Quem é Peixe, miliciano condenado no caso Marielle, que intermediou emenda de Flávio Bolsonaro

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Por Emanuela Godoy — TVT News

Robson Calixto da Fonseca, miliciano conhecido como “Peixe”, aparece em investigações da Polícia Federal sobre a destinação de recursos públicos para uma ONG do Rio de Janeiro. Segundo as apurações citadas nos textos de apoio, ele manteve tratativas com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL), para viabilizar uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). Leia em TVT News.

A atuação de Peixe nesse episódio veio à tona a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal em seu celular. Os diálogos mostram que ele procurou a assessora em outubro de 2023 para pedir que Flávio Bolsonaro destinasse recursos à entidade. Em uma das mensagens, escreveu: “Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”.

Maria de Fátima respondeu pedindo que ele encaminhasse a solicitação por e-mail ou ofício. Em seguida, também orientou Peixe a reforçar pessoalmente o pedido com Flávio Bolsonaro durante um evento no Rio de Janeiro. A emenda, no valor de R$ 199.999,79, foi destinada ao Ifop em novembro daquele ano.

Quem é Robson Calixto, o Peixe

Peixe foi assessor de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e posteriormente no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). De acordo com os textos de apoio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Calixto como operador e intermediário das relações mantidas pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

As investigações do caso Marielle também atribuíram a ele funções relacionadas aos negócios dos irmãos Brazão, incluindo atividades envolvendo imóveis e loteamentos irregulares. A PGR apontou ainda que Peixe teria atuado como procurador informal e “laranja” do grupo.

Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou Robson Calixto a nove anos de prisão por organização criminosa armada no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele não foi condenado pelos homicídios, mas pela participação na organização criminosa.

O nome de Peixe também apareceu em relatos encaminhados ao Disque-Denúncia em 2018. Segundo relatório da Polícia Federal citado nos textos, ele era apontado como responsável por arrecadar valores provenientes de extorsões praticadas por milicianos na região da Taquara, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Na delação premiada, Ronnie Lessa, que confessou ter assassinado Marielle e Anderson, descreveu Peixe como homem de confiança e “faz tudo” de Domingos Brazão. Lessa também afirmou que Calixto teria participado de articulações relacionadas ao crime e providenciado a submetralhadora utilizada no assassinato. Peixe negou essa acusação.

Relação com a assessora de Flávio Bolsonaro

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Mensagens mostram assessora do senador Flávio Bolsonaro tratando de repasse de quase R$ 200 mil com Robson Calixto, condenado no caso Marielle e ligado aos irmãos Brazão. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A relação entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro é um dos pontos investigados pela Polícia Federal. O contato da assessora estava salvo no celular de Calixto como “Fafá Flávio Bolsonaro”. Segundo a investigação, ela funcionava como interlocutora entre Peixe e o gabinete do senador.

Após o primeiro contato, Peixe voltou a cobrar a liberação dos recursos em diferentes ocasiões. Em novembro de 2023, escreveu que não queria que o projeto do Ifop fosse interrompido e pediu novamente que o senador destinasse a verba.

O pagamento ocorreu em 29 de novembro de 2023. O dinheiro deveria financiar a compra de chuteiras para crianças atendidas pelo projeto esportivo “Jogadores do Futuro”.

Meses depois, segundo as mensagens analisadas pela PF, a assessora voltou a procurar Peixe para pedir quatro ingressos para o desfile das escolas campeãs no Carnaval do Rio. A investigação classificou a solicitação como possível “vantagem indevida”. Peixe teria procurado um terceiro para conseguir as entradas.

Emenda é alvo de investigação

O Ifop recebeu, ao todo, R$ 2 milhões em recursos públicos mencionados nos textos de apoio: R$ 200 mil indicados por Flávio Bolsonaro, R$ 300 mil por Chris Tonietto e R$ 1,5 milhão por Chiquinho Brazão. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam suspeitas de desvio de recursos, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Tribunal de Contas da União também identificou indícios de irregularidades na utilização da verba destinada por Flávio Bolsonaro. Segundo a auditoria, o instituto não teria demonstrado busca por condições mais vantajosas nas compras nem preocupação suficiente com economia e eficiência.

No projeto beneficiado pela emenda do senador, pais de alunos afirmaram que as chuteiras previstas não foram entregues. A investigação também identificou a contratação de um escritório de advocacia pertencente a integrantes ligados à própria direção do instituto para atuar na coordenação do projeto esportivo.

Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo o senador, a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop afirmou desconhecer a participação de Peixe na obtenção da verba e negou manter relações com ele ou com a família Brazão. A entidade disse ter contratado uma assessoria especializada para apresentar projetos a parlamentares.

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Fonte: TVT News

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