Queijaria capixaba coleciona prêmios com produção artesanal e parceria com o cooperativismo

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Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 09:30

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O que começou com a produção de queijos, iogurtes e doce de leite para os hóspedes de um sítio em Marechal Floriano, na Região Serrana do Espírito Santo, transformou-se em um negócio familiar reconhecido em concursos nacionais. À frente da Queijaria Hollunder, Anderson Hollunder e a esposa, Daniela Lopes Hollunder, encontraram na produção artesanal uma nova oportunidade de trabalho e, com o apoio do Sicredi, investiram no desenvolvimento da atividade.

A história começou quando a família decidiu dar um novo destino à propriedade rural, que por mais de 30 anos foi dedicada ao cultivo de hortaliças. Com o crescimento do turismo na região e a experiência com hospedagem por temporada, surgiu a ideia de  investir na produção de leite e aproveitar a matéria-prima para produzir alimentos artesanais.

No início, a produção era voltada aos visitantes do sítio e incluía queijo, iogurte e doce de leite. A boa aceitação dos produtos incentivou a família a se aperfeiçoar e enxergar novas possibilidades para o negócio.

O caminho até a formalização, no entanto, exigiu planejamento e investimento. Em maio de 2025, a família decidiu registrar a queijaria. Mas para isso era preciso adequar o espaço de produção e adquirir novos equipamentos para cumprir as exigências sanitárias, já que os produtos eram feitos em uma estrutura adaptada, que funcionava como cozinha industrial.

Foi nesse momento que o Sicredi passou a fazer parte da trajetória do empreendimento. Mesmo sem ter conta na instituição financeira cooperativa anteriormente, a família procurou a agência de Marechal Floriano em busca de recursos para viabilizar o projeto. A primeira operação de crédito, de R$ 40 mil, foi destinada às adequações necessárias para formalizar a produção.

Entre os investimentos realizados estão a compra de um pasteurizador, de uma seladora a vácuo e de outros equipamentos utilizados na fabricação e na embalagem dos produtos. O apoio também contribuiu para a aquisição de um veículo com carroceria, importante para transportar insumos e levar os produtos às feiras, além do financiamento para a compra de vacas leiteiras e o melhoramento genético do rebanho, por meio de uma linha do Pronaf.

Para Anderson, a diferença esteve na forma como a instituição conheceu o negócio antes de oferecer uma solução financeira. “A gente não esperava tanto sucesso, só queríamos registrar nosso produto, mas desde o início o pessoal do Sicredi se encantou pelos nossos produtos e identificou que tínhamos um potencial muito grande”, afirma Anderson.

Com a formalização e os investimentos, a queijaria ampliou a produção e diversificou o portfólio. O volume, que era de aproximadamente 100 litros de leite por semana, chegou a  mais de 1.000 litros semanais.

Atualmente, Anderson e Daniela são responsáveis pela produção, enquanto Ilza, mãe de Anderson, também participa do apoio às atividades da família.

Sem experiência anterior com a fabricação de queijos, foi necessário buscar orientações de outros produtores, realizar cursos e aperfeiçoar os processos.

A assistência técnica também contribuiu para melhorar as práticas de produção e, hoje em dia, além dos queijos tradicionais, a linha de produtos inclui opções como queijo com café e iogurtes com frutas, entre eles o de jabuticaba.

“Nosso carro-chefe que lançamos ano passado é um iogurte de jabuticaba, feito com calda artesanal. Ele ganhou medalha de Bronze no prêmio Queijo Brasil, enquanto nosso iogurte lácteo integral ganhou o ouro e foi reconhecido como melhor produto lácteo do Estado na mesma competição. Outro destaque é nosso queijo de café, que fica imerso e faz seu processo de cura dentro de uma calda de café arábica”, comenta.

Mas não para por aí. Em 2025, a família participou do concurso Queijo Premium Brasil, em Blumenau, Santa Catarina, e conquistou medalhas com o queijo coalho e o doce de leite de corte. Em 2026, a queijaria voltou a participar do concurso, com dez produtos inscritos e oito premiações, segundo Anderson.

Além disso, neste ano, o queijo coalho também recebeu a distinção Super Ouro no Mundial dos Queijos.

Essas conquistas ampliaram a visibilidade da queijaria e despertaram o interesse de consumidores de outras regiões. Hoje, a família conta com um ponto físico localizado na propriedade e também trabalha em feiras pelo Estado. Segundo Anderson, entre 70% e 80% das vendas são realizadas nesses eventos, que permitem apresentar os produtos a novos públicos e testar lançamentos.

Para Marcelo Soares, gerente da agência do Sicredi em Marechal Floriano, a experiência da Queijaria Hollunder mostra como o relacionamento próximo pode contribuir para o desenvolvimento dos pequenos negócios. Segundo ele, a atuação da cooperativa começa pela compreensão da realidade do associado e das necessidades de cada projeto.

“Mais do que disponibilizar recurso, nosso objetivo é fazer com que o crédito seja utilizado de maneira planejada. Quando vemos um empreendimento da nossa região crescendo, conquistando mercado e tendo seu produto reconhecido, como aconteceu com a Queijaria Holunder e seus queijos premiados, percebemos o impacto que o desenvolvimento dos pequenos negócios pode gerar em toda a comunidade”, comenta.

Além do crédito, o relacionamento pode envolver orientação sobre organização financeira, investimentos, proteção patrimonial e continuidade do negócio. No meio rural, essas decisões podem influenciar não apenas a atividade produtiva, mas também a estabilidade da família e o desenvolvimento da comunidade.

“O crédito é apenas uma parte da relação. Procuramos estar próximos do associado para conversar sobre organização financeira, investimentos, proteção patrimonial e continuidade do negócio, sempre considerando o momento e os objetivos de cada empreendimento.  Essa proximidade também permite entender o projeto antes de ele virar uma necessidade urgente de dinheiro: entender o fluxo financeiro, capacidade de pagamento, momento de investir e os riscos envolvidos”, pontua Marcelo.

No caso da Hollunder, a parceria acompanha uma trajetória que ainda tem planos para o futuro. Com a estrutura atual ficando pequena diante das necessidades da produção, Anderson e Daniela estudam construir uma queijaria projetada especificamente para a atividade, com equipamentos mais adequados e melhores condições de trabalho.

“Hoje, nosso plano é contar com o apoio do Sicredi para aumentar a queijaria, que já ficou pequena para nossa produção. Queremos um projeto maior e melhor, para que possamos trabalhar mais tranquilos”, finaliza Anderson.

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