Quem é Milla, citada na música cantada por Netinho e que viveu romance com compositor
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Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 10:14
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A música “Milla”, composta por Manno Góes e Tuca Fernandes e eternizada na voz do cantor Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), foi cercada por mistérios durante muitos anos, principalmente em relação à identidade da mulher retratada na letra. Havia dúvidas sobre se ela realmente existia e se aquela história de amor era real.
Somente em 2015 Manno Góes revelou o segredo, em uma entrevista ao Fantástico (Globo). Na ocasião, o compositor contou que Milla existiu de verdade e que a letra havia sido inspirada em um romance passageiro vivido por ele durante um verão. No entanto, os dois acabaram seguindo caminhos diferentes.
“Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata. Milla, hoje, é uma mulher que está superbem casada, feliz, com os filhos dela. Eu também estou superfeliz, casado, com meus filhos. E tomara que essa música ainda embale muitos amores”, disse ao programa.
A reportagem fez parte de uma série de reportagens que investigavam se as musas icônicas de músicas brasileiras, como Sandra Rosa Madalena, da canção de Sidney Magal, realmente existiam.
Em 2021, Manno Góes e Netinho se envolveram em uma disputa judicial devido a “Milla”. Na época, Netinho havia cantado a música durante um ato a favor de Jair Bolsonaro, realizado na avenida Paulista.
Irritado com o uso da canção durante a manifestação, o compositor se pronunciou em sua página no X, na época Twitter, e insultou o cantor.
“Netinho ontem cantou ‘Milla’ no ato em que pessoas brancas, na Paulista, gritavam ‘eu autorizo’, para Bolsonaro. Autorizam o quê? Golpe militar?”, escreveu o compositor. “Portanto, eu não autorizo esse débil mental de cantar minha música”, completou.
No dia seguinte, Góes voltou à rede social e reconheceu, em tom de retratação, que não deveria ter usado a expressão “débil mental” para se referir a Netinho, a quem chamou de golpista.
“Compreendo e peço desculpas a todos por ter usado ‘débil mental’ para me referir ao cantor golpista. Agradeço a todos que me chamaram a atenção, mesmo apoiando meu desabafo. Estamos aqui para aprender e melhorar como pessoa. É o que quero para mim: aprender, evoluir, consertar”, escreveu.
Em resposta, Netinho entrou com uma ação judicial contra o compositor e, posteriormente, com uma queixa-crime por injúria na 14ª Vara Criminal de Salvador.
Manno Góes também recorreu à Justiça contra a ex-deputada federal Carla Zambelli, para que ela removesse de seu canal no YouTube o vídeo em que Netinho aparecia cantando durante a manifestação.
Da queixa-crime, Góes foi absolvido. O juiz entendeu que a disputa entre os dois era reflexo da polarização política da época. Netinho foi condenado a pagar R$ 5 mil em despesas processuais.
Na ação por danos, porém, o resultado foi favorável ao cantor: Góes foi condenado a pagar R$ 15 mil devido a ofensas como “débil mental”, “patético”, “imbecil”, “bicha burra” e “fascista”, feitas em entrevistas e nas redes sociais contra Netinho.
Já o vídeo publicado por Zambelli foi retirado do ar, e a ex-parlamentar também foi condenada a pagar R$ 20 mil ao compositor.
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