Quase 4,6 milhões de empregos formais foram gerados entre beneficiários do Bolsa Família
Por Emanuela Godoy — TVT News
Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que beneficiários do Bolsa Família tiveram um saldo de quase 4,6 milhões de empregos formais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Leia em TVT News.
O levantamento considera as contratações e demissões registradas entre pessoas que integravam o programa de transferência de renda no momento da movimentação profissional.
Segundo a pesquisa, foram 15,3 milhões de contratações de beneficiários do Bolsa Família no período, enquanto 10,8 milhões de demissões foram registradas. A diferença entre os dois números resulta em um saldo positivo próximo de 4,6 milhões de postos de trabalho.
O resultado corresponde a 85,2% do saldo total de empregos com carteira assinada criado no Brasil no mesmo intervalo. De acordo com os dados analisados pelos pesquisadores, o mercado formal brasileiro apresentou saldo de aproximadamente 5,4 milhões de vagas entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
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Para os autores do estudo, os números ajudam a compreender a relação entre programas de transferência de renda e inserção no mercado de trabalho.
O pesquisador da FGV Valdemar Pinho Neto, que realizou a análise em parceria com Luiz Gustavo Barbosa, afirma que os dados não sustentam a crítica de que beneficiários do Bolsa Família não teriam interesse em trabalhar.
“Uma crítica de que as pessoas do Bolsa Família não querem trabalhar não é uma crítica válida quando você olha para os números”, afirmou Pinho Neto.
Beneficiários participaram de parcela expressiva das contratações

Os integrantes do Bolsa Família representaram 16,7% de todas as contratações registradas no país durante o período analisado. Foram 91,8 milhões de admissões no mercado formal brasileiro, das quais 15,3 milhões envolveram pessoas que estavam no programa no momento da contratação.
Nas demissões, os beneficiários responderam por 12,5% do total. Enquanto o conjunto do mercado registrou 86,4 milhões de desligamentos, 10,8 milhões ocorreram entre pessoas integrantes do Bolsa Família no momento da demissão.
O estudo, entretanto, não informa se os trabalhadores continuaram recebendo o benefício depois de conseguirem um emprego formal. A análise identifica apenas a situação do trabalhador em relação ao programa no momento da contratação ou do desligamento.
A legislação permite que uma pessoa beneficiária do Bolsa Família exerça atividade profissional e continue recebendo o benefício, desde que a renda familiar por pessoa permaneça dentro do limite estabelecido. No período considerado pelo material analisado, esse teto é de R$ 218 mensais por integrante da família.
Saldo positivo também aparece entre inscritos no CadÚnico
A pesquisa da FGV também analisou os trabalhadores registrados no Cadastro Único (CadÚnico), sistema utilizado pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda e viabilizar o acesso a diferentes políticas sociais.
Entre as pessoas inscritas no CadÚnico, o saldo de empregos formais foi ainda maior: 5,8 milhões de postos entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Nesse grupo, foram contabilizadas 33,3 milhões de contratações e 27,5 milhões de demissões.
A diferença supera o saldo total de empregos formais registrado no país durante o mesmo período, calculado em 5,4 milhões de vagas.
O estudo aponta que os resultados indicam uma relação entre a expansão do emprego formal e a inclusão produtiva de famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A análise considera, portanto, não apenas o acesso ao benefício social, mas também a movimentação desses trabalhadores no mercado com carteira assinada.
Fora do CadÚnico, saldo de empregos ficou negativo
O cenário foi diferente entre os trabalhadores que não estavam inscritos no CadÚnico. Nesse grupo, o saldo de empregos formais ficou negativo em 460,6 mil postos entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Foram 58,5 milhões de contratações e 58,9 milhões de demissões, diferença que resulta no saldo negativo apontado pelo levantamento.
Os pesquisadores, porém, não interpretam esse resultado como falta de oportunidades para trabalhadores que não estão no cadastro. Uma das possibilidades levantadas é que o mercado de trabalho aquecido tenha permitido que parte dessas pessoas deixasse seus empregos para assumir novas vagas.
Nesse cenário, uma demissão não necessariamente representa perda definitiva de ocupação. O trabalhador pode ter deixado uma empresa para ingressar em outra, movimento associado à maior disponibilidade de postos formais.
Dados são cruzados com registros do governo
Para realizar o levantamento, os pesquisadores utilizaram informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), base do governo federal que reúne registros de admissões e desligamentos no mercado de trabalho formal.
Os dados de emprego foram cruzados com informações do CadÚnico e do Bolsa Família. Dessa forma, foi possível identificar a situação dos trabalhadores em relação aos programas sociais no momento em que foram contratados ou desligados.
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Fonte: TVT News