Renda renascença de Poção (PE) recebe Indicação Geográfica do INPI
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A renda renascença produzida em Poção, no Agreste de Pernambuco, passou a integrar oficialmente o grupo de produtos brasileiros protegidos por Indicação Geográfica (IG). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao município o registro na modalidade Indicação de Procedência, reconhecendo a reputação construída pela produção artesanal local ao longo de décadas.
A informação foi divulgada pela Agência Sebrae de Notícias. O pedido havia sido apresentado pela Associação das Artesãs e Artesãos da Renda Renascença de Poção, e o processo contou com apoio do Sebrae. Com a concessão, o Brasil chega a 171 Indicações Geográficas nacionais registradas, sendo 137 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem.
A análise do INPI concluiu que o nome geográfico “Poção” adquiriu notoriedade associada ao modo de fazer e à qualidade da renda renascença produzida no município. Segundo o instituto, a documentação apresentada cumpriu os requisitos estabelecidos pela Portaria Normativa INPI/PR nº 50, de janeiro de 2026.
A certificação pode funcionar também como instrumento de diferenciação comercial. Além de estabelecer uma relação formal entre o produto e seu território de origem, a Indicação Geográfica contribui para proteger o conhecimento tradicional e reforçar a identificação das peças produzidas na região.
Para a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, o registro amplia as perspectivas comerciais para os artesãos de Poção.
“A renda produzida no município se soma ao trabalho de outros artesãos e artesãs brasileiros que ganham visibilidade no mercado a partir da conquista da Indicação Geográfica. Esse é um passo importante para proteger o trabalho dessas pessoas de uma apropriação indevida e agrega valor a um conhecimento tradicional”, afirma.
Tradição chegou a Poção na década de 1930
A renda renascença é confeccionada manualmente com linha, agulha e lacê, uma fita usada como estrutura para formar os desenhos. A técnica surgiu na Europa durante o Renascimento e chegou ao Brasil por meio dos portugueses, permanecendo inicialmente vinculada principalmente a conventos e instituições religiosas.
Em Poção, o ofício começou a se disseminar na década de 1930. A técnica foi levada ao município por Maria Pastora, que havia aprendido o trabalho no Convento de Santa Teresa, em Olinda. Posteriormente, ela transmitiu o conhecimento a Elza Medeiros, conhecida como Lala, que ajudou a difundi-lo entre moradores da região.
Em um território historicamente afetado por períodos de seca, a produção artesanal tornou-se uma alternativa de renda para as famílias. O conhecimento passou de geração em geração, principalmente pela transmissão oral e comunitária, e ganhou importância tanto econômica quanto cultural.
As mulheres ocupam papel central nessa cadeia produtiva, tanto na confecção das peças quanto na preservação e transmissão do conhecimento artesanal.
Produção alcançou mercados fora de Pernambuco
Poção já havia sido reconhecida oficialmente pelo governo pernambucano como “Capital da Renascença”, em 2011. Atualmente, a produção local inclui roupas, itens de decoração e peças artísticas comercializadas dentro e fora do Brasil.
O registro concedido pelo INPI ocorre poucos meses depois de outro reconhecimento institucional. Em julho, a renda renascença de Poção foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural.
Com a Indicação Geográfica, o vínculo entre o município e a renda renascença passa a contar também com proteção no âmbito da propriedade industrial, fortalecendo a identificação territorial de uma atividade que se consolidou como uma das principais referências culturais e econômicas de Poção.
Fonte: Brasil 247