Raoni: mil apocalipses e um enigma
Por Flavia Coimbra — SUMAÚMA
Uma pausa para desesquecer que esquece do milagre
Qual o remédio para quem tem febre de exploração?
Qual o médico que trata a dor de desmatamento?
Quem pega urbanização sente o quê?
Depois de ‘mandar à merda esta vida de merda’, o autor de ‘Macunaíma’ navegou os rios Amazonas e Madeira ‘até dizer chega’. No diário de viagem transformado em livro, o sentimento transborda e a Natureza arrebata
Cacique Raoni, inspiração para a brasilidade. Ilustração: Mavi Morais/SUMAÚMA
Sobrevivente do ‘empreendimento de ódio’ chamado Brasil, o grande líder indígena atravessa quase um século de luta pela brasilidade
Na primeira metade do século 20, período sombrio de guerras e genocídios, cerca de 80% da população indígena brasileira foi exterminada pela violência e pelas doenças dos brancos. Essa população, que no começo do século estava em torno de 1,2 milhão de pessoas, chegou ao seu menor número em 1978: apenas 120 mil pessoas. Uma delas, Raoni, então com cerca de 41 anos e uma vasta coleção de apocalipses.
Não há dúvida de que o outro é sempre enigma. Não se pode saber quem de fato é. Vale para os desconhecidos, vale para amigos e parentes. O que fazemos com esse enigma é talvez uma das questões mais interessantes da vida. No caso de povos indígenas, então, essa alteridade assume dimensões ainda maiores e suscita desafios quase inimagináveis.
“Lutar contra índios e se possível matá-los.” Com esse objetivo explícito, fazendeiros e pistoleiros se juntaram para, em 1985, impedir a autodemarcação do povo indígena Apinajé, realizada com a participação do cacique Raoni e de um “mutirão guerreiro”.
Não foram as primeiras e não seriam as últimas ameaças que Raoni receberia ao longo de sua vida. Tampouco foi a primeira ou a última vez que vislumbrou o fim de um mundo.
O que o Brasil, como povoamento, como colônia, como império, como país, como sociedade, tem feito nesses 500 anos com o enigma do outro é catastrófico e repugnante. Como bem disse o escritor Luiz Antônio Simas, o “Brasil é, na maior parte do tempo, um empreendimento de ódio”. Quanto maior é a diferença, mais difíceis a compreensão e a empatia com o outro – e, quando esse outro é uma pessoa indígena, o “empreendimento de ódio” ganha contornos genocidas.
Assim, Raoni, que nasceu na bacia do Xingu, onde o Cerrado e a Floresta Amazônica se encontram, cresceu vendo seu mundo, o dos Mêbêngôkre, ou Kayapó, como os brancos costumam chamá-los, ser continuamente ameaçado. Integração nacional, expedições “civilizatórias”, rodovias, mineração e o mais comezinho dos perigos: confrontos com grileiros e os massacres que se seguem.
Raoni no começo de sua trajetória de apocalipses. Foto: Fundo Leopoldo 3 o para Exploração e Conservação da Natureza
Em 1950, na Expedição Xingu-Tapajós, coordenada pelos irmãos Villas Bôas, aconteceu o primeiro encontro deles com o grupo de Raoni e, em 1953, começaram os contatos regulares e pacíficos. Chamo mais uma vez para essa conversa Luiz Antônio Simas, que contrapõe o “empreendimento de ódio” que é o Brasil à brasilidade, uma “ação e reação vital, inovadora, transgressora, contra a mortandade”.
Muitos, incessantemente, aderiram à brasilidade, como reação ao genocídio dos Povos Indígenas. Abriram brechas nesse empreendimento de ódio e fizeram florescer o outro, o enigmático, o diferente, o que gera novas possibilidades. O Parque Indígena do Xingu, aventado inicialmente em 1952 e criado em 1961, parece pertencer à brasilidade, como parte de uma disputa sem fim pelo que é o Brasil.
Ao mesmo tempo, porém, planos para “incorporar os índios à civilização brasileira” continuaram a ser feitos. E é nesse cenário de disputa, em que os menos ouvidos são os próprios Indígenas, que aconteceu, em 1964, o golpe militar que instaurou a ditadura no país. Se até aquele momento a disputa entre o Brasil e a brasilidade era uma queda de braço com perdas e ganhos, a ditadura empresarial-militar desequilibrou esse jogo, transformando o “empreendimento de ódio” em uma realidade cotidiana para milhões de brasileiros e, obviamente, também para os Povos Indígenas.
