Raquel Lyra: ‘É muito difícil ser mulher no Brasil e fazer política’
Por Diego Amorim — Reportagem – PlatôBR

Reeleita governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) atribui o resultado nas urnas à força do trabalho e à capacidade de mostrar à população as entregas de sua gestão. Em entrevista ao PlatôBR, ela afirma que enfrentou uma campanha violenta, mas diz ter mantido o foco no propósito de governar e promete acelerar o ritmo de obras e investimentos no estado.
Primeira mulher a governar Pernambuco, Raquel também fala sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na política. Ela relata ter sido alvo de violência política de gênero e defende mudanças na legislação para punir os responsáveis com mais rapidez.
A governadora comenta, ainda, o papel das redes sociais na campanha e sustenta que a comunicação de seu governo refletiu o trabalho realizado nos municípios e a escuta da população. Para o próximo mandato, cita obras de saneamento, estradas, habitação e a duplicação da BR-232, além da atração de novos investimentos para ampliar as oportunidades de emprego.
Por que Pernambuco preferiu reeleger Raquel Lyra?
Venceu a força do trabalho. O povo de Pernambuco demonstrou nas urnas que vale a pena ter uma governadora séria, trabalhadora, que entrega resultados e está preocupada com as pessoas que estão no chão. Fomos para as ruas durante a campanha como fomos durante o governo: olhando nos olhos da população e falando do que fizemos e do que queríamos fazer. E o povo respondeu. Quero agradecer muito a confiança que o povo de Pernambuco depositou em nós e a oportunidade de continuar nosso trabalho. Enfrentamos um desafio gigante na campanha. Foi uma campanha violenta, mas busquei sempre seguir meu propósito. Estou feliz por continuar trabalhando e vamos seguir em ritmo acelerado para retribuir com trabalho. Estou animada para começar a viajar pelo estado, entregando obras. Quero agradecer também pela oportunidade que o povo de Pernambuco está nos dando de liderar os melhores anos da história do estado. Temos um trabalho gigante pela frente, mas não tenho dúvida de que será extraordinário.
A senhora é a única mulher governadora no cenário de primeiro turno. Por que ainda é tão difícil as mulheres encontrarem espaço na política?
É muito difícil ser mulher no Brasil e fazer política. Não só disputar uma eleição, mas também se manter no cargo. Sou a primeira mulher governadora de Pernambuco e, pela primeira vez na história, na eleição passada, duas mulheres governaram o estado. Já sofri violência política de gênero de todas as formas. Tentaram abreviar meu mandato, antecipar seu fim, seja por meio de estratégias jurídicas e políticas, de CPI ou de processo de impeachment, atrasando aquilo que tínhamos de importante para fazer pelo povo de Pernambuco. Nunca se comprovou nada, e os processos foram arquivados sem sequer terem começado. É muito importante que tenhamos mais mulheres na política. O que temos é muito pouco para o que precisamos. Precisamos de mais representatividade, mas agora é preciso, sobretudo, punir quem pratica violência de gênero e melhorar a legislação para que isso seja feito de forma célere e não se repita. Não quero ser a única. Quero ser aquela que abre portas e vou continuar trabalhando e lutando para que as mulheres tenham vez e voz.
A senhora foi elogiada por ter entrado no jogo das redes sociais, um terreno que era associado a João Campos, e vencido também por isso. É possível encontrar um equilíbrio entre o trabalho e essa nova forma de comunicação e de fazer política? Como?
Nossa comunicação reflete como tem sido nosso trabalho: com muita entrega, ouvindo a população, captando o sentimento do povo no chão e entendendo como melhorar a vida das pessoas sem que elas tenham de sair de seu território. O povo reconheceu isso porque enxergou sinceridade na nossa forma de fazer política. É uma política diferente daquela que vinha sendo feita e que procura desenvolver Pernambuco sem deixar ninguém para trás. É sobre seguirmos em frente, sabendo qual é o propósito de estarmos aqui e por que quis ser governadora. É sobre conseguir levar o governo aonde outros não chegaram e garantir que as pessoas tenham uma expectativa positiva sobre o lugar em que vivem e possam ser felizes nele. Estou feliz porque vou poder fazer saneamento em todo o estado, realizar obras nas estradas, duplicar a BR-232 e continuar nossas obras de habitação. Vou prospectar novos negócios, porque há muita gente buscando Pernambuco para investir. Essas pessoas querem um lugar onde haja segurança, estabilidade jurídica e tributária e uma gestora honesta. Isso faz nossa economia crescer e gera mais oportunidades de trabalho para nossa gente.
Fonte: Reportagem – PlatôBR