Recife recebe 1º Encontro de Arte Sonora de Pernambuco com debates e performances gratuitas
Por Fátima Pereira — Brasil de Fato
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O Recife recebe, de sexta (11) a domingo (13), o 1º Encontro de Arte Sonora de Pernambuco, que reúne artistas, pesquisadores, professores e estudantes de diferentes estados do país na Casa Lontra, na Boa Vista. A programação começa às 16 horas, com mesas de debate sobre escuta, artes visuais e diáspora, e segue às 20 horas com performances e improvisações sonoras. As atividades são gratuitas, sujeitas à lotação do espaço, e as mesas terão interpretação em Libras e transmissão ao vivo pelo YouTube.
A iniciativa propõe três dias de atividades voltadas à produção artística relacionada ao som, aproximando pesquisa acadêmica, experimentação e criação. Participam desta primeira edição nomes de Pernambuco, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais.
As discussões serão organizadas a partir dos eixos “Escuta Nômade”, “A questão da arte sonora nas artes visuais” e “Arte Sonora e Diáspora”. Para a produtora Beatriz Arcoverde, a escolha dos temas busca contemplar diferentes perspectivas dentro do campo.
“As mesas foram estruturadas a partir de questões distintas do campo: paisagem sonora e práticas de escuta; a relação histórica e institucional entre arte sonora e artes visuais; e perspectivas sobre som, diáspora, memória, território e produção de conhecimento”, explica.
Na sexta-feira (11), a primeira mesa, “Escuta nômade”, terá participação de Fátima Carneiro dos Santos e Renata Roman, com mediação de Thelmo Cristovam. A conversa parte das relações entre som, ambiente, cidade e território, além de abordar gravações de campo e diferentes formas de perceber os espaços por meio da escuta.
O encontro também presta homenagem a Fátima Carneiro dos Santos, pesquisadora paranaense que se tornou referência nos estudos brasileiros sobre escuta e paisagem sonora. O nome da mesa remete ao livro “Por uma escuta nômade: a música dos sons da rua”, publicado pela EDUC/Fapesp, resultado de sua pesquisa sobre a possibilidade de uma escuta musical dos sons cotidianos.
No sábado (12), JP Caron e Raquel Stolf participam da mesa “A questão da arte sonora nas artes visuais”, mediada por Yuri Bruscky. O debate aborda as aproximações entre som e instalação, performance, objetos, tecnologia e espacialidade. Também entram em discussão questões relacionadas à documentação, conservação e circulação institucional de trabalhos em que o som ocupa lugar central.
A proposta ainda amplia o debate sobre os limites entre diferentes linguagens da produção contemporânea, como música, artes visuais, performance, audiovisual, poesia e instalação.
O último dia do encontro será dedicado ao eixo “Arte Sonora e Diáspora”. A mesa de domingo (13) reúne Edbrass Brasil e Ajítẹnà Marco Scarassatti, com mediação de Ana Lira. Entre os assuntos previstos estão memória, território, pertencimento, transmissão de conhecimentos, cosmologias e experiências históricas e culturais relacionadas à diáspora.
A discussão também pretende questionar referências tradicionalmente utilizadas para contar a história da arte sonora, incorporando experiências e formas de conhecimento que ficaram à margem de narrativas baseadas principalmente em genealogias europeias e norte-americanas.
Além das mesas, cada noite contará com apresentações de artistas participantes, a partir das 20h. A programação combina performances e improvisações sonoras, reforçando a dimensão prática e experimental do encontro.
A criação do evento parte da intenção de fortalecer o Recife como espaço de produção, circulação e reflexão sobre arte sonora. A programação reúne artistas com trajetórias que passam por música experimental, instalações, rádio arte, gravações de campo, performance, tecnologia, composição e pesquisa acadêmica.
Segundo a organização, o encontro também busca ampliar a circulação desse tipo de produção para além dos principais circuitos concentrados nas regiões Sul e Sudeste. Ao trazer participantes de diferentes estados para Pernambuco, a iniciativa pretende estimular intercâmbios com artistas e pesquisadores que já desenvolvem experiências relacionadas ao som no estado.
A realização é da Casa Lontra, Thelmo Cristovam e Beatriz Arcoverde, com incentivo do Funcultura, Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco.
A Casa Lontra fica na Rua Bispo Cardoso Ayres, 72, Boa Vista, Recife.
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Fonte: Brasil de Fato