Raoni em sua aldeia, Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, em Mato Grosso. Fotos: Markus Mauthe/Greenpeace e Pablo Albarenga/SUMAÚMA
Ditadura: quando o inferno é para os outros
A ditadura empresarial-militar (1964-1985) criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, que passou a agir na região como agência implementadora do que se pode chamar de colonialismo de povoamento. Ou seja, um esforço de “modernizar” os territórios e não os povos. Estes voltam a ser, como eram na primeira metade do século 20, um empecilho à ocupação “civilizada” da região, designada frequentemente como “inferno verde”. Desmatamento e extermínio de Indígenas passaram a ser a regra, assinalados como efeitos colaterais das obras de transporte, dos projetos de agropecuária e de mineração.
A expressão “inferno verde” lembra de forma enviesada a declaração do filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980): “o inferno são os outros”. E, no caso da ditadura, o inferno é para os outros, ou seja, para quem pensava diferente, para quem ousava reagir. O verde, a Floresta e seus habitantes eram outros infernais, que atrapalhavam os planos de empresários e militares, dificultavam a abertura de rodovias, opunham-se à mineração, enfim, resistiam ao seu próprio fim.
Em 1970, as estradas que cortam a Amazônia começaram a ser construídas sob a égide do Programa de Integração Nacional, uma espécie de continuação da Operação Amazônia. Raoni é um dos líderes da resistência à construção de uma estrada que passa por dentro do território Mêbêngôkre. Mantendo a tradição de atuação em diversas frentes, ele conversa com os invasores que estão construindo a estrada e alerta para o fato de a área pertencer aos Indígenas. Não obtendo resultado, os guerreiros indígenas decidem matar os brancos invasores. Mas antes Raoni prefere consultar o sertanista e indigenista Cláudio Villas-Bôas (1916-1988) sobre o que fazer. Durante a conversa, porém, Raoni fica sabendo que os Indígenas atacaram os brancos – onze haviam sido mortos.
Chamado a Brasília, ele segue um périplo para explicar o que tinha acontecido. Nesses momentos, como em diversos outros, a autoridade de Raoni fica evidente: ele representa outro mundo, que não se curva, mas entende a mudança dos tempos e sabe como se comportar diante dela.
A despeito da habilidade política de Raoni e de outros líderes indígenas, ou até talvez por causa dela, o país adota em 1973 o Estatuto do Índio, uma lei preconceituosa segundo a qual os Indígenas são “relativamente incapazes” e, portanto, devem ser tutelados pelo Estado até que sejam “integrados à comunhão nacional”. Vale dizer que os Indígenas passam então a ser oficialmente tutelados por um Estado responsável pela destruição contínua de sua vida e de seus territórios.
Nos anos seguintes, mesmo sob a ditadura empresarial-militar, Raoni atuou em diversas ocasiões, com vários Povos Indígenas, colaborando com a demarcação de seus territórios. Um esforço digno de nota que consistia em apoio local, junto aos outros Indígenas, ao mesmo tempo em que aproveitava do trânsito que possuía entre algumas autoridades. Como uma cunha, ele garantia mais espaço aos direitos dos povos originários. Nas suas próprias palavras, como contou no livro Raoni – Memórias de um Cacique (Companhia das Letras, 2025), ele diz: “Eu falei duro com muitos brancos para conseguir demarcar as Terras Indígenas para que as novas gerações possam viver em paz em seu território tradicional”.
Na conquista dos direitos indígenas na Constituinte, os mapas tiveram papel fundamental. Raoni mostra as concessões minerárias nas terras Kayapó. Foto: Beto Ricardo/ISA
Constituição de 1988, uma vitória da brasilidade
Com o processo de redemocratização do Brasil e a Assembleia Nacional Constituinte, abriu-se a possibilidade de garantir os direitos dos Povos Indígenas e a demarcação de seus territórios. Depois de terem sido barrados na entrada da cerimônia de instalação da Constituinte, Raoni e outras lideranças Kayapó se reuniram com seu presidente, Ulysses Guimarães (1916-1992), para reivindicar que os direitos indígenas estivessem no texto constitucional. E, assim, finalmente, após quase 500 anos de destruição, a brasilidade dá um passo à frente e a Constituição Federal promulgada em 1988 reconhece, no artigo 231, o direito dos Povos Indígenas à “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre terras que tradicionalmente ocupam”.
Era o fim da tutela para quem jamais, como Raoni, se deixou tutelar, mas era também o reconhecimento de quem de fato ocupava originariamente as terras do Brasil. Uma vitória espetacular sobre o “empreendimento de ódio”, mas uma certeza de que ele não estava morto e logo se reorganizaria para voltar a promover seus apocalipses.
