlar a personagem — sem o “básico” que já aprendeu de outros metroidvanias atuais.
Vale a pena jogar Castlevania: Belmont’s Curse?
A Konami acertou em cheio ao reviver a franquia, do mesmo modo como fez com Silent Hill há alguns anos. A produtora convocou um estúdio de qualidade — a Evil Empire, por exemplo, é o estúdio que deu vida a Dead Cells, à expansão baseada em Castlevania e ao The Rogue Prince of Persia — e doou dinheiro e carinho ao projeto.
Castlevania: Belmont’s Curse não é apenas um dos retornos mais aguardados de todos, mas também uma volta digna de se sentar ao lado dos melhores capítulos de toda a saga. Ainda acredito que Symphony of the Night (1997) se mantém no topo, mas a nova experiência não fica longe do maior de todos.
Acredito, inclusive, que o capítulo inédito representará para toda uma nova geração aquilo que sentimos com a jornada de Alucard nos anos 1990. É este nível de dignidade, respeito e consideração que se espera de uma série que completou quatro décadas — o que me surpreendeu muito e tornou a história ainda melhor.
Fechar toda essa jornada com três finais diferentes, referências ao passado e futuro da franquia e um preço extremamente convidativo: de R$ 169,90 (versão standard) a R$ 229,90 (Midnight Edition, com livro de arte digital e trajes cosméticos) em todas as plataformas; o jogo se torna excepcional em cada proposta.
Quer entrar nesta aventura? Veja o que você precisa saber antes de começar a jogar Castlevania e como um legado de décadas finalmente voltará “ao seu lar”. Depois disso, Belmont’s Curse te surpreenderá e mostrará como todo o gênero se consolidou ao longo dos anos.
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Fonte: Canaltech