Responsável por 78,5% das exportações brasileiras de rochas, Espírito Santo fatura US$ 1,16 bilhão em vendas ao exterior
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Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 08:21
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O Espírito Santo chega à Marmomac 2026, em Verona, com um peso que ajuda a explicar a presença brasileira em um dos principais eventos mundiais da indústria de rochas naturais. Em 2025, o Estado respondeu por 78,5% das exportações brasileiras do setor, com US$ 1,16 bilhão em vendas ao exterior, o maior faturamento já registrado pela indústria capixaba de rochas.
É esse protagonismo que empresas e entidades ligadas ao Espírito Santo levam à Itália nesta semana. A Marmomac começou ontem (22), vai até 25 de setembro e terá, pelo segundo ano consecutivo, um hall inteiro dedicado ao Brasil. São 42 empresas brasileiras no Hall 1, sendo 32 no Pavilhão ‘It’s Natural’, promovido pelo Centrorochas em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Outras dez empresas participam com estandes próprios.
O momento é especialmente favorável aos quartzitos, material que ganhou espaço na pauta de exportações capixabas. No ano passado, o Espírito Santo exportou US$ 703,3 milhões em quartzitos, alta de 32,5% sobre 2024. O avanço ajudou a compensar a retração nas vendas externas de granitos e mármores e acompanha a mudança no perfil da demanda internacional.
A própria Itália é um mercado estratégico. Em 2025, o Brasil exportou US$ 117,7 milhões em rochas naturais para o país, crescimento de 42,2% em relação ao ano anterior. Desse total, os quartzitos representaram US$ 85,6 milhões, com alta de 66,7%.
Para o presidente da Centrorochas, Tales Machado, o próximo passo é fazer com que a qualidade do material seja cada vez mais associada à sua origem. “O mercado internacional já reconhece a qualidade e o valor dos quartzitos brasileiros. O desafio agora é fazer com que esse reconhecimento esteja cada vez mais associado ao Brasil”, afirmou.
No Pavilhão ‘It’s Natural´, a expectativa é gerar US$ 10 milhões em negócios durante a Marmomac e outros US$ 50 milhões nos 12 meses seguintes, além de cerca de 350 contatos comerciais. A campanha apresentada em Verona utiliza o conceito “Brazil – The World’s Leading Source of Premium Quartzites”, numa tentativa de transformar a diversidade geológica brasileira em ativo de marca para o setor.
O movimento tem especial relevância para o Espírito Santo. Além de concentrar a maior parcela das exportações brasileiras, o Estado reúne polos produtivos importantes, como Serra, Cachoeiro de Itapemirim e Barra de São Francisco. Em 2025, Serra e Cachoeiro, sozinhas, somaram mais de US$ 730 milhões em exportações de rochas naturais.
Para a Nebrax, que integra o grupo italiano Geofin, é uma oportunidade de fortalecer essa conexão internacional e aproximar o mercado brasileiro das tecnologias que estamos desenvolvendo com nossos parceiros.
“Nosso foco é aprofundar o relacionamento com os clientes e identificar demandas que possam orientar a evolução do nosso portfólio. Queremos entender como as expectativas em relação à qualidade, ao desempenho e à valorização das rochas estão se traduzindo em novas necessidades de beneficiamento”, declarou Lucas Chequer, ceo do Geofin Group.
Entre as novidades que a Nebrax prepara para o Brasil estão o sistema de resina 470, em fase de homologação, e a ampliação do portfólio da linha Ultra, com foco em resistência ao amarelamento.
“São avanços que queremos levar às indústrias brasileiras, especialmente ao setor de rochas do Espírito Santo, para contribuir com a qualidade dos materiais e sua competitividade no mercado internacional”, acrescentou Lucas.
Para a Milanez & Milaneze, a conexão entre Verona e o Espírito Santo aproxima dois territórios que têm uma relação muito forte com a indústria de rochas naturais. “Mais do que representar a Veronafiere no Brasil, nosso papel é criar pontes que gerem oportunidades concretas para as empresas brasileiras”, disse Flávia Milaneze, ceo da empresa.
Para ela, essa aproximação amplia o acesso do setor capixaba a mercados internacionais, compradores, empresas de tecnologia, maquinário e serviços, além de fortalecer a presença do Espírito Santo dentro de uma rede global construída pela Marmomac ao longo de décadas.
“Ao mesmo tempo, também fazemos o movimento inverso: apresentamos o potencial do mercado brasileiro para empresas de outros países e criamos oportunidades para que elas estejam mais próximas da nossa indústria. É uma conexão que pode gerar negócios, investimentos, intercâmbio de conhecimento e, principalmente, novas relações comerciais para toda a cadeia”, concluiu Flávia.
A presença em Verona também reflete uma mudança na estratégia da indústria brasileira: não apenas vender rochas, mas ampliar o valor percebido dos materiais brasileiros junto a arquitetos, designers, especificadores, distribuidores e compradores internacionais.
A capixaba Decolores também está entre as empresas que participam da Marmomac, com estande próprio no Hall 1. A companhia apresenta uma seleção de quartzitos brasileiros e mantém atuação internacional, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
“A Marmomac é um momento importante para a Decolores porque nos permite estar próximos de clientes, parceiros e profissionais de diferentes mercados e, ao mesmo tempo, apresentar a diversidade das rochas brasileiras. Nossa participação reflete a atuação internacional da empresa e o trabalho contínuo de desenvolver materiais que valorizem as características naturais de cada pedra, combinando tecnologia, acabamento e possibilidades de aplicação”, afirmou Luca Burlamacchi, ceo da Decolores.
Para a Decolores, a feira italiana funciona como uma vitrine para uma indústria que já tem escala internacional. O desafio, segundo a empresa, passa a ser transformar a liderança nas exportações em maior reconhecimento da origem, diferenciação dos materiais e agregação de valor, uma disputa que acontece não apenas nas pedreiras, mas também nos mercados de arquitetura, design e construção pelo mundo.
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Mariana Perini
Formada pela PUC Campinas, é jornalista de A Gazeta desde 1997, com passagens como repórter pela editoria de Cidades, como editora-adjunta de Brasil & Mundo e como editora do suplemento dominical Leve a Vida. Antes, atuou no Correio Popular de Campinas (SP) e em A Tribuna, em Vitória. Também tem experiência na cobertura de Copas do Mundo, na editoria de Esportes, e de eleições, em Política.
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