Raoni e Ulysses Guimarães celebram os direitos indígenas na Assembleia Nacional Constituinte. Foto: Andre Dusek
Não houve folga mesmo, nem sequer tempo para comemorações. Logo estavam os povos do Xingu reunidos em Altamira, em fevereiro de 1989, apenas quatro meses depois do nascimento da nova Constituição, para protestar contra a construção de uma hidrelétrica no Rio Xingu. O músico Sting, que se tornou parceiro de Raoni na luta pela conservação da Floresta e de seus povos, esteve no encontro e ajudou a disseminar a revolta dos Povos Indígenas mundo afora.
Para além de Raoni, um dos articuladores do encontro, foi outra Indígena Kayapó a protagonista. Tuire Kayapó transformou o que seria mais um momento de debate infrutífero entre os Indígenas e a Eletronorte, empresa [então] estatal encarregada da obra, em um evento que varreu o mundo e retardou a construção dessa malfadada hidrelétrica por duas décadas. A mulher guerreira protagonizou o gesto mais simbólico de resistência: em poucos segundos, expressou sua indignação em Kayapó e encostou seu facão na bochecha de um alarmado coordenador-geral da presidência da Eletronorte. A imagem ganhou o planeta – e o Rio Xingu, graças a ela, ganhou mais alguns anos de liberdade.
Apesar dos muitos percalços, os anos finais do século 20 e os primeiros do nosso século viram muitas Terras Indígenas ser demarcadas, as terras Kayapó ser homologadas e o aumento e fortalecimento do protagonismo e da autonomia dos Povos Indígenas. O Acampamento Terra Livre, encontro anual dos Povos Indígenas em Brasília, consolidou-se, e foi criada a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib.
Ficou para trás, porém, e em aberto, para os Povos Indígenas e para todos os brasileiros, o capítulo da ditadura empresarial-militar. As violações, remoções, assassinatos e massacres de Povos Indígenas não foram reconhecidos nem reparados pelo Estado brasileiro.
Em 2008, as intenções de construir uma hidrelétrica no Rio Xingu são retomadas, assim como a resistência dos Povos Indígenas. Raoni e muitos outros lutaram bravamente contra a obra, mas dessa vez nada adiantou. Em 2011, começou a construção de Belo Monte, a hidrelétrica que barraria o mais emblemático rio para os Povos Indígenas no Brasil, aquele do qual todos os brasileiros deveriam se orgulhar por ostentar uma gigantesca diversidade sociocultural. Mas o empreendimento de ódio que é o Brasil na maior parte do tempo não tem apreço pela diversidade; alimentou-se desde sempre de monoculturas de plantas e de mentes.
Nos anos seguintes, enquanto Belo Monte ganhava forma, Raoni esteve no Congresso Nacional diversas vezes lutando contra os atentados aos direitos indígenas, recebeu prêmios e homenagens mundo afora e até desfilou na Imperatriz Leopoldinense, escola de samba do Carnaval carioca que em 2017 homenageou o Xingu em seu enredo. Naquele ano, quando Belo Monte já havia começado a funcionar, as críticas do agronegócio ao tema do desfile da Imperatriz já deixavam entrever o que aguardava o país.
Raoni e outras lideranças Kayapó no desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, no Carnaval do Rio, em 2017. Foto: Yasuyoshi CHIBA/AFP
Para além de defender Belo Monte, chamada no desfile de Belo Monstro, as organizações do agronegócio reclamaram de ter sido tratadas como vilãs e apontaram que foram demonizadas por causa do uso de agrotóxicos. A distância entre suas queixas e a realidade é tão gigantesca que seria risível se não soubéssemos que estávamos na antessala do governo Bolsonaro (2019-2022) e do enorme retrocesso socioambiental que aconteceu. Na ocasião, como contou no livro em que narra suas memórias, Raoni enfatizou que estava ali “por um motivo só: para pedir respeito aos Povos Indígenas” – e que não aceitaria a destruição das terras originárias.
Às vésperas da pandemia, Raoni organizou um encontro de Povos Indígenas para planejar a resistência às ameaças do governo Bolsonaro e, apesar da pandemia, em 2021 conseguiu, com outras pessoas, fazer uma denúncia contra o então presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional, por causa do desmatamento e do assassinato de Indígenas. Ao lado dos ataques deliberados contra os povos, a negligência do governo na prevenção e no tratamento da covid entre os Indígenas mostrou, mais uma vez, a face da discriminação e do racismo que pauta o empreendimento de ódio chamado Brasil.
Um embaixador entre o Brasil e a brasilidade
Raoni foi sempre um embaixador incansável, um cacique transitando entre o Brasil e a brasilidade, vendo mundos se despedaçar e abrindo espaços para a resistência. Morando com seu povo, falando sua língua, um contraponto visceral ao nosso mundo, escancarando uma brecha na nossa hegemônica forma de viver, mostrando, com sua própria vida e luta, que alternativas, sim, existem.
