Quem é Alfredo Gaspar o vice de Flávio Bolsonaro que saiu da CPMI do INSS para a chapa do PL
Por otero — Fundação Perseu Abramo
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), 55 anos, é o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa o segundo turno das eleições deste ano.
Alçado a vice depois de uma disputa entre mulheres – o próprio Flávio dizia preferir uma mulher e chegou a considerar Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Bia Kicis (PL-DF) -, Gaspar foi a opção encontrada pelo PL. O Deputado ficou conhecido nacionalmente após sua atuação na CPMI do INSS. Seu relatório, porém, foi rejeitado.
Do Ministério Público ao rompimento com os Calheiros
Advogado eleito em 2022 para seu primeiro mandato na Câmara, Gaspar construiu a carreira no Ministério Público de Alagoas, onde ingressou em 1996 e permaneceu por 24 anos. Foi promotor de Justiça, coordenou o grupo estadual de combate ao crime organizado e ocupou duas vezes a Procuradoria-Geral de Justiça. Comandou também, em dois períodos, a Secretaria de Segurança Pública do estado, no governo de Renan Filho (MDB). Ligado ao grupo dos Calheiros, filiou-se ao MDB e deixou o MP em 2020 para disputar a Prefeitura de Maceió — foi o mais votado no primeiro turno, mas perdeu no segundo. Rompeu com o antigo grupo em 2022, ao se opor à aliança que levou Paulo Dantas ao governo estadual, migrou para o União Brasil e se elegeu deputado federal com pouco mais de 102 mil votos. Em março de 2026 trocou o União pelo PL, assumiu o comando estadual da legenda e se preparava para disputar o Senado — havia sido confirmado como candidato um dia antes de ser anunciado como vice.
A relatoria derrotada na CPMI do INSS
A projeção nacional veio em agosto de 2025, com a relatoria da CPMI do INSS, criada para apurar descontos irregulares em aposentadorias e pensões. A indicação só foi possível depois que o senador Carlos Viana (Podemos-MG), apoiado pela oposição, derrotou Omar Aziz (PSD-AM) na disputa pela presidência do colegiado e desfez o acordo costurado por Davi Alcolumbre e Hugo Motta, que previa Aziz na presidência e Ricardo Ayres (Republicanos-TO) na relatoria. Após sete meses de trabalho, Gaspar apresentou um relatório de mais de 4 mil páginas pedindo o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva. O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final.
Acusação de estupro aguarda a PGR no Supremo
A sessão final da CPMI trouxe uma controvérsia que acompanhou a campanha do primeiro turno. Durante a leitura do relatório, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke revelaram a informação de que Gaspar foi acusado de estupro de vulnerável e protocolaram notícia-crime na Polícia Federal. Segundo a denúncia, a relação não consensual teria ocorrido anos atrás, com uma adolescente, e resultado no nascimento de um filho do parlamentar. Como Gaspar tem foro especial, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal autorização para investigar. O pedido está parado desde abril, quando o relator, ministro Gilmar Mendes, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Gaspar nega a acusação, afirma ser alvo de retaliação política e entrou com ações contra os dois parlamentares. Em 23 de abril, por determinação judicial, fez a coleta de material biológico para exame de DNA no Laboratório de Genética Forense, em Maceió. “O maior interessado na instauração do inquérito policial sou eu. As investigações policiais irão provar os crimes dos quais fui vítima e robustecerão minhas denúncias contra os parlamentares criminosos”, declarou em nota.
Fonte: Fundação Perseu Abramo