Putin concorda em retomar negociações com Ucrânia e EUA para tentar encerrar guerra
Por João Reynol — Jornal Opção

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordou, nesta quarta-feira, 21, em retomar as negociações com Ucrânia e Estados Unidos (EUA) para buscar um acordo para o fim da guerra, iniciada com a invasão russa em larga escala do território ucraniano, em fevereiro de 2022.
A sinalização ocorreu após uma reunião de quase três horas entre Putin e o enviado especial do governo norte-americano, Steve Witkoff, em São Petersburgo, no noroeste da Rússia. Segundo o assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, o líder russo concordou, “em princípio”, com a retomada das negociações trilaterais.
O encontro ocorre em meio a uma aproximação entre Washington e Moscou. No início de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo para que a Rússia voltasse a fornecer diesel ao mercado norte-americano e internacional. A medida foi acompanhada pela flexibilização temporária de sanções norte-americanas relacionadas ao setor energético russo.
Antes de viajar à Rússia, Witkoff se reuniu, na terça-feira, 20, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Oslo, na Noruega.
Uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos pode ocorrer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo Ushakov, as tratativas devem ser retomadas em novembro, possivelmente por volta do dia 10. A composição das delegações ainda não foi definida.
No campo de batalha, o conflito permanece marcado por elevado número de mortes. Estimativa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) aponta que, entre fevereiro de 2022 e junho de 2026, entre 400 mil e 450 mil militares russos e entre 125 mil e 150 mil militares ucranianos morreram na guerra. Somadas, as estimativas indicam entre 525 mil e 600 mil combatentes mortos.
A esse número se somam as vítimas civis. A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registrou 2.570 civis mortos somente entre janeiro e setembro de 2026. O total de mortes civis verificadas desde o início da invasão em larga escala supera 17 mil, embora a própria ONU ressalte que o número real é provavelmente maior diante da dificuldade de confirmar casos, sobretudo em áreas ocupadas. Mísseis, drones, armas de curto alcance e outros ataques relacionados ao conflito estão entre as causas das mortes.
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Fonte: Jornal Opção