Quando a população indígena alcançou 1,7 milhão de pessoas, segundo o Censo de 2022, Raoni estava entre elas. Acumulava tanto vitórias – como a garantia dos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988 e a demarcação das Terras Indígenas – quanto apocalipses – como a invasão e o garimpo em seus territórios, a construção de rodovias e de Belo Monte e a desconstrução dos direitos constitucionais.
Em sobrevoo, Raoni observa os danos causados pelo garimpo em terras Kayapó. Foto: Christian Braga/Greenpeace
Depois de diversas ações para combater os ataques e as ameaças do governo Bolsonaro às terras e aos Povos Indígenas, o cacique Raoni, em janeiro de 2023, subiu a rampa do Palácio do Planalto, ao lado de outros representantes da brasilidade, para entregar a faixa presidencial ao presidente Lula, recém-eleito para o terceiro mandato.
Mas a batalha não acaba. Em 2009, a partir das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, surgiu uma tese esdrúxula: o marco temporal. Tratava-se de reconhecer o direito às Terras Indígenas apenas aos povos que estivessem nesses territórios na ocasião da promulgação da Constituição Federal. É, evidentemente, uma tese perversa, que deseja burlar o direito originário dos povos, assegurado pela Constituição. Dado que o país sempre perseguiu os Indígenas, seria de esperar que eles não estivessem onde gostariam de estar em 5 de outubro de 1988. A tese, porém, é muito conveniente para o agronegócio, aquele mesmo que se queixa de ser tachado de vilão, e acabou ganhando tração. Mesmo o STF tendo explicado que se tratava de um caso particular e tendo derrubado essa tese, caracterizando-a como inconstitucional em 2023, o Congresso Nacional insiste em aprovar leis que instituem o marco temporal.
E as ameaças não cessam. Em meados de maio de 2026, uma delegação de onze Povos Indígenas de três biomas de Mato Grosso, Minas Gerais e Tocantins esteve em Brasília exigindo demarcação, desintrusão e proteção para territórios e comunidades e denunciando a omissão do Estado, o avanço do agronegócio e a voracidade do garimpo ilegal. Na ocasião, as lideranças perguntaram: “Será que o Raoni vai ver a demarcação do Kapôt Nhinore?”. Trata-se da Terra Indígena Kapôt Nhinore, entre Mato Grosso e Pará, onde Raoni passou a infância e que segue, até hoje, à espera da demarcação. Outra liderança chamou atenção, dizendo que “lá tem áudio falando que vão contratar 20 pessoas pra matar as lideranças. Vão esperar alguém morrer para chamar a Força Nacional?”.
Nem os grandes projetos param. A construção da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar Sinop, em Mato Grosso, a Itaituba, no Pará, continua aventada e ganhando adeptos. Licenças e autorizações vão sendo concedidas a despeito dos protestos. Essa ferrovia afetará várias unidades de conservação e pelo menos seis Terras Indígenas, entre elas terras dos Kayapó. A mina da canadense Belo Sun, empreendimento de extração de ouro a céu aberto na Volta Grande do Xingu, segue o mesmo caminho. Enfrenta protestos de Indígenas, de povos e comunidades tradicionais, de ambientalistas e de cientistas, mas vai conseguindo licenças e autorizações. Mais dia, menos dia, ambos os projetos se materializarão no território, provocando novos apocalipses.
Mas a brasilidade não pode desistir. Com cerca de 90 anos de luta, entre mundos que se despedaçaram e alternativas que surgiram, Raoni não desistiu, não concedeu, não sucumbiu, não se sujeitou. Talvez seja um enigma, o enigma daquele que não se exime diante da responsabilidade perante o outro, o enigma de quem vive sabendo que a luta não se vence, apenas se luta. O enigma que abraça o apocalipse e que pode reinventar o mundo.
No Acampamento Terra Livre de 2026, Raoni é celebrado como exemplo e inspiração. Foto: Lela Beltrão/SUMAÚMA
Nurit Bensusan é uma ex-humana. Diante de tantos descalabros, desistiu da humanidade mas continua bióloga. Enquanto isso, reflete sobre paisagens e culturas, formas de estar no mundo e as inspirações da Natureza. Insiste em usar a imaginação para ajudar a segurar o céu, escrevendo livros, fazendo jogos e apostando tudo em abrir brechas nesse mundo para que a vida, em toda a sua intensidade e dignidade, floresça.
Texto: Nurit Bensusan
Edição: Eliane Brum
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Plínio Lopes
Revisão ortográfica (português): Célia Arruda
Tradução para o castelhano: Julieta Sueldo Boedo
Tradução para o inglês: Diane Whitty
Edição em inglês: Jonathan Watts
Montagem de página e acabamento: Flávia Coimbra
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum
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Fonte: SUMAÚMA
